65,2% das famílias de BH têm ao menos uma conta em atraso
Pesquisa revela ainda que as famílias da capital recorrem cada vez mais ao cartão de crédito para equilibrar o orçamento
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Cerca de 65% dos consumidores de Belo Horizonte terminaram o mês de abril com ao menos uma conta em atraso, aponta pesquisa divulgada nesta segunda-feira (15/6) pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG). Trata-se de um crescimento de 2,1 pontos percentuais na comparação com o mês anterior e o maior índice registrado desde julho de 2025.
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Entre os consumidores com contas em atraso, 46,5% acumulam débitos há mais de 90 dias, sendo que o tempo médio de atraso alcançou 62,9 dias. “O avanço da inadimplência indica que parte das famílias já esgotou a capacidade de absorver despesas adicionais no orçamento. Isso exige atenção, principalmente diante da necessidade de renegociar débitos antes que os juros ampliem ainda mais o comprometimento da renda”, observa Gabriela Martins.
A mesma Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) mostra que 88,6% dos consumidores da capital mineira possuem alguma dívida. O estudo ainda apurou e comparou o endividamento entre diferentes faixas de renda. Entre as famílias com rendimento de até 10 salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 89,7%, enquanto entre aquelas com renda superior a 10 salários mínimos o índice foi de 81,8%.
Cada vez mais as famílias recorrem ao cartão de crédito para equilibrar o orçamento. Cerca de 97% dos consumidores possuem dívidas nessa modalidade de pagamento, seguida pelos carnês de lojas (29,3%), o crédito pessoal (10,1%), o financiamento de veículos (9,7%) e o crédito consignado (4,3%).
De acordo com Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, a predominância do cartão exige atenção redobrada dos consumidores. “O cartão de crédito é um instrumento importante de conveniência e gestão financeira, mas seu uso sem planejamento pode comprometer rapidamente a renda familiar. Em um ambiente de juros elevados, o crédito rotativo continua sendo uma das modalidades mais caras do mercado, tornando essencial o acompanhamento constante das despesas”, explica.
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A pesquisa revela que esse endividamento tende a ser prolongado. Na capital, 78,5% dos consumidores possuem compromissos financeiros com prazo igual ou superior a três meses, sendo que o tempo médio de comprometimento da renda é de oito meses.
O comprometimento médio da renda familiar para pagar dívidas está em 32,6%. No entanto, 81,4% dos consumidores de Belo Horizonte destinam mais de 10% da renda mensal ao pagamento de dívidas, sendo que 51,2% reservam entre 11% e 50% orçamento para honrar dívidas e em 30,2% dos casos o comprometimento já supera metade do orçamento familiar
Segundo a economista da Fecomércio MG, o cenário reflete um equilíbrio delicado entre consumo e capacidade de pagamento. “Mesmo com o mercado de trabalho apresentando sinais positivos, o orçamento das famílias ainda enfrenta pressão. O crédito continua sendo utilizado como ferramenta para manter o padrão de consumo e acomodar despesas correntes, mas o crescimento das contas em atraso demonstra que parte dos consumidores já encontra dificuldades para administrar esses compromissos”, avalia.
Entre os participantes da pesquisa, 40,1% se consideram pouco endividados, enquanto 28,3% afirmam estar mais ou menos endividados e 20,2% se classificam como muito endividados.
Outro indicador que chama atenção é o aumento do percentual de consumidores que acreditam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso no próximo mês. Em maio, esse grupo representou 26,6% dos entrevistados, acima do registrado no mês anterior.