Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas
O transporte público ainda faz parte do radar da Geração Z, mas precisa acompanhar os hábitos digitais dos jovens para se manter competitivo. Acostumado a resolver pagamentos, compras, entretenimento e pedidos de comida pelo celular, esse público passou a esperar de ônibus, metrôs e outros modais coletivos a mesma praticidade encontrada em aplicativos e serviços digitais. Um levantamento global da Ipsos, feito em 31 países, incluindo o Brasil, mostra que os jovens são a faixa etária mais propensa a gostar do transporte público. Segundo a pesquisa, 22% dos entrevistados da Geração Z apontam o coletivo como seu meio de transporte preferido. O índice cai para 15% entre millennials, 16% na Geração X e 14% entre baby boomers.
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Apesar da boa percepção entre os mais jovens, a pesquisa também mostra um desafio para operadores e gestores públicos. Embora 62% dos entrevistados considerem o transporte público acessível e seguro, apenas 25% o utilizam como principal meio de deslocamento. Na avaliação de João Valle, diretor da Empresa 1, centro de inovação em mobilidade urbana, o problema está menos ligado ao transporte coletivo em si e mais à experiência oferecida ao passageiro.
“A nova geração não compara a experiência do transporte público apenas entre modais. Ela compara com tudo o que usa no dia a dia. Se consegue pedir comida, fazer um pagamento ou contratar um serviço em poucos segundos pelo celular, espera o mesmo nível de simplicidade para embarcar em um ônibus”, afirma.
A diferença entre expectativa e uso aparece em situações comuns do deslocamento diário. Filas para recarga, necessidade de múltiplos cartões, falta de informação em tempo real e dificuldade para planejar trajetos tornam o transporte coletivo menos competitivo diante de alternativas percebidas como mais simples, como carros por aplicativo.
Para Valle, a digitalização do serviço aparece, nesse contexto, como uma das principais frentes para aproximar o transporte público dos hábitos dos jovens. Entre as soluções estão pagamento por aproximação, recarga instantânea, consulta de saldo em tempo real, informações atualizadas sobre horários e integração entre linhas, tudo acessível pelo smartphone. “Os dados confirmam que essa é uma geração altamente conectada, acostumada a aprender, resolver problemas e tomar decisões por meio de plataformas digitais”, comenta.
O perfil digital da Geração Z também aparece em pesquisas sobre trabalho e comportamento. Dados da Deloitte mostram que 70% dos brasileiros dessa faixa etária usam ferramentas de inteligência artificial no trabalho, enquanto 45% pretendem fazer treinamento em IA nos próximos 12 meses.
Além da conveniência, custo e sustentabilidade também pesam na relação dos jovens com o transporte coletivo. De acordo com a Ipsos, a Geração Z lidera a disposição para optar pelo transporte público por razões ambientais em escala global: 48% afirmam que fariam essa escolha, acima dos 42% registrados entre os baby boomers.
No Brasil, segundo a Deloitte, 81% da Geração Z sente preocupação ou ansiedade em relação aos impactos ambientais e 72% está disposta a pagar mais por produtos e serviços sustentáveis. Ao mesmo tempo, o custo de vida aparece como a principal preocupação desse grupo, citado por 34% dos entrevistados.
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“A preocupação com o custo de vida e com a sustentabilidade coloca o transporte coletivo em uma posição estratégica. Quando bem estruturado, ele oferece uma alternativa mais econômica e mais acessível do que o transporte individual”, diz o diretor da Empresa 1.
