Conhecida do público que acompanha séries há mais de um quarto de século, Linda Cardellini, de 51 anos, é uma daquelas atrizes que você tem certeza de que já ganhou o Emmy em algum momento. Porém, isso só se tornou verdade há cerca de um mês. Em setembro, ela levou o troféu de Atriz Coadjuvante em Minissérie pela indecifrável Carol Love-Smernitch de “DTF St. Louis” (HBO Max).
Com currículo que inclui os clássicos “Freaks & Geeks” (1999-2000), “Plantão médico” (1994-2009) e “Mad Men” (2007-2015) e joias menos badaladas como “Disque amiga para matar” (2019-2022), Linda está de volta como a mãe do assassino mascarado Jason da franquia “Sexta-feira 13”.
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A atriz dá vida a Pamela Voorhees, a Pam, na série “Crystal Lake”, que acaba de estrear no Universal+. A trama mostra acontecimentos anteriores ao primeiro longa, de 1980, no qual a personagem, vivida por Betsy Palmer, matava adolescentes e responsáveis por reabrir o acampamento no qual o filho dela havia morrido. Só a partir do segundo filme, de 1981, Jason se torna o “dono” da franquia.
Para quem acha que o terror é um gênero menor, Cardellini tem a resposta: “Eu realmente acho que o terror é muito desafiador. Ele exige muito fisicamente, de uma forma que outros papéis não exigem tanto.”
A atriz compara “DTF” e “Crystal Lake”: “Os papéis são completamente diferentes, desafiadores de maneiras incríveis, mas a fisicalidade do terror é outra coisa. É uma sessão de exercícios todos os dias. Lembro-me de chegar em casa cheia de hematomas por todo o corpo, embora tivesse uma dublê incrível.”
Ao falar sobre Pamela Voorhes, ela diz que, antes de tudo, se trata de uma mãe. “O segredo da Pam é que tudo gira em torno do Jason. Tudo o que ela faz é por ele”, resume. “Acho divertido, para quem é fã, ver o Jason mais novo, antes de se tornar o que é. Ao conhecer a mãe, você meio que entende a criação dos monstros que tanto ela quanto ele se tornam.”
Para a atriz, a forte ligação entre Pamela e Jason, vivido por Callum Vinson, ultrapassa os limites da maternidade responsável. “Ela realmente perde a própria identidade”, observa. “Quer desesperadamente ser a melhor cuidadora possível, mas, de alguma forma, está falhando e não consegue lidar com isso. Quando essas questões vêm à tona, ataca todo mundo ao redor.”
Exaustão física
Cardellini conta que o sentimento mais a conectou a Pam foi a fúria. Sentiu-se assim após a primeira cena em que matou uma pessoa. “Estava gritando, berrando e chorando. Senti uma exaustão física, somada ao esforço físico, como nunca havia feito diante das câmeras, talvez nem mesmo na vida”, lembra.
“Ali alguma coisa simplesmente aconteceu, algo parecido, provavelmente, com o que as pessoas sentem na terapia do grito. Meu corpo começou a liberar emoção e fisicalidade. Por um momento, isso me conectou a ela, à forma como deve ter sido tão bom poder colocar aquilo para fora.”
Linda ressalta que buscou criar sua própria versão de Pam. “A atuação de Betsy Palmer é simplesmente incontestável, inesquecível e totalmente singular, então não dá para fazer o que ela fez. Mas a ideia de poder criar uma personagem que chega ao ponto em que ela está naquele primeiro filme foi divertida para mim.”
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“CRYSTAL LAKE”
Primeira temporada, com oito episódios, disponível na plataforma Universal+
