SETEMBRO

Intenção de consumo das famílias em BH melhora, mas ainda é insuficiente

Mesmo com uma expectativa positiva quanto à confiança no emprego atual e na renda, nível de consumo é baixo. No entanto, perspectiva de consumo para o final do ano é favorável

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Apesar dos sucessivos crescimentos desde julho, a confiança do consumidor de Belo Horizonte quanto à intenção de compra ainda é baixa. De acordo com a pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), analisada pela Fecomércio MG (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,4 ponto percentual em agosto, em relação ao mês anterior, alcançando 86,4 pontos. 

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O número é tímido, visto que só a partir dos 100 pontos essa intenção de consumir é considerada satisfatória. “Há uma melhora gradual na percepção das famílias, especialmente em relação à renda e às expectativas para os próximos meses. No entanto, o consumo corrente permanece mais contido, mostrando que esse ganho de confiança ainda não se converteu integralmente em compras”, avalia Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG.

A pesquisa indica avanços na expectativa do consumidor da capital quanto às perspectivas de emprego e renda. O indicador de confiança no emprego atual marcou 105,3 pontos, uma queda de 0,3 pontos em relação ao observado em agosto (105,6), mas 5,7 pontos acima do resultado registrado em setembro de 2025. 



Ao todo, 29,1% dos entrevistados afirmaram se sentir mais seguros no trabalho atual do que no mesmo período do ano passado, enquanto 23,8% se disseram menos seguros e 44,5% relataram que a impressão é a mesma.

Outro componente do ICF que está satisfatório é a percepção sobre a renda atual, que em setembro alcançou  103,7 pontos, acima dos 102,5 registrados no mês anterior e superior aos 99,6 pontos observados no mesmo período de 2025.

Na comparação da renda familiar com o mesmo período do ano passado, 28,4% disseram que o índice melhorou, 24,7% que está pior e 46,8% que está igual.

Na visão de Gabriela Martins, esses dois fatores ajudam a explicar por que a intenção de consumo conseguiu avançar mesmo em um ambiente ainda marcado pela prudência. “Emprego e renda são elementos centrais na decisão de consumo das famílias. Quando há maior percepção de estabilidade nesses dois aspectos, cria-se uma base mais favorável para o consumo. O que observamos, contudo, é que o consumidor ainda está selecionando melhor suas compras e evitando compromissos financeiros maiores”, explica a economista. 




Já a perspectiva profissional é menos alentadora. Entre os entrevistados, 56,1% não enxergam uma melhoria profissional nos próximos seis meses, enquanto 37,1% acreditam que isso é possível.

O índice geral de perspectiva profissional é de 81,6 pontos, 0,8 ponto superior ao obtido na última análise (80,8), mas 11,5 pontos inferior em relação ao ano passado (93,1).


Comportamento de compra


A cautela no comportamento de compra atual em Belo Horizonte fica evidente com o indicador de nível de consumo, que caiu de 65,5, em agosto, para 64,6 pontos. Aqui, 54,2% dos consumidores disseram que estão consumindo menos do que no ano passado, enquanto 18,8% alegam que estão comprando mais.

A impressão quanto ao acesso ao crédito aumentou 3 pontos em setembro, alcançando 92,8 pontos, mas ainda é insatisfatório. Ao todo, 37% dos consumidores avaliam que está mais difícil conseguir empréstimo ou crédito para compras a prazo do que no ano passado.

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Já as expectativas de consumo para os próximos meses são mais otimistas. O índice de perspectiva de consumo chegou a 105,1 pontos, com alta de 1,7 ponto em relação a agosto.

Entre os entrevistados, 38,5% esperam consumir mais nos próximos meses do que no mesmo período do ano passado. Outros 27,7% acreditam que o consumo permanecerá no mesmo nível e 33,4% que será inferior.

“O consumidor demonstra expectativa de uma condição um pouco melhor adiante. Esse comportamento é relevante para o comércio, especialmente porque a reta final do ano tradicionalmente concentra datas importantes para o varejo. Ainda assim, essa expectativa deve ser analisada junto à capacidade efetiva de compra das famílias”, destaca a economista da Fecomércio MG.

No entanto, existe uma resistência nas compras que exigem desembolsos mais elevados. O indicador que mede o momento para aquisição de bens duráveis caiu de 54,4 para 51,9 pontos.

Para 73,9% dos entrevistados, este é um mau momento para comprar itens como eletrodomésticos e outros bens de maior valor. Apenas 25,7% consideram o momento favorável.

A pesquisa também mostra que existem grandes diferenças entre as faixas de renda. Nas famílias com renda superior a dez salários mínimos, o índice de renda atual chega a 117,9 pontos, contra 101,5 entre aquelas com renda de até dez salários mínimos. Já na segurança quanto ao emprego atual, os indicadores são de 110,5 e 104,5 pontos, respectivamente.

“A pesquisa mostra que a recuperação da confiança não ocorre de maneira uniforme. Famílias de maior renda apresentam uma situação relativamente mais confortável em alguns componentes, enquanto os consumidores de menor renda continuam mais expostos às restrições do orçamento. Isso ajuda a explicar por que a melhora do indicador geral ainda acontece de forma gradual”, conclui Gabriela Martins.


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