Formação em gestão de negócios e rede de apoio impulsiona renda de mulheres
Projeto "Olho no Olho" leva formação gratuita e online para todo o Brasil; 91% são mulheres
compartilhe
SIGA
Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas
O projeto social “Olho no Olho” tem ampliado a renda e a autonomia de mulheres empreendedoras em todo o Brasil ao combinar formação gratuita em gestão de negócios com rede de apoio aos participantes. Desde 2019, a iniciativa já atendeu 324 empreendedores (91% mulheres), e impactou direta e indiretamente mais de 740 pessoas que compõem a base familiar dos participantes, muitas delas responsáveis pelo sustento da família, em um contexto em que empreender surge mais por necessidade do que por escolha, especialmente entre mães.
Leia Mais
A proposta dialoga com o avanço do empreendedorismo feminino no país, que cresceu 27% na última década, segundo levantamento do Sebrae, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua). Esse avanço foi significativamente superior ao observado entre os homens, com uma diferença de 16 pontos percentuais no mesmo período.
E, ainda, vai ao encontro da realidade de mulheres que encontram no próprio negócio uma alternativa diante das dificuldades de inserção no mercado formal. No “Olho no Olho”, além da capacitação, o apoio coletivo tem papel central: 31% das participantes afirmam já conseguir se sustentar integralmente com seus empreendimentos.
Grande parte dessas mulheres também concilia a rotina de trabalho com o cuidado dos filhos — realidade de 67% das empreendedoras brasileiras, ainda de acordo com o Sebrae — o que reforça a importância de iniciativas flexíveis e acessíveis. Para participar do projeto, as interessadas devem acompanhar a abertura de novas turmas pelas redes sociais da iniciativa: @projetoolhonoolho.
“A principal motivação delas é a necessidade de cuidar da prole. Este cenário também é observado em nossas turmas, a maioria das empreendedoras também são mães e até mesmo precisam incluir seus filhos nas rotinas das aulas”, afirma Isabela Viana, uma das fundadoras do projeto. Segundo ela, “além de incentivar o empreendedorismo, o projeto reforça a necessidade de estruturar pequenos negócios para que deixem de ser apenas uma forma de sobrevivência e se tornem caminhos sustentáveis de crescimento e independência financeira”.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A aluna Cirlene Aparecida Oliveira Santos, empreende no Ateliê Cirlene Oliveira e participa Coletivo Recanto da Arte. “O curso contribuiu profundamente para o meu amadurecimento enquanto empreendedora e mulher. Passei a abraçar com mais determinação, coragem, ação e propósito a minha caminhada como artesã, alinhada à costura criativa, à economia circular e às ações sociais", conta. Para Cirlene, a rede de apoio também é diferencial quando o assunto é autonomia. “O mais importante, que eu sempre acreditei e valorizo, é ter uma rede de apoio, não precisamos e nem devemos caminhar sozinhos. Estar com o "Olho no Olho" e com outras redes de apoio é o que me permitiu chegar até aqui onde estou e continuar essa minha caminhada com propósito, realização e feliz", afirma.