Júlia Harlley*



Com um intervalo de cinco anos desde o último lançamento, a franquia "Um tio quase perfeito" está de volta aos cinemas, com o terceiro título da série. 


O filme começa com o Tio Tony (Marcus Majella) tomado pela sensação de “ninho vazio” e abandono pelos sobrinhos, que cresceram e estão independentes. Porém, tudo muda quando uma bebê é deixada na porta de sua casa e, ao acolhê-la, a vida dele se enche de desafios e confusões, entre elas trocas de fraldas, noites sem dormir e visitas à delegacia.



A comédia é um gênero com o qual o público brasileiro está bem acostumado e que figura entre as maiores bilheterias a cada ano. Segundo o diretor Pedro Antônio, a comédia precisa estar próxima da realidade e levar elementos que melhorem a qualidade da produção. 


“Há um potencial na nossa cinematografia de enxergar a vida pela lupa do humor”, afirma. Para o ator Marcus Majella, o gênero é capaz de gerar reflexão nas pessoas, enquanto as faz rir. “Como nosso eterno Paulo Gustavo (1978-2021) disse: ‘Rir é um ato de resistência’”, diz.     



Além de mirar o fã de comédia, "Um tio quase perfeito 3” é voltado principalmente para as famílias. O diretor destaca a importância de acolher o público infantil e proporcionar a experiência cinematográfica como algo coletivo. 



Responsabilidade


“É uma forma de perpetuar mais um modelo de gênero voltado para expandir o número de espectadores nas salas de cinema.” Encantado com a recepção das crianças, Majella também sente um senso de responsabilidade com elas. “Um grande presente que o filme me trouxe é que as crianças são apaixonadas pelo Tio Tony. É muito engraçado como elas vibram com o filme”, comenta.    



A sequência da saga trouxe algumas mudanças em relação aos outros filmes. Segundo Majella, o personagem amadureceu e agora passa pelos desafios e pela solidão de ter o “ninho vazio”. “Mas o público ainda vai se surpreender muito, pois há a chegada de uma nova integrante, a bebezinha Alice, que vai virar tudo de cabeça para baixo”, comenta o ator. A bebê é a grande novidade na trama. O diretor afirma que o longa se apoia em temas como adoção, perda e renovação. 



Para o diretor Pedro Antônio, um dos problemas que ainda afetam o cinema brasileiro e influenciam em sua desvalorização é a falta de divulgação. “O cinema deixou de ser um evento semanal para virar um evento seletivo. Então, se a sua campanha não penetra na vida cotidiana de alguma forma, por melhor que seja o seu filme, ele não leva ninguém ao cinema”, avalia. “O desafio hoje é mostrar, antes de o filme chegar, que aquele dinheiro do ingresso vale a pena.” 



“UM TIO QUASE PERFEITO 3”


(Brasil, 2026, 94 min.) Direção: Pedro Antônio. Com Marcus Majella, Letícia Isnard e Ana Lúcia Torre. Em cartaz em salas dos complexos Cineart, Cinemark e CineSercla. 



*Estagiária sob supervisão de Nahima Maciel

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