Morreu, nesta terça-feira (13/10), em Salvador (BA), o cantor Netinho, um dos grandes nomes do axé. Dono do hit “Milla”, o cantor enfrentava um quadro de câncer, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
“É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje. Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos”, informou a assessoria do artista.
”Artista extraordinário, talentoso, sensível e inovador, Netinho construiu uma trajetória marcada pela alegria, pela música e por um carisma inconfundível. Sua voz, sua energia e sua forma tão particular de se conectar com o público deixam um legado que permanecerá para sempre na memória e no coração de seus fãs, amigos e de todos que tiveram o privilégio de acompanhá-lo”, destacou a equipe.
Por desejo expresso do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, em uma cerimônia restrita a familiares e amigos próximos.
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A assessoria afirma que o cantor estava tranquilo e orgulhoso da própria trajetória. “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”, pontuou o artista no fim da vida.
Câncer no sistema linfático
O cantor anunciou o diagnóstico de câncer no sistema linfático em 22 de março de 2025. A confirmação ocorreu após a internação do artista no Hospital Aliança Star, em Salvador, provocada por fortes dores nas pernas. O músico passou a expor as etapas do tratamento por meio da internet.
Netinho nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 12 de julho de 1966. Aos 10 anos, mudou-se com a família para a capital baiana, onde iniciou o contato com a música. Ele ganhou o primeiro violão da mãe aos 14 anos e ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) aos 16.
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Durante os estudos universitários, conciliava a rotina com apresentações em colégios até começar a tocar profissionalmente em bares, com repertório voltado para MPB e bossa nova.
Sucesso musical e projeção
A estreia de Netinho como vocalista da Banda Beijo ocorreu em 1988, no Carnaval de Salvador. No mesmo ano, ganhou projeção nacional com a canção "Beijo na Boca". Posteriormente, emplacou faixas como "Estrela primeira", "Barracos" e "A vida é festa".
O maior sucesso da carreira foi "Mila", lançada em 1996, três anos após o início da trajetória solo. A música virou símbolo do axé music e levou o artista a fazer shows internacionais em países como Itália e Chile. O cantor também lançou o clipe da música "Fim de Semana", em 1998.
Como empresário, abriu um estúdio de gravação e mixagem no Rio de Janeiro, espaço utilizado por nomes como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. O artista também criou um selo voltado ao lançamento de novos nomes baianos.
Momentos marcantes e saúde
Netinho foi casado entre 1997 e 2003 com a jornalista Mariana Trindade, união da qual nasceu a filha Bruna Trindade. Em 2010, revelou publicamente ser bissexual. Dois anos depois, no programa "Fantástico", da TV Globo, disse que preferia não estender o assunto: "eu acho cafona ficar falando sobre isso. Não tem muito sentido".
Em 2013, o músico sofreu três acidentes vasculares cerebrais que causaram a perda da voz. Diante do problema de saúde, o artista ficou quatro anos sem participar do Carnaval de Salvador.
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Nas eleições de 2022, disputou uma vaga de deputado federal pelo PL e recebeu 31 mil votos, sem conseguir a eleição, figurando como suplente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apoiador declarado de Jair Bolsonaro, o cantor participou de ato a favor do então presidente em 2021, posicionamento que gerou críticas.
