SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio no Brasil) afirmou nesta terça-feira (2/6) que o relatório preliminar do governo dos Estados Unidos que recomenda tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros deixa aberta uma janela de negociação que poderá evitar a adoção das medidas, por reconhecer avanços em algumas áreas. O novo tarifaço traz uma lista de exceções, com produtos dos quais os EUA dependem, como suco de laranja e carnes.

Segundo a Amcham, o documento divulgado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) destaca o diálogo intensificado nas últimas semanas após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, realizado em 7 de maio, e sinaliza interesse na continuidade das negociações até a decisão final, prevista para 15 de julho.

 


Em nota, a câmara de comércio afirmou que, caso sejam confirmadas, as tarifas adicionais elevarão custos, reduzirão a competitividade e criarão obstáculos ao comércio e aos investimentos entre os dois países.

"O relatório não é final e reforça que ainda há tempo para evitar a adoção de novas tarifas. O setor empresarial espera que os dois governos intensifiquem seus esforços nas próximas semanas e alcancem uma solução que enderece as questões em discussão", disse Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

A entidade afirmou ainda que acompanha a expectativa pela divulgação de um segundo relatório de investigação comercial conduzido pelos Estados Unidos, relacionado à importação de produtos elaborados com trabalho forçado. Segundo a Amcham, o processo poderá resultar em novas tarifas para cerca de 60 países, incluindo o Brasil.

A decisão do governo americano vem após uma investigação contra supostas práticas comerciais injustas do Brasil, incluindo o Pix e a rua 25 de Março.

Segundo os EUA, o Banco Central brasileiro favorece seu serviço de pagamento instantâneo de forma injusta e discriminatória em relação a outros meios, como as empresas de cartão de crédito americanas.

O documento também aponta falha em combater a importação, distribuição, venda e uso generalizados de produtos falsificados, e cita a rua 25 de Março como exemplo do volume de falsificações.

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Agora, o USTR vai abrir uma consulta para que o setor privado comente os resultados antes da elaboração do relatório definitivo, que precisa ser publicado até 15 de julho.

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