Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas
Depois de 15 anos de atuação no fortalecimento da democracia, da justiça social e da igualdade, a organização sem fins lucrativos NOSSAS passa a se chamar BONDE. A mudança de nome acompanha uma ampliação da estratégia da organização, que além de seguir impulsionando campanhas de mobilização sociopolítico-econômica, passa a investir também na formação contínua de pessoas interessadas em entender as novas dinâmicas da sociedade. Para acessar a plataforma acesse o site BONDE.
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O lançamento ocorreu neste mês de julho em evento apresentado por Talita Novacoski e Roberto Andrés, codiretores-executivos do BONDE. Eles lançaram a primeira aula, “Encarar o fim de mundos com coragem e rebeldia”, do líder indígena, filósofo e membro da Academia Brasileira de Letras, Ailton Krenak.
Criado no Rio de Janeiro e hoje com atuação em todo o território nacional, o NOSSAS se consolidou como uma das principais organizações brasileiras de mobilização social. Ao longo de sua trajetória, reuniu mais de 5 milhões de pessoas em campanhas que contribuíram para mais de 190 mudanças em políticas públicas.
Entre as iniciativas de maior repercussão estão Amazônia de Pé, pela proteção da floresta e dos povos amazônicos; Fim da Escala 6x1, em parceria com o movimento VAT, por mais dignidade no âmbito do trabalho; Sem Anistia para Golpista, para impedir anistia aos envolvidos nos ataques contra a democracia brasileira; Ministra Negra no STF, pela defesa de um Supremo Tribunal Federal mais diverso; a Renda Básica que Queremos pela implementação do auxílio emergencial; PL da Devastação, contra retrocessos ambientais na legislação; Taxa os Bi, pela taxação dos bilionários para financiamento de ações climáticas com redução das desigualdades; Criança não é mãe, pela proteção das crianças e adolescentes contra a gravidez forçada; RJ não é Disney, por ações de adaptação climática no estado do Rio de Janeiro; Cadê meu absorvente?, pela aprovação de políticas de combate à pobreza menstrual; o Tira o Pé da Minha Serra, em defesa da Serra do Curral, em Belo Horizonte, que está em constante ameaça de mineração; e o Passe Livre pela Democracia, que conquistou a gratuidade do transporte nas eleições de 2022.
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A mudança para BONDE reflete uma nova etapa da organização. Inspirado no significado popular da palavra — bonde, grupo de pessoas (ou “galera”) que anda junto —, o novo nome reforça a ideia de que grandes transformações acontecem coletivamente.
“O NOSSAS nasceu para mostrar que pessoas organizadas conseguem mudar políticas públicas e transformar a realidade. Quinze anos depois, percebemos que os desafios também mudaram. O BONDE representa esse novo momento: além de mobilizar as pessoas para agir, queremos fortalecer uma comunidade que troca conhecimento, aprende e age coletivamente”, afirma Talita Novacoski.
Segundo ela, a proposta é oferecer à população acesso direto a pessoas que já estão construindo mudanças concretas em diferentes áreas. “A plataforma nasce para aproximar quem quer agir de quem já está fazendo. Aprender com experiências reais é uma forma de ampliar o impacto coletivo e fortalecer o ativismo no Brasil”, diz.
Por isso, Ailton Krenak foi escolhido para o curso inaugural da plataforma. Nascido em 1953, no Vale do Rio Doce, território do povo Krenak, ele é um dos principais líderes indígenas do país e uma das vozes mais influentes na defesa dos direitos dos povos originários e da preservação ambiental. Sua atuação foi decisiva para a conquista do capítulo dos direitos indígenas na Constituição de 1988 e, em 2023, tornou-se o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.
No curso “Encarar o fim de mundos com coragem e rebeldia”, Krenak propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos e a necessidade de imaginar outros caminhos para o futuro. “Por que os seres humanos acham que podem comer a Terra?”, questiona Ailton Krenak. “Na minha juventude, eu despertei cedo para a necessidade de imaginar outros mundos porque o meu mundo estava sendo predado. Como você sonha o mundo? Assim você incide no mundo”, defende o líder indígena.
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Para Roberto Andrés, a formação amplia as possibilidades de participação social na solução dos problemas que o mundo enfrenta. “O BONDE acredita na mobilização como ferramenta de transformação, mas entendemos que fortalecer as pessoas também passa por compartilhar conhecimento. Queremos conectar experiências, repertórios e estratégias para que mais gente possa atuar em suas comunidades e enfrentar desafios como desigualdade, crise climática e direito à cidade”, reforça.
