Já não é fácil se destacar em um mercado tão amplo e diverso. Agora imagina ser lembrado por vários nomes de peso da gastronomia de Belo Horizonte. Aberto há pouco mais de um ano, o Casa Riuga, na Savassi, Região Centro-Sul, foi o restaurante mais citado no podcast Degusta. Dos 27 convidados, entre os que estiveram no estúdio e os que mandaram suas dicas por vídeo, sete incluíram o endereço na lista dos lugares imperdíveis para comer na cidade. Sócios e chefs da casa, Carolina Elias e Pedro Stussi são os entrevistados do primeiro episódio de 2026.
“A gente pensou no Riuga como um restaurante que a gente gosta de frequentar e um cardápio com o estilo de comida que a gente gosta. Deu muito certo, e poderia ter dado muito errado”, ela comenta. Para ele, uma das razões dessa repercussão está no serviço. “É um restaurante que busca algum refino no que está fazendo, só que sem toalha na mesa, serviço muito pesado, um discurso muito grande. E isso conversa um pouco com o nome 'casa'. As pessoas vão lá e se sentem bastante à vontade.”
Carol e Pedro têm trajetórias bem diferentes na gastronomia, mas o destino tratou de uni-los. Ela é de BH e se formou em administração e contabilidade. Na pandemia, decidiu abandonar a vida de escritório para estudar na Le Cordon Bleu de São Paulo. Ele nasceu na capital paulista e entendeu que queria ser cozinheiro aos 18 anos. Passou por casas como Dalva e Dito, Tuju e Corrutela, no meio do caminho trabalhou na Dinamarca e Suécia, até chegar aos Cais, onde conheceu a futura namorada e sócia.
O casal ainda esteve junto no Shihoma antes de se mudar para BH. Pedro não conhecia a cidade, mas abraçou o desejo da Carol de ficar mais próxima da família. “Nunca tinha nem vindo aqui. Tanto que a gente fala que vieram para BH dois cozinheiros novos. A Carol é de Belo Horizonte, mas foi embora administradora e voltou cozinheira. Eu não sabia nada”, ele relembra.
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O negócio começou como delivery. “A gente não tinha condição de abrir um restaurante, que era a nossa vontade. E aí, de lá, a gente teve a ideia de fazer o delivery, que foi uma forma de começar sem um investimento muito alto”, ela explica. O nome já era Casa Riuga, derivado da palavra dinamarquesa “hygge”, que representa a sensação de conforto, intimismo e acolhimento. Nesse período, eles aproveitaram para conhecer fornecedores, captar clientes e procurar o ponto ideal, o que levou tempo.
Proposta ousada
O cardápio chama a atenção por vários motivos, entre eles o tamanho: são apenas 14 pratos, divididos entre frios, vegetais, grelha e sobremesas. “A gente tentou adaptar o cardápio ao espaço físico do restaurante e também ao que a gente gosta”, justifica Pedro.
Para fazer o rosbife, eles temperam a carne com um mix de especiarias e a cortam em fatias bem finas
A ousadia também está na proposta de não conduzir a experiência do cliente. O mesmo prato pode ser um entrada para compartilhar ou um jantar individual. “As pessoas às vezes chegavam e perguntavam: 'ah, mas e o prato principal?' Agora já entendem melhor a proposta e a gente vê nos pedidos como cada um monta sua mesa. As pessoas fazem combinações que a gente não pensaria e que para elas funcionam super bem. E a graça é exatamente essa”, aponta Carol.
Outro acerto do menu é dar protagonismo aos vegetais. Não necessariamente para saciar os vegetarianos, mas para mostrar que eles podem ser tão gostosos e surpreendentes quanto as carnes. “A grande maioria das pessoas está acostumada a sair para comer uma massa, um risoto, uma carne. E aí, de repente, chega um casal jovem falando: “escuta, repolho é bom”. É uma coisa que, querendo ou não, dá uma cutucada e tem bastante gente curiosa para ver o que a gente está fazendo”, ele comenta.
Segundo ela, a constância costuma ser um motivo que faz o cliente retornar. “As pessoas sempre falam: 'o que é muito bom de vir aqui é que eu sei que eu vou comer e vai estar sempre muito parecido'. E acho que isso é verdade. A gente tenta buscar um padrão na saída dos nossos pratos, no atendimento. Então, acho que isso é um fato que contribui para esse resultado que a gente está atingindo.”
Entrada e sobremesa
Sobremesa mais querida do cardápio, a torta basca chega à mesa com calda de caramelo salgado e pralinê de avelã
No fim da conversa, os chefs apresentaram dois pratos que estão no cardápio desde o início. Um deles é o rosbife de bombom de alcatra temperado com um mix de especiarias, mostarda l'ancienne, picles de mini pepino, castanha de baru, folhas de salsinha e óleo concentrado de salsa. A degustação seguiu com a torta basca, a sobremesa mais querida, com calda de caramelo salgado e pralinê de avelã.
Bar à vista
A dupla está perto de dar um novo passo com a ampliação para a loja ao lado, onde funcionará o bar Riú. A falta de espaço foi determinante. “A gente não tem um lugar de espera e lá é muito pequeno. Então, a gente estava perdendo muita mesa”, destaca Carol, avisando que o espaço servirá petiscos e drinques, e não só para quem estiver na fila de espera do Casa Riuga. Com isso, a cozinha, que será compartilhada, praticamente dobrará de tamanho.
No bar, eles também querem mostrar um trabalho diferente. A ideia é apostar em flexibilidade e criatividade para que o cardápio não seja tão fixo quanto o do restaurante. “A gente sempre teve vontade de fazer outro tipo de comida, outro tipo de prato, o que a gente acha que não vai conseguir mais no Riuga. Porque a gente criou uma linha muito bem-definida, padronizada e com uma constância que gera uma expectativa, e a gente tem que atendê-la. E a gente faz isso com paixão”, pontua Pedro.
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A previsão é de que Riú seja inaugurado no mês que vem.
