A ascensão da economia criativa no Brasil tem encontrado novos caminhos ao unir narrativa, design e processos manuais para criar produtos de alto valor agregado. Um exemplo desse movimento nasce em Minas Gerais com o Detective Night. Idealizada por fundadores mineiros, a produção do jogo de investigação que simula um arquivo policial real exige rigor técnico e cuidado artesanal.
Na sede da empresa, em Belo Horizonte, o processo de montagem dos casos ocorre de forma manual para assegurar que nenhum item essencial falte ao investigador. A marca foca na criação de uma experiência que substitui o entretenimento passivo pelo papel ativo de um detetive.
Edu Maia, um dos fundadores da marca, explica que cada passo do processo importa para que a imersão funcione. A montagem é feita de forma artesanal justamente para evitar erros que estraguem o jogo. "Você está recebendo um arquivo policial na sua casa e não pode estar faltando nada. Se faltar uma pista, a investigação fica prejudicada", afirma Maia. Como o envio é feito para todo o Brasil, o sócio afirma que a conferência unidade por unidade é o que garante o padrão de qualidade.
Leia Mais
Dentro de cada caixa existe um ecossistema de pistas que mistura o físico com o digital. O jogador encontra fotos, laudos periciais, exames cadavéricos e depoimentos. Maia reforça que o sistema é focado em lógica e eliminação, sem depender da sorte de dados. "O intuito é que todo mundo consiga investigar de fato o que aconteceu. É preciso juntar as peças para descobrir quem teve a oportunidade, o meio e o motivo", pontua.
Negócio
O modelo de negócio do ‘Detective Night’ se destaca ao transformar insumos simples, vindos de gráficas parceiras, em uma experiência transmídia que movimenta o mercado de lazer doméstico. Ver de perto como esses casos são montados revela a complexidade por trás de sucessos como João Picadinho e Bárbara Vieira.
A triagem dos documentos mostra que o jogo é, na verdade, um evento para reunir pessoas. Para Maia, o produto compete com o tempo que passamos olhando para telas. "Nosso maior concorrente é a Netflix. A ideia é que você saia da rotina e faça a série na sua própria casa", explica o empresário.
Essa visão de transformar o entretenimento passivo em uma atividade prática foi detalhada pelos fundadores em outro episódio do podcast do Glitch Clube. Eles destacaram que o público busca cada vez mais tempo de qualidade com amigos e família. O processo de montagem manual é o que sustenta essa proposta, entregando um material que parece ter saído diretamente de uma mesa de perícia.
Suporte
Para manter o mistério funcionando, a equipe comenta que oferece suporte direto via redes sociais para tirar dúvidas sobre as mecânicas. Além de conferir se o arquivo chegou intacto, os desenvolvedores dizem que também ajudam quem "trava" em algum ponto da investigação. Para Edu, a montagem manual é o que permite que cada teoria do crime seja construída com provas que o jogador pode realmente tocar.
Conheça o Glitch Clube
O Glitch Clube é um podcast que mistura informação e entretenimento em bate-papos sobre tecnologia, games, cultura pop e inovação. O programa busca aproximar o público das transformações do mundo digital e das histórias por trás dos criadores. Os episódios estão disponíveis no canal do YouTube do Portal Uai e no Spotify, com conteúdos extras no Instagram oficial.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
