Música

Lô Borges ganha homenagens na 'esquina do Clube' e na Serra da Piedade

O legado do cantor e compositor será lembrado nesta segunda-feira (2/11) com shows em Santa Tereza e festival de corais na basílica da padroeira de Minas

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O legado de Lô Borges, um dos artífices do Clube da Esquina, que morreu há exatamente um ano, será duplamente celebrado nesta segunda-feira (2/11). A esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no Bairro Santa Tereza, berço do mais famoso movimento da música mineira, será o palco do encontro “Eternamente Lô Borges – Um ano de saudade”, que vai reunir, além do irmão Marilton e do sobrinho Rodrigo Borges, vários músicos de BH.

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A homenagem se estende ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, na Serra da Piedade, em Caeté, onde o Festival Internacional de Corais (FIC) lembrará o cantor e compositor reunindo outros membros da família – Yé, Frede e Samis Borges –, além dos convidados Tadeu Franco, Sérgio Pererê e Felipe Bedetti.



Inéditas


O legado que alimenta as duas celebrações será ampliado, pois Lô deixou diversas gravações prontas, não lançadas, no estúdio onde gravou seus últimos discos. Quando ele se foi, músicos com quem trabalhava, parentes e amigos disseram que ainda havia material para mais quatro álbuns.



O disco póstumo “A estrada” foi lançado em junho, com canções criadas com o irmão Márcio Borges, parceiro de primeira hora. Thiago Corrêa, coprodutor dos últimos seis álbuns de Lô, ao lado de Henrique Matheus (os dois mantêm o estúdio Frangonobafo), reitera que sim, ele deixou registros de ideias e esboços. No entanto, corrige: o material não chega a ser suficiente para mais três álbuns.



“Eu mesmo posso ter dito isso, mas no calor e na emoção do momento. Na verdade, o que tínhamos concluído e aprovado pelo próprio Lô foi o que já saiu (“A estrada”). Ele mesmo já previa este lançamento. De resto, o que há no estúdio são coisas não finalizadas”, esclarece.



O multi-instrumentista, além de produzir, assumiu o baixo da banda de Lô em estúdio e shows. Corrêa não sabe dizer como, quando, de que forma e se esse material será editado e lançado. Isto está a cargo dos responsáveis pela gestão do catálogo de Lô Borges e por seus familiares, o que vai depender de negociações. Mas acredita que são grandes as chances de essas gravações virem à luz.



“Falando sem convicção, acho que eles devem querer lançar pelo menos uma parte do material que temos guardado”, diz, com base na forma como Lô trabalhava.



“Ele chegava no estúdio, fazia um esboço da música sem letra, gravava com algum instrumento – guitarra, teclado, violão – e dava como registro final, para que depois trabalhássemos em cima. Raramente voltava atrás para regravar algo, então tem ali ideias que são expressão do que realmente ele desejava”, destaca.



Corrêa revela que Lô produziu muito desde que fez do Frangonobafo um porto seguro para dar corpo à sua criação. “Ele gostava muito do processo, ia semanalmente quando estávamos produzindo. Tinha a xícara de café dele, sempre usava a mesma, toda essa coisa ritualística. Não ia sem motivo, tipo 'vou aí tomar um café', mas marcava, comparecia, gravava, normalmente só com o Henrique, com quem tinha relação de confiança há mais tempo”, relembra.



Se ainda existe dúvida sobre se e quando criações inéditas deixadas por Lô chegarão a público, resta a certeza de que clássicos de sua lavra sustentam as homenagens desta segunda-feira. Produtora do evento “Eternamente Lô Borges”, Perla Horta, sobrinha de Toninho Horta, conta que homenagem na famosa esquina de Santa Tereza surgiu “de última hora”.



Amigos


A ideia veio há duas semanas, em conversa com amigos próximos, e teve adesão imediata de vários nomes do círculo de convivência de Lô. Perla pontua que desde a morte do artista, encontros mensais são realizados na “esquina do Clube”, na Região Leste de BH.



“Por conta da data, resolvemos, eu, Flávio Boca, Bianca Luar e Paula Ananias, fechar a rua e fazer uma coisa maior, contando com o apoio de amigos, empresários e do poder público”, diz. Além do palco, o espaço terá tendas e barracas de comidas e bebidas.



Estão previstas apresentações de Wilson e Beto Lopes, Juarez Moreira, Gabriel Guedes, Bárbara Barcelos e Toninho Horta. O palco ficará aberto para outros músicos. “É um espaço democrático, como Lô gostava”, ressalta Perla.



SERRA DA PIEDADE


O evento promovido hoje pelo festival de corais no santuário da Serra da Piedade, das 13h às 17h, vai celebrar a música mineira. Além de Lô Borges, o cantor e compositor Vander Lee (1966-2016) será homenageado. Estarão presentes os corais Cantos de Minas, Ensaio Aberto, Amantes da Música (de Niterói), Avipa, Felício Rocho e Coro Sinfônico do Cefart.

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“ETERNAMENTE LÔ BORGES: UM ANO DE SAUDADE”
Com vários artistas. Nesta segunda-feira (2/11), das 12h às 18h, na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no Bairro Santa Tereza. Acesso gratuito


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