Solano Ribeiro, crítico e produtor musical que teve papel importante na história dos festivais de música popular brasileira na televisão, morreu na madrugada deste sábado (31/10), aos 87 anos. Ele estava internado em uma clínica em São Paulo, onde recebia cuidados paliatvos na luta contra um câncer.
A morte foi confirmada por um amigo da família. O velório e a cremação ocorreram neste sábado no Cemitério e Crematório Jardim da Paz, em Vargem Grande Paulista, próxima a São Paulo.
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A convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, Ribeiro trabalhou na extinta TV Excelsior, na capital paulista, onde produziu o primeiro Festival Nacional da Música Popular Brasileira, em 1965, que deu origem à sigla MPB. O evento registra o lançamento de Elis Regina cantando "Arrastão", composição de Edu Lobo e Vinicius de Moraes.
Depois, saiu da TV Excelsior e foi para a Record, onde realizou o segundo Festival da MPB, em 1966, no qual dividiram a primeira colocação as músicas "A banda", de Chico Buarque, e "Disparada", de Geraldo Vandré e Théo de Barros.
No terceiro festival, foi Ribeiro quem incentivou a inserção de guitarras elétricas na música popular, o que era uma heresia na época. Venceu a composição de Edu Lobo e Capinan, "Ponteio". Esse festival que deu origem ao documentário "Uma noite em 67", dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil, de 2010.
Ribeiro atuava nos bastidores, organizando as competições e transformando as apresentações de novas canções em grandes acontecimentos televisivos, no período de popularização da televisão no Brasil. Ele escreveu o livro "Prepare seu coração: a história dos grandes festivais", no qual conta a sua história.
Desde 2006, ele apresentava, na Rádio Cultura de São Paulo, o programa semanal "Solano Ribeiro e a nova música do Brasil".
Ribeiro foi também sócio-fundador da Rádio Antena 1, em São Paulo, e quando contratado da extinta TV Tupi, em 1976, realizou o Festival Tupi, no qual o cantor e compositor cearense Fagner abocanhou o primeiro prêmio com a música "Quem me levará sou eu", de Dominguinhos.
No exterior, ao deixar o Brasil por conta da ditadura militar, Ribeiro esteve na Alemanha e atuou na emissora Südwestfunk, dirigindo vários documentários, entre eles obras sobre o compositor Gilberto Gil e o teatro de Ruth Escobar. Novamente a convite de Boni, Ribeiro retornou ao Brasil, em 1972, para realizar o sétimo Festival Internacional da Canção, na TV Globo.
Em 2025, Ribeiro destacou Chico Science e a Nação Zumbi, as cantoras Tulipa Ruiz, Tiê, Céu, o grupo BaianaSystem e Lenine como nomes relevantes da música brasileira. Mas fez uma ressalva. "Existem pelo Brasil centenas de novos músicos, cantores e compositores, mas eles não têm a exposição necessária como no tempo dos festivais que tiveram Elis, Caetano, Gil, Chico, Bethânia e tantos outros."
Ainda nesta entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ele disse que "a MPB está morrendo" e que "hoje, qualquer um que cante em português é rotulado, classificado, como pertencente à MPB, à qual foi agregada a tecnologia".
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