Quais são os limites entre ator e personagem? Em que momento o artista deixa de interpretar uma figura e passa a fazer parte dela? Em “Helena Antipoff no olho do furacão”, uma atriz é chamada para interpretar a educadora Helena Antipoff (1892-1974) e, a partir dessa experiência, vive um conflito na tentativa de compreender sua conexão com a figura histórica.
O espetáculo da companhia Ensino em Cena terá apresentações desta quarta (21/10) a sexta, sempre às 18h, no Centro Cultural UFMG. A direção é de Leonardo Luppi; e o texto, de Ivana Andrés. “Ivana se encantou com a história de Helena e sua amizade com Regina Helena de Freitas, que trabalha na Fundação Helena Antipoff, transformou o interesse em uma peça”, explica Luppi.
Em cena, uma atriz (Izabella Parreira) busca interpretar Helena Antipoff (Ivana Andrés), mas se questiona sobre a escolha. “Se eu vou interpretar você, quero te conhecer melhor” é o que a move, conforme explica o diretor. A partir desse questionamento, as duas entram em “choque” e viajam pela história de Helena, a fim de entender o real impacto que a russa causou no mundo e na educação brasileira.
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Helena Antipoff chegou a Minas Gerais em 1929, como professora de Psicologia Educacional e continuou seu legado contribuindo para a criação do 1º Laboratório de Psicologia Aplicada na América do Sul, no mesmo ano. Na década de 1930, foi uma das principais apoiadoras da criação dos jardins de infância. “Sua obra foi marcada por adotar maneiras de inclusão. Em um momento em que pessoas com deficiência eram tachadas como 'débeis mentais', ela buscou evoluir para outras concepções”, diz Luppi. Ela viveu no Brasil, até sua morte, em 9 de agosto de 1974.
Além das duas atrizes, o músico Júlio Marotta participa do espetáculo, com músicas autorais baseadas na biografia da educadora. Durante as viagens, Helena e a atriz observam o mundo, e isso é transportado para as letras. “Ela vai se soltando no mundo e descobrindo novos lugares. É preciso se soltar”, canta, em determinado momento”, conta Luppi.
A escolha do formato não foi casual. “Ela gostava de explorar todos os potenciais da educação: o desenho, a música, a dança, a arte. Em suas aulas, instigava o outro lado das crianças. E resolvemos juntar isso e colocar em cena”.
O título foi proposto por Ivana: “O olho do furacão é um estado perene, sublime. O que está em volta do olho resulta em mortes e destruições, mas quando você está no olho do furacão, você tem uma noção de tudo que está acontecendo e consegue ver a transformação”. A ideia parte da pesquisa da companhia, que encara Helena Antipoff como uma pessoa proativa e estimuladora. “Ela teve a capacidade de, em meio a tanta bagunça (guerras e mudança de país), ver o sofrimento alheio e transformar em educação”, comenta o diretor.
Seus anos de experiência foram importantes para que ela pudesse realizar obras como a Fazenda do Rosário, complexo educacional e social em Ibirité (MG), voltado à educação especial e rural, e a atual Fundação Helena Antipoff, responsável por trabalhos que fomentam uma educação pública de qualidade com acesso à cultura, esporte e lazer.
O trabalho de Helena Antipoff serve de inspiração à companhia Ensino em Cena, que tem como um dos principais focos a educação. “É uma companhia que busca trabalhar todos os âmbitos educacionais, desde o falar ao fazer do teatro. Poderíamos homenagear diversos outros educadores, como Jean Piaget e Maria Montessori, mas suas contribuições, como a Fundação, fizeram com que a escolhêssemos para para a homenagem”, diz Luppi.
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“Helena Antipoff no olho do furacão”
Espetáculo da companhia Ensino em Cena. Com direção de Luciano Luppi. Texto de Ivana Andrés. Com Ivana Andrés, Izabella Parreira e Júlio Marotta. Desta quarta (21/10) a sexta, no Centro Cultural UFMG (Av. Santos Dumont, 174 - Centro), às 18h. Ingressos a R$30 (inteira) e R$15 (meia-entrada), à venda no Sympla.
