NEGÓCIOS

Consumo recua e varejo fecha pior semestre desde a pandemia

Índice Cielo do Varejo Ampliado aponta retração de 2,2% no primeiro semestre de 2026; inflação de alimentos e habitação deixa o consumidor mais defensivo

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O comércio varejista brasileiro voltou a registrar resultados negativos no fim do primeiro semestre. Mesmo com a movimentação gerada pela Copa do Mundo e pelas festas juninas, as vendas apresentaram o pior desempenho para o período desde a crise sanitária da pandemia de COVID-19. Conforme o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), o recuo real nas vendas ficou em 2,8% em junho, quando comparado ao mesmo mês de 2025.

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A retração de junho dá sequência a um cenário que já vinha se desenhando no mês anterior. Em maio, o comércio brasileiro já havia enfrentado uma queda real de 3,4%, que também se consolidou como o pior resultado para o período desde 2020. A série histórica do indicador aponta que, desde o fechamento total das lojas físicas decorrente do coronavírus, o setor não passava por um encolhimento tão expressivo.

No acumulado dos primeiros seis meses de 2026, o desempenho do varejo consolidou uma queda real de 2,2%. O resultado aponta para um agravamento da situação econômica do setor, visto que, no primeiro semestre de 2025, o índice havia demonstrado um recuo menor, de 0,7%. Os dados revelam que o consumo perdeu tração na comparação com qualquer outro semestre fechado após o período da pandemia.

De acordo com a análise do vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves, o cenário atual reflete diretamente as dificuldades financeiras da população. 

"Em síntese, os números do semestre reforçam um quadro de enfraquecimento real do consumo, com perda de tração frente a qualquer semestre desde a pandemia. Isso mostra que a renda do brasileiro está pressionada pela inflação e os efeitos são sentidos pelo varejo"

Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo

O comportamento do consumidor em junho ocorreu sob o impacto de uma inflação persistente em despesas cotidianas e essenciais. O IPCA-15 registrou alta de 0,41% no mês e acumulou uma variação positiva de 4,8% no período de 12 meses. Os principais grupos responsáveis pela pressão inflacionária foram habitação e alimentação e bebidas, fatores que induziram os compradores a adotarem uma postura mais defensiva.

A recomposição seletiva dos gastos fez com que categorias de maior necessidade básica mostrassem resiliência. Carlos Alves avalia que "itens essenciais apresentam maior resiliência, enquanto categorias mais discricionárias, especialmente ligadas a serviços, lazer e mobilidade, seguem mais sensíveis ao orçamento das famílias". Em junho, o macrossetor de Serviços foi o mais afetado, com tombo real de 9,1%, enquanto Bens duráveis e semiduráveis caíram 3,4%, e Bens não duráveis recuaram 0,1%.

A retração no comércio atingiu todas as cinco regiões do território nacional no mês de junho. O Sudeste liderou as perdas com uma queda de 4,5%, seguido pelo Centro-Oeste com recuo de 2,6% e pelo Nordeste com baixa de 1,4%. O Sul registrou diminuição de 1% e o Norte teve a menor oscilação negativa, com 0,3%. Na divisão por estados, Acre (3,7%) e Rondônia (2,7%) lideraram as altas, enquanto São Paulo (-6,1%) e Amazonas (-4,1%) apresentaram os piores resultados.

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Por outro lado, o comércio eletrônico continuou a se destacar de forma positiva em relação aos estabelecimentos físicos. As vendas por e-commerce cresceram 9,2% em termos nominais, que desconsideram o ajuste da inflação, enquanto o varejo físico subiu apenas 1% sob o mesmo critério. O avanço digital indica que a busca por conveniência e ferramentas de comparação de preços virou alternativa para os orçamentos apertados, além de compras associadas ao consumo doméstico durante a Copa do Mundo.

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