LUTO

Zuenir Ventura, jornalista e imortal da ABL, morre aos 95 anos

Autor de obras como '1968' e 'Cidade Partida', o imortal da ABL marcou gerações com seu olhar atento e a habilidade de traduzir a nossa história

Publicidade
Carregando...

O jornalista e imortal da Academia Brasileira de Letras Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22/9), aos 95 anos. A família confirmou a morte. Segundo a ABL, a morte foi causada por uma pneumonia. O velório sejá nesta quarta-feira (23/9), na sede da ABL, no Centro do Rio de Janeiro, O enterro será no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Zuenir Carlos Ventura nasceu em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba, Minas Gerais. Filho do pintor de paredes José Ventura e da dona de casa Herina de Araújo, mudou-se aos 11 anos para Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Na adolescência, deu aulas para crianças do primário em troca de uma bolsa de estudos.

Leia Mais

Aos 20 anos, foi para o Rio cursar Letras Neolatinas na Universidade do Brasil, atual UFRJ, onde teve aulas com Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima. Começou no jornalismo como arquivista na Tribuna da Imprensa e se tornou repórter após escrever um artigo sobre o escritor Albert Camus.

Conciliando as redações com as salas de aula, Zuenir foi professor na Escola de Comunicação da UFRJ e ganhou o apelido de Mestre Zu. Na imprensa, foi editor, diretor e chefe de reportagem em veículos como Correio do Manhã, Fatos & Fotos e O Cruzeiro. Em 1967, ajudou a criar o jornal alternativo O Sol.

Livros que marcaram o debate social

A observação atenta dos cenários político e social resultou em obras importantes. Lançado em 1988, o livro "1968 — O ano que não terminou" analisou a fase mais violenta da ditadura militar e inspirou a minissérie "Os anos rebeldes", da TV Globo.

Devido à sua vivência dos acontecimentos, Zuenir foi preso em dezembro de 1968, após a decretação do AI-5. Ele passou três meses na prisão, dividindo a cela com o psicanalista e escritor mineiro Hélio Pellegrino.

Em 1994, publicou "Cidade partida", uma reportagem em livro sobre as barreiras socioeconômicas do Rio de Janeiro. A obra, que abordou a chacina de Vigário Geral, venceu o Prêmio Jabuti. Outro trabalho de destaque foi "Chico Mendes – Crime e castigo", originado de uma série de reportagens premiada no Jornal do Brasil.

Reconhecimento e ABL

Ao longo da carreira, Zuenir Ventura acumulou diversas distinções. Em 2008, a ONU o premiou como um dos cinco jornalistas que mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo Ariano Suassuna.

Zuenir Ventura deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro e Elisa.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Tópicos relacionados:

abl academia letras livro

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay