Romances eróticos e sombrios são prazerosos, afirma a escritora americana Colleen Hoover. Foi apostando nessa combinação que ela se aventurou pelo suspense em “Verity”, o livro de ficção mais vendido no Brasil neste ano, cuja adaptação está em cartaz nos cinemas.

O título nasceu em 2018. Embora já fosse uma das autoras de romance mais populares do mundo, ela se sentia empacada. Decidiu, então, experimentar algo mais chocante, violento e apimentado.

“Não gosto que me coloquem em uma caixinha”, diz Hoover. “Tenho livros paranormais, romances, livros para jovens e suspenses. Adoro escrever aquilo que parece divertido no momento.”

Na história, a escritora fictícia Verity Crawford fica paralisada após sofrer acidente de carro, deixando inacabada uma popular série de livros. O marido dela, Jeremy, contrata uma autora falida para terminar o trabalho. Ela se chama Lowen.

A personagem vai morar na casa de Verity para investigar a vida da escritora, mas perde o foco quando encontra suposta autobiografia da celebridade. Nas páginas, Lowen depara com uma Verity cruel, que descreve atos de violência contra os próprios filhos e confessa não ter desenvolvido amor materno.

Além disso, Lowen passa a ver a escritora fora da cadeira de rodas, andando pela casa e encarando-a pelas janelas. Sem saber se está fantasiando, encontra refúgio em Jeremy, com quem começa a se envolver.

O filme é erótico como o livro. Há, por exemplo, a cena em que Lowen abocanha a cabeceira da cama durante o sexo, marcando o móvel no mesmo lugar que Verity mordeu uma vez enquanto transava.

Em momento inédito em relação ao livro, Lowen se masturba pensando em Jeremy. Ela entra em paranoia e imagina um beijo em Verity, que a morde até os lábios sangrarem.

'Mulher em queda'

Questionada sobre o apelo do erotismo na literatura e sobre a ascensão dos “dark romances”, mistura de sexo e violência, Hoover diz que é divertido escrever e ler histórias assim. Ela flertou com o gênero em “Mulher em queda”, no qual um homem obsessivo fica na cola de uma mulher emocionalmente abalada.

Há oito anos, “Verity” já mostrava interesse de Hoover por temas pouco morais. A Verity da autobiografia lida por Lowen descreve atos de violência contra os filhos recém-nascidos. No cinema, não há a passagem mais polêmica do livro, na qual a personagem relata ter usado um cabide para tentar abortar.

“Verity” estreia no momento em que o erotismo na cultura volta a ser discutido no Brasil. Em setembro, durante a Bienal do Livro de São Paulo, homens mascarados beijaram jovens no estande de uma editora dedicada a livros de “dark romance”, causando causou polêmica nas redes sociais.

Lowen é interpretada pela atriz Dakota Johnson, famosa por “Cinquenta tons de cinza”, uma das histórias eróticas mais famosas do mundo.

Verity é vivida por Anne Hathaway, mais conhecida pelas personagens bondosas e ingênuas de “O diabo veste Prada” e “O diário da princesa”. Ela disse que se empolgou com a chance de chocar plateias. Jeremy chega às telas com o ator Josh Hartnett.

Recomendado para adultos, o livro “Verity”, publicado no Brasil pela Galera, selo juvenil da Record, lidera a lista de obras de ficção mais vendidas do país: quase 130 mil exemplares, 150% a mais que no ano passado.

O diretor Michael Showalter diz que a vontade de filmar “Verity” aumentou graças às “imagens vívidas do livro” e as histórias de Hoover “funcionam bem no cinema”.

É irônico que ele diga isso. Embora a americana já tenha visto quatro dos seus títulos ganharem vida no audiovisual, a adaptação mais popular de todas, baseada no livro “É assim que acaba, ficou marcada por uma batalha judicial entre os dois protagonistas.

A atriz Blake Lively acusou de assédio sexual o ator Justin Baldoni, afirmando que ele improvisou beijos não previstos no roteiro. Baldoni processou Lively por difamação. Um juiz rejeitou as principais alegações de assédio feitas pela atriz e os dois lados chegaram a um acordo.

À época, Hoover escreveu mensagens de apoio a Lively no Instagram. Mas recuou, desativou o Instagram por um período e parou de comentar o caso.

No ano passado, declarou ter criado uma barreira com “É assim que acaba” e que o caos em torno da adaptação cinematográfica a fez ter vergonha de ter escrito aquela história.

Abuso doméstico

Hoover passou a ser criticada por romantizar a violência doméstica. O livro foi baseado em abusos sofridos pela mãe da escritora. Agora, ela afirma que “Verity” a ajudou a recuperar a paixão pelo ofício.

“Passo por momentos difíceis como escritora o tempo todo. Na época, eu não estava bem, e a arte é uma luta. Você precisa estar no estado de espírito certo para criar”, diz.

A autora atribuiu aquele momento ruim também a problemas de saúde. Recebeu o diagnóstico de câncer, passou por cirurgias e informa que está livre da doença.

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“VERITY”

EUA, 2026, 114 min. De Michael Showalter, com Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett. 16 anos. Sessões em salas dos shoppings BH, Big, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, ItaúPower, Minas, Norte, Pátio Savassi, Ponteio e Via, além do Cine Belas Artes.

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