Sete episódios de 'DTF St. Louis' propõem um jogo inteligente ao público
Em cartaz na plataforma HBO Max, minissérie acompanha investigações sobre a morte de um típico cidadão do subúrbio americano
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Traição, crime e crise no casamento são abordados pela TV e pelo cinema desde sempre. “DTF St. Louis”, nova minissérie da HBO Max, trata tais questões de maneira incomum, a começar pelo nome. DTF é uma sigla em inglês para down to fuck, que em bom português significa pronto (ou disposto) para transar. O título da série de Steve Conrad (“A vida secreta de Walter Mitty”) se refere a um aplicativo de St. Louis, no Missouri (EUA).
Clark Forrest (Jason Bateman) e Floyd Smernitch (David Harbour) só pensam naquilo. Casados, têm filhos (o segundo é padrasto de um garoto problemático) e vivem no subúrbio. Se conhecem durante uma transmissão, pois o primeiro é repórter do tempo em uma emissora local e o outro, intérprete de libras.
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Os dois têm muito em comum. Vão a restaurantes de rede e malham juntos. Fosse no Brasil, usariam sapatênis. Ambos os casamentos estão para lá de mornos. Clark acorda às quatro da manhã e sai em sua bicicleta reclinada para trabalhar. À noite, apaga e mal tem tempo para mulher e filhas.
Floyd perdeu o tesão desde que Carol (Linda Cardellini) decidiu se tornar árbitra de beisebol. Culpa do uniforme esdrúxulo da mulher, justifica. Mas não só, ele conta para Clark. Sofre da Doença de Peyronie, condição inflamatória que deixa seu pênis muito curvado.
'Playgirl' e Indiana Jones
Por sugestão de Clark, os dois decidem entrar no DTF St. Louis, app de traição só para casados. Eis que semanas mais tarde o corpo de Floyd aparece em uma piscina comunitária, cercado por uma lata vazia de Bloody Mary e uma edição antiga da revista “Playgirl” (a resposta feminina para a “Playboy”), aberta na fotografia de um homem nu vestido de Indiana Jones.
Isso não é spoiler. A morte de Floyd, no primeiro episódio, é o mote da trama. A história da traição que deu muito errado é tratada no tempo atual, com a investigação e também por meio de flashbacks. Não se leva muito tempo para descobrir que Clark teve um caso com Carol (isso também não é spoiler).
O tratamento da história é o que faz de “DTF St. Louis” muito acima da média. Tem humor para lá de peculiar, esconde o jogo desde o início.
A mulher de Clark, por exemplo. Nas duas cenas em que a personagem aparece no episódio piloto, ela está deliberadamente de costas e com a imagem fora de foco. A série mostra os acontecimentos fora da cronologia temporal, fazendo com que o espectador tente montar as peças.
Há outros personagens no jogo, como a dupla de detetives que assume a investigação. O policial local é Donoghue Homer (Richard Jenkins) e a agente da divisão de crimes especiais, muito mais esperta do que ele, é Jodie Plumb (Joy Sunday).
A dinâmica entre os dois é interessante, assim como a intenção de mostrar como comportamentos ilícitos podem ocorrer sob a aparente perfeição de um subúrbio.
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“DTF ST. LOUIS”
Minissérie com sete episódios da HBO Max. O primeiro está disponível. Novos episódios aos domingos, às 22h, no canal pago e no streaming