A primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026 será aplicada em 8 de novembro, e os candidatos precisam se preparar para administrar o tempo ao longo do exame. Durante cinco horas e meia de prova, o estudante tem de pensar estrategicamente para resolver 90 questões objetivas e uma redação no primeiro dia. Especialistas apontam a necessidade de evitar que perguntas difíceis consumam os minutos destinados a outras que o estudante conseguiria resolver. Saber quando insistir, avançar ou retomar uma questão pode fazer diferença no resultado.

Para Pedro Gesteira, fundador da AMentoria, plataforma de acompanhamento individual para vestibulandos, o ideal é chegar ao exame com um plano mental bem definido para distribuir o tempo e lidar com os imprevistos. O especialista reúne seis orientações para ajudar os candidatos a administrarem o relógio e evitar deixar questões em branco.

1. Comece pela redação e estabeleça um limite de tempo

A recomendação de Pedro é começar o primeiro dia do Enem pela redação, que exige planejamento, organização dos argumentos e construção de um texto coerente. Deixar essa etapa para o final pode ser desgastante, já que o candidato terá passado horas lendo e interpretando textos nas questões de Linguagens e Ciências Humanas.

“Eu recomendo reservar cerca de uma hora para a redação, chegando ao limite de uma hora e vinte minutos. Esse tempo deve incluir o planejamento das ideias, a escrita do rascunho e a transcrição para a folha definitiva. Começar por ela também permite aproveitar o início da prova, quando o estudante tende a estar menos cansado para organizar o raciocínio e desenvolver os argumentos”, orienta.

2. Estabeleça um ritmo para resolver as questões

O tempo disponível para cada pergunta depende da duração total da prova e das outras tarefas que precisam ser concluídas. Estabelecer metas intermediárias ajuda a perceber atrasos antes que eles comprometam o restante do exame.

“Durante os simulados, o estudante já observou quanto tempo costuma levar para resolver cada bloco e identificar em quais áreas precisa acelerar ou ter mais cuidado. Esse treino ajuda a reconhecer o próprio ritmo e a chegar à prova com uma referência realista de tempo para cada etapa”, informa Pedro.

3. Travou em uma questão? Siga em frente e volte depois

Uma questão difícil pode consumir vários minutos sem garantir que o candidato chegue à resposta. Quando não souber como avançar ou perceber que está repetindo o mesmo raciocínio sem progresso, Pedro recomenda marcar a questão com um asterisco e voltar a ela depois de resolver as demais. A estratégia evita que um único item comprometa o tempo de questões que poderiam ser respondidas com mais facilidade.

“Não vale a pena insistir indefinidamente em uma pergunta só porque você já gastou muito tempo nela. Se não encontrou um caminho para resolver, marque a questão e avance. Depois de concluir as que consegue responder, você pode voltar com mais tempo e uma visão melhor do que ainda falta”, explica o fundador da AMentoria.

4. Use a eliminação em Humanas, mas mude de estratégia em Exatas

Nas questões de Ciências Humanas, Linguagens e outras áreas com forte componente interpretativo, identificar o que o enunciado pede e eliminar alternativas incompatíveis com o texto ou com o contexto histórico pode ajudar a encontrar a resposta. Em Matemática e Ciências da Natureza, a estratégia também pode ser útil, mas costuma exigir uma análise diferente: estimar resultados, verificar unidades, recuperar fórmulas pertinentes e eliminar alternativas incompatíveis com os dados do problema.

“Em Humanas, muitas vezes o próprio texto oferece pistas para descartar três das cinco alternativas que extrapolam o que foi apresentado ou contradizem o contexto. Em Exatas, quando a resolução completa não aparece de imediato, vale identificar os dados fornecidos, conferir o que a questão pede e testar se as alternativas fazem sentido. O importante é não ficar preso a um único caminho de resolução”, afirma.

5. Reserve tempo para o cartão-resposta e não deixe o preenchimento para o último minuto

O cartão-resposta precisa entrar no planejamento desde o início. Deixar todas as marcações para os minutos finais aumenta o risco de preencher a alternativa errada na correria, pular uma linha ou não conseguir transferir todas as respostas. O candidato pode escolher entre preencher o cartão gradualmente, em blocos, ou reservar momentos específicos para essa tarefa, desde que acompanhe o tempo e não deixe a decisão para o fim.

“Cada estudante pode encontrar uma forma diferente de organizar o preenchimento, mas é fundamental testar essa estratégia nos simulados. O cartão-resposta exige máxima atenção e precisa ter um espaço garantido no cronograma. Não adianta conseguir resolver as questões e descobrir, nos últimos minutos, que falta transferir muitas respostas”, alerta.

6. Se o tempo estiver acabando, priorize o que ainda é possível fazer

Quando faltarem poucos minutos e ainda houver questões sem resposta, o candidato deve evitar o desespero e agir de acordo com as possibilades. Se houver itens que consegue resolver rapidamente (com textos menores ou que exigem menos cálculos), pode começar por eles. Nas questões em que não encontrar uma solução completa, vale novamente usar as informações do enunciado e a eliminação de alternativas para tentar chegar a uma resposta. Como não há desconto por erro nas questões objetivas do Enem, deixar um item em branco não oferece vantagem em relação a marcar uma alternativa.

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“Quando o relógio estiver acabando, o pior caminho é entrar em pânico e perder os minutos que ainda restam. O estudante precisa avaliar o que consegue resolver, retomar as questões pendentes e garantir que todas as respostas sejam transferidas para o cartão. A prova também exige tomada de decisão sob pressão, e isso também é treinado nos simulados”, conclui Pedro.


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