Um ano sem Lô Borges: saudade, cantoria e homenagens em Santa Tereza
Artistas e multidão celebraram o legado de Lô Borges na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, lembrando um ano da morte do fundador do Clube da Esquina
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O clima de informalidade e camaradagem deu o tom do evento “Eternamente Lô Borges – Um ano de saudade”, que reuniu, nesta segunda-feira (2/11), músicos, parentes, amigos e fãs do artista.
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Berço do famoso movimento musical de Minas Gerais, a esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no Santa Tereza, serviu de palco para a celebração que marcou um ano da morte do cantor e compositor.
Bateria, amplificadores e equipamento de som foram dispostos sob uma pequena tenda, diante da qual foi montada outra maior, com cadeiras, para o público. De violão em punho, a cantora Lawanda Garcia apresentou a banda base, formada por Flávio Boca (violão), Aloízio Horta (baixo) e Rodrigo Carioca (bateria).
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Passava pouco das 13h quando o show teve início, com Boca entoando “O trem azul”, adiantando que esta canção seria executada diversas vezes ao longo da tarde. Ele e Lawanda seguiram se revezando no microfone, desfilando repertório de sucessos do Clube da Esquina e também canções menos conhecidas de Lô e de seus parceiros.
Ana Elisa Caixeiro foi a primeira dos muitos convidados se juntar à banda. Acompanhada do coro formado pelo público, ela cantou “Um girassol da cor dos seus cabelos”. Com frequência, Boca convidava a plateia para soltar a voz a capela, e era prontamente atendido.
Ana Elisa seguiu com “Vento de maio”. Boca manteve o pique com “Para Lennon e McCartney”, clássico do Clube da Esquina. “Tudo o que você podia ser”, “Quem sabe isso quer dizer amor” e “Encontros e despedidas” mobilizaram corações e vozes.
Mutirão de artistas
Pouco antes das 15h, a multidão já tomava o trecho da Rua Divinópolis. O time de convidados incluiu Nico e Rodrigo Borges, irmão e sobrinho de Lô, respectivamente, e também Wilson Lopes, Toninho Horta, Belo Lopes, Juarez Moreira, Bárbara Barcelos, Bianca Luar, Ana Rodrigues, Tiago Nonato, Tatta Spalla, Sanducka, Gabriel Guedes e Lira Guedes, entre outros artistas.
Organizadora do evento, Perla Horta já havia avisado que o espaço estaria aberto para quem mais quisesse somar. “Chamamos os amigos, que já frequentam a esquina e sempre dão canja por aqui”, ressaltou.
Violonista e diretor musical da banda de Milton Nascimento por décadas, Wilson Lopes falou da alegria e da emoção de prestar homenagem ao fundador do Clube da Esquina. “Lô era um cara maravilhoso, muito gente boa. Toquei com ele um tempo , junto do Bituca. A gente fica emocionado de estar aqui, neste dia lindo, na rua em que Lô morou”, disse.
Beto Lopes, irmão de Wilson, acrescentou: “Estou muito feliz de estar aqui e com muita saudade também. Sinto que estamos juntos, sempre. Já toquei com todos os integrantes do Clube da Esquina, inclusive o Lô, por 10 anos. Este encontro representa a união da boa música brasileira e mundial, bem-feita melodicamente, harmonicamente e do ponto de vista das letras de Fernando Brant, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Murilo Antunes. São maravilhosas”, acrescentou.
A cantora e compositora Ana Rodrigues destacou a sorte de “respirar o mesmo ar dos gigantes” do Clube da Esquina.
“É o nosso quintal aqui em Santa Tereza, que levou a história da música mineira para o mundo. Lô Borges é grande expoente disso. Hoje, com um ano de saudade, estamos aqui com os amigos e os parceiros do Lô, todo mundo que constrói todos os dias um pouco dessa história do Clube, para poder celebrar a vida e a obra desse cara genial”, disse.
Data triste
Nico Borges disse que o encontro que marca um ano da morte de seu irmão era especial, mas ressaltou que é também uma data triste.
“Perdi o cara mais genial da música popular brasileira. Digo e repito, quantas vezes for preciso: o maior compositor da música popular brasileira.”
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Perla Horta exaltou o “legado de amor, respeito e amizade” dos artistas reunidos na celebração. “É sempre um prazer estar nesta esquina que nos deu tantos talentos”, afirmou.