CABELO E RESISTÊNCIA

Trancista divulga vaquinha para financiar torneio de tranças em BH

O torneio ocorre entre os dias 29 e 30 de maio, e busca divulgar o trabalho de especialistas da área de design de cabelos da cidade

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A trancista e instrutora Aline Karen de Souza Profeta, de 39 anos, responsável pelo Troféu Trancista Referência, divulga vaquinha para arrecadar recursos para ajudar a custear a 4º edição do evento. O torneio ocorre entre os dias 29 e 30/5, na sede do Sebrae, Bairro Nova Gameleira, região Oeste de BH. A profissional atua no ramo de design de tranças há mais de 16 anos e exalta a importância do cabelo para o desenvolvimento da autoestima negra.

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Ela estipulou o valor de R$25 mil reais e espera que isso financie a compra dos materiais que serão usados no campeonato.

“Abri a vaquinha no Apoia.se e disponibilizei a chave pix para que as pessoas possam colaborar, pois cada centavo importa”, diz. “A iniciativa busca fazer com que as pessoas sintam-se participantes da construção do troféu”, destaca Aline.

O torneio Trancista Referência surgiu a partir de uma visita feita ao campeonato Trancista Master realizado em Salvador. O projeto soteropolitano surgiu das mãos de Anna Telles e busca valorizar e capacitar os profissionais da trança por meio de uma experiência única através de apresentações artísticas, workshop, desfiles de penteados e premiações.

O torneio do ano passado rendeu diferentes designs de trança, que chamaram atenção de de diferentes veículos de mídia
O torneio do ano passado rendeu diferentes designs de trança, que chamaram atenção de de diferentes veículos de mídia Aline Profeta / Divulgação
 

A ideia da competição belo-horizontina é dar visibilidade aos participantes do evento, ao propiciar aos cabeleireiros a possibilidade de divulgação dos trabalhos para o público. Na edição de 2025, os vídeos das disputas tiveram boa repercussão nas redes sociais, foram repostados por veículos de imprensa e páginas ligadas ao movimento negro, que fez Aline receber o convite para ir ao programa Melhor da Noite, apresentado por Otaviano Costa, para reproduzir as tranças ganhadoras da batalha.

Na edição deste ano, o primeiro lugar recebe R$1 mil reais, o segundo e o terceiro ganham R$600 e R$400 respectivamente. É entregue um troféu aos 10 trancistas premiados e todos os modelos participantes desfilarão no dia 30/5.

A arrecadação do Troféu Trancista Referência está sendo feita no site Apoia.se. O pix pode ser feito para o número (31) 99499-7866.

História com as tranças

“Fui conhecer o meu cabelo, quando virei mãe da minha primeira filha”, afirma Aline que aos 24 anos teve que exercitar a destreza que tinha com cabelos para pentear o da filha, Luísa Profeta ao longo da infância - hoje a menina tem 16 anos. A trancista tem mais um filho, João Profeta, de 8 anos, que também costuma fazer tranças. “Ele tem cabelo grande e sempre faço penteados diferentes nele”, conta a trancista que relembra um dos designs feitos por ela no cabelo do filho que teve boa repercussão no instagram.

Existem diversos estilos de tranças: nagos, box braids, dreads, locks e outras variantes destes modelos. Na cultura hip-hop, diversos artistas utilizam cotidianamente ou recorreram aos cortes como elemento estético para estampar projetos. Beyoncé (Lemonade 2016); Kendrick Lamar (DAMN 2016); ASAP Rocky (Long.Live A$AP 2013); e Alicia Keys (ALICIA 2020), usaram os visuais como capa de seus álbuns.

Lemonade da Beyonce foi lançado em 2016. Na icônica capa, a cantora usa tranças nagô
Lemonade da Beyonce foi lançado em 2016. Na icônica capa, a cantora usa tranças nagô Billboard / Reprodução
 

“A trança começou na minha vida por uma necessidade, em desenvolver a minha própria autoestima, em entender o meu próprio cabelo. Tinha o costume de alisar, de ir em uma busca de um embranquecimento e mudar aquilo que é natural em nós. Hoje, como trancista, busco aumentar a autoestima dessas mulheres e de meninas pequenas”, destaca a cabeleireira.

Alisamento e autoestima

O uso de produtos alisantes sempre se mostrou como uma ferramenta para deixar o cabelo crespo ou cacheado com uma textura lisa. Em um relatório de 2024 chamado de “Cabelos Sem Limites, Como Nós”, feito pelo Instituto Sumaúma e pela agência de relações públicas RPretas, em parceria com a marca Seda, apontou que 70% das mulheres negras (pretas e pardas) sentem pressão da sociedade para ter os fios lisos. Foram entrevistadas 1.001 mulheres que se identificam como negras, com cabelos cacheados ou crespos, dos 18 aos 50 anos, que moram em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).

A Anvisa alerta sobre a necessidade de atenção aos materiais usados para o processo de alisamento e os possíveis riscos de uso de substâncias que não receberam regulamentação da agência de controle.

As possíveis ocorrências causadas pelo uso de cosméticos não regulamentados podem causar quebra e queda dos fios, ressecamento excessivo, alteração da cor e irritação, queimaduras químicas no couro cabeludo, feridas e possíveis infecções. Em contato com a pele e olhos, pode resultar em irritação, dermatites de contato, danos permanentes à visão e reações alérgicas. Nas vias respiratórias, pode causar irritação no nariz, garganta e pulmões.

“Tem uma série que assisti da Madame CJ Walker, que foi a primeira mulher negra milionária estadunidense. A obra conta a história dela, relata as trajetórias de resistência, através da delicadeza, por ela ser uma mulher negra retinta de cabelos crespos. É narrado sobre essa visão embranquiçada de alisamento de fios e esses produtos ‘põem as nossas coroas’ para baixo. O que foi colocado de padrão naquela época, foi contrariado por Walker, que mostrou que é possível deixar o cabelo no formato que é”, destaca Aline.

A Vida e a História de Madam C.J. Walker (2020) é uma minissérie da Netflix de 4 episódios que retrata a biografia da empresária responsável por desenvolver uma série de produtos capilares voltados a mulheres negras entre o século XX e XXI. A produção conta com a atuação da atriz Octavia Spencer, famosa por encenar a obra Estrelas Além do Tempo (2016) , indicado ao Oscar de melhor filme em 2017.

*Com informações da Agência Brasil e Estadão

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*Estagiário sob supervisão da subeditora Juliana Lima

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