Antes de existir hotel, praça ou rua calçada, existiam duas cavas abertas no chão do sul de Minas Gerais para captar uma água quente com cheiro de enxofre. Foi em torno delas que Poços de Caldas se organizou, virou destino de tratamento e ganhou uma arquitetura de balneário europeu. Quase dois séculos depois, essa herança sustenta o turismo e coloca o município no topo dos rankings mineiros.
Como dois poços abertos em 1826 fundaram a cidade?
Eles marcaram o ponto exato onde a cidade cresceu. Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), os dois primeiros poços de águas sulfurosas termais foram abertos em 1826, na margem direita do Ribeirão de Caldas, em terras da antiga Fazenda Barreira, e o primeiro balneário foi inaugurado em 1886.
A fase seguinte deu à cidade o rosto que ela tem hoje. Entre o fim da década de 1920 e o início dos anos 1930, o arquiteto Eduardo V. Pederneiras assinou os projetos das Thermas Antônio Carlos, do Palace Cassino e do Palace Hotel, enquanto o paisagista Reynaldo Dieberger desenhava o Parque José Affonso Junqueira, no mesmo período. O resultado é um centro em que hotel, termas, cassino e jardim formam um conjunto único.

O que significa integrar a rota termal histórica da Europa?
Significa estar no mesmo circuito de balneários que existem há séculos do outro lado do Atlântico. Conforme a Prefeitura de Poços de Caldas, o município assinou o protocolo de adesão à European Historic Thermal Towns Association (EHTTA) durante a assembleia geral realizada em Caldas da Rainha, em Portugal, tornando-se a primeira cidade brasileira e a única fora da Europa a integrar a entidade, que reunia então 40 cidades de 13 países, incluindo Itália, Espanha, Bélgica e França.
A ligação com Portugal não é coincidência: o nome do município homenageia justamente a cidade termal portuguesa. Hoje a estância mineira aparece na lista de membros da EHTTA como parceira internacional, ao lado de nomes clássicos do termalismo europeu.

Por que o município lidera os rankings mineiros?
Pela combinação de emprego, renda e saúde. De acordo com a Prefeitura de Poços de Caldas, o município ficou em primeiro lugar em Minas no Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) de 2025, com nota geral de 0,8457, e ocupou a 54ª posição entre os 5.550 municípios avaliados no país, sendo a única cidade mineira dentro do grupo das 100 melhores.
O desempenho é puxado por Emprego e Renda, com nota 0,9796, e por Saúde, com 0,8254, ambos no patamar de alto desenvolvimento. A cidade também concentra formação superior própria, com o campus da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), inaugurado em 1997, e o Campus Poços de Caldas do Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS), que oferece cursos técnicos e de graduação gratuitos.

O que ver entre termas, parques e mirantes?
O centro concentra quase tudo, e o entorno guarda o resto. Em abril de 2026, o Governo de Minas Gerais tombou o Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro como patrimônio cultural, proteção que alcança praças, fontes, coretos e trechos de ribeirões urbanos.
Confira abaixo o que costuma entrar no roteiro de quem visita a cidade:
- Thermas Antônio Carlos: banhos de imersão em água sulfurosa dentro do prédio dos anos 1920, com salas de tratamento originais.
- Palace Hotel e Palace Cassino: dupla monumental da fase áurea do termalismo, hoje usada para eventos e visitação.
- Parque José Affonso Junqueira: jardim paisagístico no coração da cidade, com fontes, lago e alamedas arborizadas.
- Praça Pedro Sanches: espaço público integrado ao conjunto tombado, ponto de encontro tradicional dos moradores.
- Véu das Noivas: conjunto de quedas d’água na serra, com mirante e acesso simples de carro.
- Cristo Redentor de Poços: mirante no alto do morro, alcançado por teleférico, com vista aberta do vale inteiro.
Quem pensa em morar em Poços de Caldas vai curtir este vídeo do canal MAIS 50, com mais de 348 mil visualizações, que mostra os prós e contras de viver na cidade.
Como o clima de Poços de Caldas se comporta ao longo do ano?
A altitude segura o calor mesmo nos meses mais quentes, e o inverno traz manhãs geladas para os padrões mineiros. Agosto tem média mensal de apenas 30 mm de chuva, conforme séries do Climatempo, enquanto o verão concentra a maior parte da precipitação do ano.
Veja abaixo como cada estação costuma se comportar no município:
Temperaturas aproximadas. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A cidade que transformou água quente em projeto urbano
Poucos municípios brasileiros podem dizer que nasceram de uma fonte e organizaram ruas, praças e hotéis em volta dela, mantendo o conjunto de pé quase um século depois. Poços de Caldas fez isso e ainda entrega os melhores indicadores socioeconômicos de Minas.
Você precisa subir a serra, tomar um banho de água sulfurosa nas termas antigas e terminar a tarde num banco do parque para entender por que essa cidade virou referência dentro e fora do Brasil.




