Ninguém está livre das contradições em "A sombra da mentira", romance de estreia do mineiro Rodrigo Sena Magalhães, publicado pela editora Patuá. Ambientado em Belo Horizonte, o romance policial acompanha Olga A., uma jornalista que se vê tragada para o universo de um serial killer depois de criticar a demora na solução das investigações sobre uma série de assassinatos de mulheres.
Leia Mais
Olga é a primeira a reconhecer o modus operandi do assassino. E acerta ao atribuir os crimes a uma mesma pessoa, algo que a imprensa ainda não havia feito e que a polícia se recusava a comentar. Os casos são semelhantes, tendo sempre vítimas mulheres de classe alta, mortas com um tiro à queima-roupa na têmpora. As balas são de calibre 22, banhadas em prata. E, depois de assassinadas, as vítimas tinham o rosto maquiado e as alianças roubadas.
Olga decide investigar. O erro da jornalista, contudo, foi dar mais holofotes ao assassino do que ao caso, batizando-o de "Matador de Madames". Com as mortes recorrentes, programas sensacionalistas de TV passaram a repercutir o assunto, adotando o apelido criado pela jornalista, e a polícia se viu obrigada a se pronunciar, o que alimenta ainda mais a curiosidade popular.
O criminoso, então, começa a enviar correspondências para Olga. Na primeira, explica suas motivações. "Para matar os monstros, bala de prata. Para esconder a verdade, maquiagem", escreveu em carta. Na segunda, antecipa a próxima vítima. E, por fim, pede que a jornalista abandone o trabalho no jornal e escreva sua biografia. Em troca, promete encerrar a matança. Paralelamente, a polícia corre contra o tempo para evitar novos assassinatos.
Rodrigo constrói seus personagens a partir da teoria dos arquétipos de Carl Jung. Chegando ao final do romance, nota-se que o vilão é uma pessoa perturbada, cujos traços problemáticos vêm da infância, fase de maior vulnerabilidade. Da mesma forma, outros personagens assumem as personalidades do herói, do sábio e do explorador.
Além das ideias do psicanalista suíço, o autor também se inspirou em grandes vilões da literatura e do cinema, sobretudo Hannibal Lecter, de "O silêncio dos inocentes" (1991). "Todos eles têm dificuldade em assumir o que realmente são", conforme repete o escritor.
Foi nas viagens de ônibus coletivo em Ipatinga que Rodrigo tirou as principais ideias para sua estreia na literatura. No trajeto entre casa e trabalho, ouviu histórias de adultério, moralismo religioso e preconceitos velados. Entre elas, a de uma empregada doméstica que contou à amiga que a patroa evangélica e moralista costumava trair o marido com rapazes bem mais jovens.
"A sombra da mentira", portanto, conta uma história de mistério marcada por intrigas, ciúmes e jogos de poder, o que aguça a curiosidade do leitor.
A SOMBRA DA MENTIRA
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
. De Rodrigo Sena Magalhães
. Editora Patuá
. 230 páginas
. À venda por R$ 60, no site da editora (editorapatua.com.br)
