Uma obra pensada para gerar energia acabou desenhando a paisagem mais fotografada do interior de Minas Gerais. Quando as águas represadas do Rio Grande subiram, no início dos anos 1960, vales inteiros sumiram e apareceram corredores estreitos entre rochas, com cachoeiras caindo direto na água. Capitólio, no sudoeste do estado, ficou bem no meio dessa nova geografia e transformou o acidente de percurso em vocação.
Como o lago que criou os cânions foi formado?
Pelo represamento do Rio Grande para a Usina Hidrelétrica de Furnas, construída para atender a demanda de energia das maiores cidades do país. Segundo o portal Visite Minas Gerais, da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo, o Lago de Furnas é a maior extensão de água do estado, com 1.440 km², o equivalente a quatro vezes a Baía de Guanabara, e alcança 34 municípios.
Esse volume todo tem consequência prática para quem vive ali. O nível do reservatório precisa se manter alto para que navegação, turismo e piscicultura funcionem, tema que mobiliza prefeitos e associações da região há anos, conforme registrou a Agência Minas Gerais. Quando o lago baixa, praias aparecem, mas as lanchas param.

O que se vê dentro dos paredões?
Corredores de rocha que sobem mais de 20 metros acima da linha d’água. De acordo com o Visite Minas Gerais, essas formações revelam cenários fechados e cachoeiras como a da Lagoa Azul, onde a água toma um tom esverdeado por causa da profundidade e da luz refletida nas paredes.
Confira abaixo o que costuma entrar no roteiro de quem chega à cidade:
- Mirante dos Cânions: vista do alto dos paredões e do lago, com acesso simples pela MG-050 e trilha curta até os melhores pontos.
- Passeio de lancha: circuito que passa pelos cânions, pela Lagoa Azul e pelos bares flutuantes ancorados no meio do lago.
- Cachoeira da Cascatinha: queda que despenca dentro de um canal estreito, um dos trechos mais concorridos do percurso náutico.
- Ponte do Rio Turvo: ponto de saída das embarcações e concentração de restaurantes de comida mineira e peixe do lago.
- Serra da Canastra: parte do parque nacional fica no município, e a serra fornece o queijo artesanal vendido na região.
- Escarpas do Lago: área de marinas e clubes às margens do reservatório, com estrutura para esportes náuticos.
Quem sonha em explorar Capitólio vai curtir este vídeo do canal Casal Alencar, com mais de 309 mil visualizações, onde Bruna e Adriano mostram um roteiro completo de 3 dias.
Quais regras a cidade criou para os passeios náuticos?
Capitólio organizou a atividade por lei própria. Conforme a Prefeitura de Capitólio, a Lei Municipal nº 11, de 20 de julho de 2017, exige cadastro anual das embarcações de turismo náutico de empresas legalmente constituídas, e cada barco vistoriado recebe um selo emitido pelo município.
O controle ficou mais rígido depois do desprendimento de um paredão que atingiu quatro lanchas em janeiro de 2022. Segundo a Agência Brasil, a reabertura veio acompanhada de distância mínima obrigatória entre embarcações e rochas, limites por trecho do percurso e uma equipe de geólogos contratada para avaliar diariamente a estabilidade dos blocos de pedra.

Como o clima de Capitólio se comporta ao longo do ano?
A diferença entre as estações é uma das mais marcadas do interior mineiro. Dezembro tem média mensal de 280 mm de chuva, contra apenas 14 mm em agosto, conforme séries do Climatempo, o que explica por que o lago muda de cara ao longo do ano e por que o inverno virou alta temporada para os passeios de barco.
Veja abaixo como cada estação costuma se comportar no município:
Temperaturas aproximadas. As condições mudam de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale conferir a previsão atualizada no Climatempo.
A cidade que aprendeu a viver do mar de Minas
Poucos municípios brasileiros tiveram a paisagem redesenhada por uma obra de engenharia e conseguiram transformar isso em economia própria. Em Capitólio, o mesmo lago que cobriu fazendas hoje sustenta pousadas, marinas, restaurantes e uma frota inteira de embarcações.
Você precisa reservar alguns dias para navegar entre os paredões, ver a água mudar de cor conforme o sol e entender por que essa cidade virou sinônimo de mar doce em Minas.




