Na guerra entre as chefias do tráfico da CCD (a famosa Cidade de Deus), não é a boca “13”, a “15”, ou a “dos apês” que se coloca no centro. Em um local dominado pelo tráfico, o destaque fica com a política, o jornalismo e a arte, presentes na vida de moradores que são muito mais do que um número na estatística.
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Com estreia neste domingo (8/11), na segunda temporada de “Cidade de Deus: A luta não para”, que tem direção de Aly Muritiba (“Cangaço novo”), Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Berenice (Roberta Rodrigues) querem seguir em frente, ao mesmo tempo em que buscam justiça por Ligia (Eli Ferreira) e Barbantinho (Edson Oliveira), vítimas da violência policial na primeira temporada.
Berenice, recém-eleita vereadora no Rio de Janeiro, decide que deve lutar contra o sistema por dentro. Desde o primeiro episódio, suas frequentes falas na Câmara não deixam a morte de Barbantinho cair no esquecimento. “Ela é uma mulher preta enfrentando desafios na política. Ela é resistente e vai perceber que, às vezes, é necessário dar um passo atrás para bater de frente com algumas pessoas. Literalmente, uma luta que não para”, afirma Roberta Rodrigues, brincando com o título da série.
Para o diretor, este novo arco da temporada respeita o legado do longa “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Kátia Lund, mas traz novos ares para a série. “Começamos a compreender como o que acontece ali no microcosmos da comunidade é muitas vezes reflexo do que está sendo tramado e construído nos gabinetes. A série continua pertencendo ao gênero ‘favela movie’, mas temos um thriller político nesta temporada”, diz Muritiba.
DENTRO DA FAVELA
Enquanto isso, Buscapé é retirado da cobertura policial de seu jornal e tem que recorrer a diferentes meios para continuar denunciando a violência na favela. Junto da filha Leka (Luellem de Castro), o protagonista reativa a rádio comunitária da CDD e mostra que informação também é uma forma de poder. Ele busca novas maneiras de enfrentar a milícia enquanto Jerusa (Andreia Horta) e Cabeção (Kiko Marques) tentam tomar a Cidade de Deus.
“É uma personagem que está sempre trabalhando para salvar a própria pele. Em busca da vingança. Ela é o elo entre a milícia, o Estado e o crime organizado. Todos estão ali defendendo o interesse coletivo, e ela representa tudo que acredito que devemos combater na sociedade”, afirma Andréia Horta sobre sua personagem.
A trajetória de Leka, por sua vez, demonstra que existe um caminho diferente para quem veio da CDD. “A Leka é a representação da arte dentro daquele lugar. Eu fico muito feliz de poder fazer a personagem que é filha de Buscapé, que, para mim, no filme, também era a representação da arte”, comenta Luellem.
Enquanto alguns agem por fora, os líderes do tráfico da CDD continuam causando discórdia. Para tentar resolver a guerra sem fim, um antigo conhecido volta pro jogo. Cenoura (Matheus Nachtergaele), que já comandou a Boca dos Apês, surge para fazer um favor e acalmar seu afilhado Geninho (Victor Andrade).
“ARCO DRAMÁTICO”
O ator retoma o personagem que interpretou no longa original de 2002. “Ao longo da minha vida, muitos personagens me atravessaram. A maioria deles eu saberia te dar uma genealogia completa e te escrever o arco dramático com precisão, mas a figura do Sandro Cenoura, pra mim sempre foi diferente”, diz Nachtergaele.
Mesmo sem vontade de ficar, o personagem, respeitado por todos, decide dar as cartas no jogo para evitar uma tragédia maior. Para o ator, assim como foi em 2002, a melhor experiência de viver Cenoura é a chance de aprender com o elenco mais jovem. “Como eles estão fazendo? Perguntei a (Fernando) Meirelles. Ele disse que eles não tinham roteiro, apenas um arco desenhado e bastante improvisação. Então é melhor eu não ter”, conta, sobre as filmagens do longa.
Mesmo com uma postura mais séria do que no filme e com anos de resistência fora do tráfico, Cenoura traz leveza ao cenário de guerra. “Fui conviver com as pessoas, aprender como elas falam, como andam pelas ladeiras, entender seu humor, sua dor, seu perigo e a paz que se pode ter. Entendi que Cenoura era como um sorriso naquele meio, defensor de alguma ética”, afirma o ator.
“CIDADE DE DEUS: A LUTA NÃO PARA”
Segunda temporada da série, com seis episódios, estreia neste domingo (8/11), na HBO Max. Primeiro. Episódios novos sempre aos domingos.
*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes
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