'O que é o amor?' revela o outro lado da atriz Laure Calamy
Estrela do filme de Fabien Gorgeart, em cartaz em BH, tem longa carreira no teatro e não se prende à sua carismática personagem na série 'Dix pour cent'
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A atriz Laure Calamy tinha 15 anos de carreira quando foi atropelada pelo furacão Noémie Leclerc. Tão exuberante quanto ingênua, a assistente de uma agência parisiense de talentos rapidamente se destacou na série “Dix pour cent” (2015-2020). Coincidência ou não, desde então Laure, de 52 anos, deixou para trás os papéis coadjuvantes.
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Venceu o Molière pelo espetáculo “O jogo do amor e do acaso” (2018), o César por “Minhas férias com Patrick” (2021) e o Orizzonti de Melhor Atriz no Festival de Veneza por “Contratempos” (2021). A atriz veio ao Brasil a convite do Festival de Cinema Francês, em que coprotagoniza, com Vincent Macaigne, a comédia dramática “O que é o amor?”, de Fabien Gorgeart.
Laure estava no radar do diretor e roteirista já no processo de escrita. “Foi a partir dela que pensei no Vincent, pois os descobri no média-metragem ‘Um mundo sem mulheres’ (2011). No filme de Guillaume Brac, eles interpretam personagens que acabam não concretizando um relacionamento. Isso criou na minha cabeça uma espécie de ‘casal de longa data’. A Laure já atuou nas peças do Vincent e eles estudaram no Conservatório (Nacional de Arte Dramática). Ou seja, existe uma história compartilhada”, diz Gorgeart.
Era justamente disso que ele precisava para contar a história de “O que é o amor?”. Ela é Marguerite, divorciada de Fred (Macaigne), com quem teve uma filha. Hoje é casada com Sofiane (Lyes Salem), pai de sua segunda filha. Fred reaparece em sua vida por causa de Chloé (Mélanie Thierry). De família religiosa, sua namorada quer se casar na igreja. Para tal, ele tem de anular o casamento com Marguerite. As duas famílias vão para o Vaticano tentar a anulação.
Liberdade
A despeito de seu talento cômico, Laure tenta não ficar presa ao gênero.
“'Dix pour cent' se estendeu por cinco anos e minha personagem foi ganhando destaque. Mas minha origem é o teatro, onde atuava bastante. Fiz papéis menores no cinema que foram se tornando cada vez mais interessantes, não necessariamente dentro da comédia”, comenta a atriz.
Um exemplo é o drama “Ava” (2017), de Léa Mysius, que ofereceu o papel a Laure sem tê-la visto na série.
“É verdade que meu papel de protagonista foi na comédia ‘Minhas férias com Patrick’, mas naquele mesmo ano emendei cinco longas. Tinha de tudo um pouco. Teve o thriller ‘A origem do mal’, do Sébastien Marnier, onde interpreto uma personagem assustadora. Muita gente até quis contestar o que acabei de dizer, mas não me sinto presa a um único tipo de papel”, ela afirma.
Mesmo assim, é impossível falar com Laure sem mencionar “Dix pour cent”, que em setembro retornou com o filme homônimo, da Netflix.
Uma das sequências mais divertidas coloca Noémie conversando com George Clooney (o próprio).
A assistente, agora produtora, mete os pés pelas mãos ao falar com o americano sobre “Caçadores de obras-primas” (2014), escrito, dirigido e protagonizado por Clooney. Laure revela que foi ele quem sugeriu usar o filme na cena. Admite a aflição em contracenar com o astro e não só porque precisava atuar em inglês, desafio para ela.
“Não dormi na noite anterior. A Fanny (Herrero, roteirista do longa) me viu e comentou que eu estava lívida. Ele foi adorável. Só que em certo momento tive um lapso. Por causa do cansaço, minha cabeça não estava funcionando direito. Pensei: ‘Vou usar isso, acrescentar algo sobre a confusão na minha mente’. Tentei me lembrar como se diz mente em inglês e, na hora, me veio ‘confusion in my bread’. Comecei a rir sozinha pensando: ‘Não é bread (pão), é brain (cérebro).’ Decidimos aproveitar isso como detalhe da cena, o que me deixou mais tranquila, porque eu estava em um estado... Você entende!”, finaliza.
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“O QUE É O AMOR?”
França, 2025, 100min. De Fabien Gorgeart, com Laure Calamy e Vincent Macaigne. Sessões hoje (6/11), às 20h20, no Centro Cultural Unimed-BH Minas e no Ponteio. Também nesta sexta, às 16h10, e na terça (10/11), às 20h30, no Cine Belas Artes.