MÚSICA

Simone apresenta ‘um som diferente’ no show ‘Que mulher é essa?’

Cantora, que traz a turnê a BH neste sábado (12/9), comenta o processo criativo do espetáculo, ao lado de Ronaldo Fraga, Ana Frango Elétrico e Mari Pitta

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Que mulher é essa!? É uma mulher que queria uma causa, uma razão muito forte para sair do conforto de sua casa, ir para o aeroporto, pegar avião, chegar a um hotel e, às vezes, não dormir muito bem. Uma mulher que queria não falar só dela, mas das outras, “as gênias, as maravilhosas, mas também as espancadas, estupradas”.

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Uma baita mulher de 1,80m, linda aos 76 anos, de cabelos grisalhos, que resolveu deixar de lado alguns de seus standards e começar (quase) de novo, com o perdão do trocadilho, com mais de 50 anos de carreira. Simone leva neste sábado (12/9) ao Minascentro o show “Que mulher é essa!?”.

Com ingressos esgotados, a apresentação, a quinta da nova turnê estreada em agosto, é a concretização de um sonho de mudança que ela almejava há muito. “Eu queria um som diferente desde o show dos 50 anos de carreira (“Tô voltando”, de 2023). Mas não rolou (na época) o que rolou agora. E foi por causa da Ana”, ela diz.

Ana, no caso, é Ana Frango Elétrico, cantora, compositora, produtora e multi-instrumentista de 28 anos, que assina a direção musical da turnê. A atual temporada, “um trabalho tipo comunidade”, com a equipe transformando a residência de Simone, no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, numa espécie de Airbnb (palavras dela), foi concebida por um quarteto.

Simone, Ronaldo Fraga, que assina a direção artística e o figurino, Ana Frango Elétrico e Mari Pitta, que fez desenho de luz e cenário. E mais a banda formada por Chico Lira (piano), Giordano Bruno (baixo, estreando com a cantora), Vitor Cabral (bateria) e Filipe Coimbra (violão e guitarra).


Pedra da Gávea

“Todo mundo engravidou junto”, conta Simone, que abriu as portas de sua casa para receber a equipe. Foi tudo ali mesmo, à vista da Pedra da Gávea (cuja imagem foi levada para o cenário), incluindo os 20 dias de ensaio. “Eu já tinha feito um trabalho assim, mas não com essa intensidade”, diz ela, citando o show “Eterno recomeço”, que fez ao lado de Ivan Lins. “Dessa vez, a gente ficou muito próximo. Eu adotei a Ana, a Tuca, mãe da Ana, o Ronaldo. A gente tomava café e jantava junto todos os dias.”

As marcações de luz foram feitas na sala da cantora. “A Mari Pitta chegava e riscava a sala (para fazer as medições).” Foi a gaúcha que chegou para Simone e perguntou: “Tu tá disposta a mudar mesmo, né?” Simone confirmou e perguntou o porquê. “Com essa equipe aí, não tem jeito”, emendou Mari.

A equipe, ou seja, Ronaldo e Ana, saíram da cabeça de Simone. “Encontrei várias vezes com o Ronaldo. Uma delas, ele veio aqui em casa e ficamos conversando horas. Uma noite lindíssima, ele encantado com a Pedra da Gávea...” Simone ligou, e ele topou.

Com Ana Frango Elétrico foi diferente. “Um tempo atrás, a gente fez um show no Circo Voador em prol das vítimas (das enchentes) no Sul. Vi o atrevimento dela conversando com o Marcos Valle, dando umas sugestões. Depois nos encontramos em São Paulo, nos vimos em um sarau. No dia seguinte, liguei dizendo que gostaria de trabalhar com ela.”

No primeiro encontro, sobraram faíscas. “Eram três chifrudos conversando. Aí eu disse: ‘Gente, vamos consertar aqui uma coisa: cada um de vocês tem 30% (do show), e eu tenho 40%. Aí, foi.” Mas ela não esquece dos pesadelos que teve quando Ronaldo levou uma amostra do figurino que iria fazer.

“Ele chegou com um pedaço de rede e disse que minha roupa seria feita com aquilo. ‘O que é isso?’, perguntei. ‘É uma rede de pescar’.” Ele disse que seria cinza. Cinza não, prata. É este o vestido. Simone está gostando tanto de usá-lo que deixou de lado, por ora, o segundo figurino que o estilista mineiro criou.

O show conta com alguns sucessos muito conhecidos na voz dela, como “Yolanda” e “Jura secreta”. “Acho que gravei umas 10 do repertório (de pouco mais de 20 canções)”. Um bom exemplo é “Tudo que você podia ser” (Lô e Márcio Borges), que Simone gravou em seu primeiro álbum solo, de 1973. De Milton Nascimento, que ela vem cantando em toda a carreira, a escolhida foi “Maria, Maria” (letra de Fernando Brant).

Das novidades, “Quando eu te conheci”, de Dona Onete, e “Velha roupa colorida”, de Belchior, vieram de sugestões de Ronaldo. “Baby” (Caetano Veloso) a pega sozinha no palco. Há também Roberto e Erasmo (“Se você pensa”, que abre o show), Rita Lee e Roberto de Carvalho (“Cor-de-rosa choque” e “Bem-me-quer”).

Marina Lima, que Simone adora, tem uma canção no show. Na estreia, a escolha foi “Grávida” (da parceria Arnaldo Antunes). Nos shows posteriores, ela mudou para “Fullgás” (Marina e Antonio Cícero). “Eu queria homenagear o Cícero, que foi uma pessoa muito importante para mim”, explica a mudança.

Simone diz não ter se importado em abrir mão de alguns clássicos de seu repertório: “Tô voltando” e “Começar de novo”, por exemplo, não estão no show. “Quando você chama pessoas como essas, e depois incorpora na sua equipe, tem que estar disposta. Ajoelhou, reze.”

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SIMONE
Show “Que mulher é essa!?”, neste sábado (12/9), às 21h, no Minascentro ( Avenida Augusto de Lima, 785, Centro). Ingressos esgotados.

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