Em uma situação fictícia, o motorista aprova uma revisão de R$ 900 e depois recebe da oficina uma cobrança de R$ 4.700 por peças trocadas sem aviso. O CDC exige orçamento prévio e autorização expressa para executar serviços, com uma ressalva para situações decorrentes de práticas anteriores entre as partes.
A oficina pode desmontar o carro e decidir sozinha o que precisa trocar?
Encontrar um problema durante a revisão não significa autorização automática para executar tudo. A oficina pode informar o defeito, explicar o serviço necessário e apresentar o custo adicional ao consumidor.
O artigo 39, inciso VI, do Código de Defesa do Consumidor considera prática abusiva executar serviços sem elaboração prévia de orçamento e autorização expressa, ressalvadas as práticas anteriores existentes entre as partes.

O que precisa constar no orçamento da oficina?
O artigo 40 detalha a obrigação. O fornecedor deve entregar orçamento com valor da mão de obra, materiais e equipamentos que serão empregados, condições de pagamento e datas previstas para início e término do serviço.
Depois que o consumidor aprova esse orçamento, ele passa a obrigar as partes. A lei diz que sua alteração depende de livre negociação, o que impede tratar a aprovação dos R$ 900 como autorização genérica para elevar a conta sem novo contato.
E se a oficina encontrar uma peça perigosa depois de começar?
O problema pode ser informado imediatamente ao motorista, mas a necessidade técnica não transforma por si só uma autorização de R$ 900 em aprovação de R$ 4.700. A solução normal é apresentar o diagnóstico e pedir nova autorização.
O parágrafo 2º do artigo 40 estabelece que o orçamento aprovado só pode ser alterado mediante livre negociação das partes. Uma mensagem, ligação registrada ou outro meio de confirmação ajuda a mostrar qual serviço extra foi efetivamente aceito.
- A oficina identifica o novo problema.
- Informa ao cliente quais peças ou serviços são necessários.
- Apresenta o valor adicional.
- Recebe autorização antes da execução.
- Guarda registro da aprovação.
Isso protege os dois lados. O motorista sabe quanto a conta aumentará e a oficina consegue demonstrar que não realizou um trabalho extra por iniciativa própria.

Quando a falta de nova autorização pode ser discutida?
O próprio artigo 39 traz uma ressalva para serviços decorrentes de práticas anteriores entre as partes. Isso exige olhar a relação existente, e não simplesmente presumir que todo cliente antigo autorizou qualquer gasto futuro.
Além disso, o parágrafo 3º do artigo 40 determina que o consumidor não responde por acréscimos relacionados à contratação de serviços de terceiros que não estavam previstos no orçamento prévio.
| Serviço | Autorização | Situação |
|---|---|---|
| Revisão de R$ 900 Orçamento inicial | Expressamente aprovada | Autorizado |
| Peças adicionais Conta sobe para R$ 4.700 | Nenhuma no exemplo | Contestável |
| Nova negociação Valor extra informado | Cliente concorda antes | Pode integrar o serviço |
Então o motorista precisa pagar os R$ 4.700?
Nessa situação fictícia, a oficina não pode tratar a aprovação da revisão de R$ 900 como autorização automática para todas as trocas que elevarem a conta para R$ 4.700. Os serviços adicionais precisam ser examinados à luz do orçamento e das autorizações existentes.
Se não houver aprovação dos extras nem uma prática anterior que se encaixe na ressalva legal, o consumidor possui base no CDC para contestar a cobrança. Orçamento, ordem de serviço, mensagens e registros de ligação ajudam a mostrar exatamente o que foi autorizado.




