Há uma cidade inteira escondida debaixo da lona do circo. Antes de o público chegar, artistas entrarem em cena e as luzes se apagarem, uma operação de grandes proporções precisou percorrer centenas de quilômetros. No caso do Le Cirque, que estreou ontem (1º/10) no estacionamento do Shopping Del Rey, a mudança de Campinas (SP) para Belo Horizonte envolveu 27 carretas, seis motorhomes e 80 pessoas.



“Não é fácil manter um circo”, conta Orlando Alvino, produtor do Le Cirque. Combustível, pedágios, pneus, manutenção de veículos e o transporte de uma estrutura desse porte estão entre os principais custos de uma companhia itinerante. E, depois de chegar ao destino, ainda existe o desafio de encontrar espaço adequado para instalar aquilo tudo.



“Dificilmente as cidades têm um terreno que comporte o circo. Quando você consegue, o aluguel é muito caro”, diz.



A dimensão da logística ajuda a compreender por que a imagem romântica do circo como a trupe que peregrina de uma cidade para outra não corresponde inteiramente à realidade. Dezenas de veículos, equipamentos, artistas e profissionais precisam ser deslocados e instalados a cada nova temporada. O espetáculo pode durar menos de duas horas, mas a preparação envolve uma estrutura permanente de transporte, montagem e ensaios.



No palco, o objetivo é fazer com que todo esse aparato desapareça aos olhos do espectador. É nesse contraste que está a “magia” do circo.



O Le Cirque integra uma longa tradição da família Stevanovich, ligada aos picadeiros há mais de 150 anos. A companhia que leva esse nome, no entanto, só foi criada em 1999, na França. Passou, então, a combinar elementos tradicionais do picadeiro com estrutura de espetáculo de grande porte. Integrantes da família estiveram à frente de espetáculos que circularam pela Europa e América do Sul.



Com números tradicionais – acrobatas, equilibristas, trapezistas, contorcionistas, mágicos e palhaços –, o Le Cirque reúne artistas da Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, Equador, Ucrânia, França, Alemanha e Brasil. Entre as principais atrações, apresenta o Globo da Morte e a palhaçaria.



Nesta época de forte entretenimento digital, a presença física do artista diante do público e a interação com a plateia são o diferencial, fazendo com que um espetáculo seja diferente do outro.



“Por mais que o pessoal treine muito, às vezes acontece alguma coisa que a plateia nem fica sabendo”, destaca Alvino. “O treinamento existe para reduzir o imprevisto, mas não para eliminá-lo completamente.”



Dia das crianças


Le Cirque chega à capital mineira no período que antecede o Dia das Crianças. A temporada foi viabilizada em parceria com o Shopping Del Rey, que completa 35 anos neste mês. Para Alvino, a relação com as crianças continua sendo uma das razões de o circo preservar seu espaço no imaginário popular.



“O circo é uma eterna criança. Enquanto existir criança, o circo será eterno”, garante o produtor.



LE CIRQUE
Estacionamento do Shopping Del Rey (Av. Presidente Carlos Luz, 3.001, Pampulha). De segunda a sexta-feira, às 20h; sábados, domingos e feriados, às 16h, 18h e 20h. Ingressos: R$ 50 (VIP/inteira) e R$ 40 (assento central/inteira e infantil). À venda na bilheteria ou no site lecirqueoficial.com.br.



Outras atrações


>>> SARA NÃO TEM NOME


A cantora, compositora e multiartista belo-horizontina Sara Não Tem Nome faz show nesta sexta-feira (2/10), no Teatro Marília (Av. Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). O repertório conta com canções autorais, entre elas as do disco mais recente da artista, “A situação”. Entrada franca.



>>> “MEZCLA” NO MARÍLIA


O cantor e compositor Ricardo Ulpiano apresenta o show “Mezcla” no sábado (3/10), às 20h, no Teatro Marília. A apresentação comemora os 28 anos de carreira do músico. No repertório, canções autorais produzidas entre 2002 e 2026. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia), à venda na bilheteria ou na plataforma Sympla.



>>> PERERÊ NO QUILOMBO

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Sérgio Pererê faz show no Quilombo Irmandade Os Carolinos (Rua Amiro Rodrigues Campos, 276, Aparecida), neste sábado (3/10), às 17h. A apresentação ocorre um dia antes do início dos festejos da irmandade, realizados até 19/10. Pererê apresenta canções de seu repertório que dialogam com as tradições do reinado. Entrada franca.


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