OPERAÇÃO SEM DESCONTO

Como funcionam os descontos consignativos e quando são ilegais

Entenda as regras para desconto em folha de aposentados, diferenças entre lícito e fraude; saiba como se proteger

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A prisão do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, ocorrida nesta quarta-feira (12/8) em Brasília, após se entregar à Polícia Federal, acendeu um alerta sobre a segurança dos descontos consignativos.

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Foragido desde novembro de 2025, Lopes é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que revelou um esquema que teria descontado indevidamente bilhões de pensões e aposentadorias de mais de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O caso expõe a vulnerabilidade de milhares de segurados a fraudes que corroem a renda mensal. Entender como essa modalidade de crédito funciona e quais são as regras é o primeiro passo para se proteger de cobranças abusivas ou ilegais que podem comprometer o orçamento familiar.

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Como funciona o desconto consignativo?

O desconto consignativo é uma modalidade de crédito em que as parcelas de um empréstimo ou o pagamento de um serviço são deduzidas diretamente do salário ou do benefício previdenciário. A principal característica é o débito automático antes mesmo do valor ser liberado ao titular.

Por oferecer baixo risco de inadimplência para as instituições financeiras, essa modalidade geralmente possui taxas de juros mais atrativas. No entanto, a facilidade na contratação também abre brechas para a atuação de golpistas e para a inclusão de descontos não autorizados, como os investigados pela Polícia Federal.

Quais são as regras para o desconto ser legal?

Para que um desconto em folha seja considerado legal, ele precisa seguir critérios rigorosos definidos por lei. A ausência de qualquer um desses requisitos pode caracterizar a cobrança como indevida ou fraudulenta. As principais regras são:

  • Autorização expressa: o desconto só pode ser efetuado com a permissão formal do titular do benefício. Essa autorização precisa ser clara, por escrito ou por meio digital seguro, especificando a finalidade e o valor do débito.

  • Limite da margem consignável: os descontos não podem ultrapassar 45% do valor total do benefício. Essa margem é dividida em 35% para empréstimos consignados, 5% para cartão de crédito consignado e 5% para o cartão consignado de benefício.

  • Contrato claro: a instituição financeira ou associação deve fornecer um contrato com todas as informações detalhadas, incluindo taxa de juros, Custo Efetivo Total (CET), prazo de pagamento e valor das parcelas.

Como saber se um desconto é indevido?

O primeiro passo é monitorar o extrato de pagamento do benefício, disponível no aplicativo ou site Meu INSS. Verifique a seção "Extrato de Empréstimo Consignado" e confira se há débitos em nome de associações, sindicatos ou instituições financeiras que você não reconhece. Fique atento a nomes desconhecidos ou valores que não correspondam a nenhuma contratação realizada.

O que fazer em caso de fraude?

  1. Bloqueio no Meu INSS: acesse o portal Meu INSS e utilize a opção para bloquear o benefício para novos empréstimos. Isso impede que novas contratações fraudulentas sejam feitas em seu nome.

  2. Registre uma reclamação: formalize uma queixa na plataforma Consumidor.gov.br ou entre em contato com a ouvidoria do INSS pela Central 135.

  3. Procure a instituição: entre em contato com o banco ou a associação que está realizando o desconto para solicitar o cancelamento imediato da cobrança e o estorno dos valores já debitados.

  4. Boletim de ocorrência: registre um boletim de ocorrência na polícia, relatando a fraude. O documento é importante para comprovar o crime e resguardar seus direitos.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria

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