No sudoeste mineiro, a 280 km de Belo Horizonte, Capitólio guarda uma paisagem que não existia até a metade do século passado. O Lago de Furnas cobriu vales inteiros, deixou de fora apenas os topos das serras e transformou uma cidade agrícola em ponto de partida para passeios de lancha entre paredões de rocha e água verde-esmeralda.
Por que a Rainha dos Lagos só perde para Ouro Preto na procura dos turistas?
Capitólio aparece em segundo lugar entre as cidades mineiras que mais despertam interesse dos visitantes. A lista, divulgada pela Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (SECULT-MG), começa por Ouro Preto, traz a cidade dos cânions logo atrás e coloca Belo Horizonte em terceiro, à frente de nomes conhecidos como Tiradentes, Diamantina e Poços de Caldas.
A posição impressiona pelo tamanho do município, que tem população menor que a de muitos bairros da capital e ainda assim concentra uma das maiores frotas de embarcações de turismo do estado. Conforme a SECULT-MG, o conjunto de cachoeiras somado ao lago faz da cidade uma das melhores opções mineiras para turismo náutico e de aventura.

Como surgiu um mar de água doce no meio das montanhas?
A resposta está em uma obra de engenharia. O Lago de Furnas nasceu do represamento do Rio Grande pela barragem da usina hidrelétrica, formando um espelho d’água de 1.440 km², segundo o portal oficial Turismo em Minas Gerais. Para comparar, é uma superfície maior que a cidade de São Paulo inteira.
O que a água não cobriu virou atração. As antigas encostas de quartzito ficaram expostas como corredores estreitos, hoje percorridos por lanchas e chalanas, e as cachoeiras que antes caíam em vales agora despencam direto no lago. O apelido Mar de Minas pegou por um motivo simples: em muitos trechos, quem está a bordo não enxerga a margem oposta.

O que fazer entre os paredões e as cachoeiras?
Boa parte dos atrativos só se alcança de barco, e os passeios seguem regras de segurança definidas pela Prefeitura de Capitólio, com uso obrigatório de colete e capacete no circuito dos cânions. Confira abaixo o que entra no roteiro:
- Cânions de Furnas: corredores de rocha acessíveis apenas por embarcação, com cachoeiras caindo dos paredões direto na água.
- Mirante dos Canyons: às margens da MG-050, entrega a vista clássica do alto para quem prefere ficar em terra firme.
- Cachoeira Lagoa Azul: parada de banho em piscina natural transparente, uma das mais concorridas do circuito de lancha.
- Trilha do Sol: caminho ecológico que leva a poços de água limpa, como o Poço Dourado e a Cachoeira do Grito.
- Escarpas do Lago: bairro à beira d’água que reúne pousadas, restaurantes e a maior marina de água doce da América Latina, conforme o portal oficial de turismo do estado.
- Voo de balão: alternativa para ver o desenho do lago e das penínsulas de cima, com saídas no começo da manhã.
Quem sonha em navegar pelos cânions de Capitólio vai curtir este vídeo do canal Casal Alencar, com mais de 350 mil visualizações, que monta um roteiro de 3 dias pelo famoso Mar de Minas.
Quanto o clima de Capitólio muda ao longo do ano?
A cidade fica em altitude bem menor que a de outros destinos mineiros, o que garante calor firme por boa parte do ano e água morna no lago. Veja abaixo como cada estação se comporta na cidade dos cânions:
Temperaturas aproximadas com base na climatologia do Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de sair de casa.
Como chegar até a cidade dos cânions
De Belo Horizonte, o trajeto tem cerca de 280 km pela BR-381 e pela MG-050, com aproximadamente quatro horas de carro. Quem vem de fora do estado costuma desembarcar no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e seguir de carro alugado, já que os atrativos ficam espalhados ao longo da rodovia e das margens do lago.
Vale reservar os passeios de lancha com antecedência em feriados prolongados, quando a fila de embarcações no píer cresce bastante.

Conheça o mar que Minas construiu
Poucos lugares no Brasil oferecem paredões de rocha, cachoeiras que caem na água e piscinas naturais no mesmo dia de passeio, tudo a quatro horas da capital mineira. A paisagem é jovem, nasceu de uma barragem, e nem por isso parece menos improvável.
Você precisa entrar em uma lancha em Capitólio e navegar por cânions que, poucas décadas atrás, ainda eram morros secos no sudoeste de Minas.




