LGBT

BH: espetáculo "Hétero Sigilo" usa alívio cômico para falar sobre homofobia

Peça nasceu a partir de caso de preconceito cometido por um padre. Monólogo fica em cartaz de hoje a domingo (16/8)

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Engrossa a voz, não senta desse jeito, que tal jogar futebol? Frases como essas infelizmente não soam estranhas a quem tem a sexualidade fora da norma vigente. Aos meninos gays, são constantes. A maioria da população LGBT+ aprende a seguir a vida enfrentando esse preconceito, mas Bernardo Dugin foi além e conseguiu transformar esse percalço em arte.

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É de autoria dele a peça “Hétero Sigilo”, que faz curta temporada em BH a partir desta sexta-feira (14/8, às 20h), no Teatro da Assembleia. O monólogo também tem sessões no sábado (20h) e domingo (18h). A direção é de João Fonseca, que dirigiu o espetáculo “Minha Mãe é Uma Peça”, de Paulo Gustavo.

“Comecei a revisitar minhas memórias de uma criança que teve que apagar sua essência para se integrar ao mundo heteronormativo”, resume Bernardo sobre o processo criativo da montagem, que mescla momentos autobiográficos com referências de outros cantos. Desta forma, o espetáculo relata a história de uma criança “viada” reprimida, avançando pela adolescência e chegando à vida adulta.

Temas como masculinidade, performance social e violência simbólica dão as cores iniciais ao espetáculo, que demonstra como a heteronormatividade impõe mecanismos de disfarce e instaura uma vigilância emocional.

Não se trata, no entanto, de ocupar o palco somente com traumas e lamúrias. O ator promete causar reflexão, sim, mas com o uso de humor e alívio cômico. Boas e engraçadas pistas têm sido dadas nas redes sociais da peça, onde o ator aparece, às vezes sem camisa, usando gírias e expressões do universo gay de pegação em aplicativos. “Hétero sigilo é o nick que eu usava nos aplicativos de pegação”, explica Bernardo.

 
 
 
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Mesmo com leveza, o ator relembra o traumático episódio que deu origem à peça. Durante a missa de sétimo dia de um familiar do ator, o padre disse que gays representam o demônio e a destruição da família. Bernardo já tinha uma década de relacionamento com o namorado. “Fiquei tão chocado, não acreditei. Levantei e me retirei”, diz. Ele procurou uma delegacia para registrar boletim de ocorrência por homofobia e discurso de ódio. O pároco foi denunciado pelo Ministério Público por racismo qualificado e atualmente é réu. O caso ocorreu em 2023 e o processo segue em segredo de justiça.

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A trilha original e direção musical são de Federico Puppi. A montagem está indicada ao Prêmio Shell 2026 na categoria Melhor Cenário para Nello Marrese.

Serviço:

  • “Hétero Sigilo”
  • Apresentações em 14, 15 e 16 agosto de 2026
  • Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 18h
  • Teatro da Assembleia. Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho
  • Duração: 75 minutos | Classificação: 16 anos
  • Valores: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
  • Ingressos: Sympla

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