Novo disco do Dinossaur Jr. retoma origem lo-fi em fase inspirada
Com "There near", seu 13º álbum, grupo norte-americano volta às raízes de seu punk-country-pop barulhento que influenciou toda uma geração
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FOLHAPRESS - Acaba de sair "There near", 13º álbum de estúdio do trio americano Dinosaur Jr. e o primeiro da banda em cinco anos, desde o pouco inspirado "Sweep it into space".
O novo álbum parece apontar para uma volta ao passado lo-fi e mais barulhento da banda, o que é um bom sinal. Desde que surgiu em Amherst, Massachusetts, há 42 anos, o Dinosaur Jr. criou uma sonoridade única que unia o rock clássico americano de Neil Young & Crazy Horse ao punk hardcore que J Mascis, na guitarra e vocais, Lou Barlow, no baixo e vocais, e Murph, na bateria, idolatravam.
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A banda nunca fez sucesso comercial, mas seu punk-country-pop, que tem em The Cure uma influência gigantesca, inspirou bandas em toda parte do mundo. É difícil imaginar o emo, especialmente suas vertentes mais pesadas, existindo sem a influência das guitarras e dos vocais chorosos de Mascis.
De Sunny Day Real Estate e Jawbreaker, de My Chemical Romance a Jimmy Eat World, todo mundo deve ter passado longas horas chorando num quarto escuro ouvindo a versão do Dinosaur Jr. para "Just like heaven", do Cure.
Mas não foi só nos Estados Unidos que o trio deixou a marca: em entrevistas recentes, Stephen Patman, do Chapterhouse, contou como os timbres viajantes das guitarras distorcidas de Mascis inspiraram toda a cena britânica de shoegaze, que inclui grupos como My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Lush e o próprio Chapterhouse.
Voltando ao disco novo: a faixa que abre o álbum, "Several got away", é típica Dinosaur Jr.: um power-pop sujo e acelerado que junta barulho e doçura, tudo embalado pela voz lindamente imperfeita de J Mascis.
Como sempre, os instrumentos do trio parecem "separados" na mixagem, como se você estivesse num estúdio vendo a banda ensaiar. O solo de guitarra de "No friends", segunda faixa do disco, surge de repente num volume muito maior do que a canção, e o efeito é desorientador e empolgante.
Uma das canções mais bonitas do disco é "Everything at once", um rock épico com um ingrediente um tanto raro na carreira da banda: um refrão que dá para cantar junto.
É o Dinosaur Jr. entrando em território do Cheap Trick. Durante entrevistas para o disco, Mascis conta que gravou "There near" com um amplificador Mesa Boogie MK1 dos anos 70, mesmo modelo usado no primeiro disco da banda e que não era usado desde então.
Será o segredo "retrô" do novo LP? Lou Barlow colabora com duas faixas ótimas, "Blowin'Up" e "No one's ready", que ele próprio canta e que tendem a cair para um lado menos barulhento e mais R.E.M. Enfim, "There near" parece ser um dos LPs mais inspirados de Mascis, Barlow e Murph em muito tempo.
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Que ninguém espere que os três subitamente venham com grandes inovações ou mudanças de direção. Ninguém deve mexer em time que está ganhando há mais de quatro décadas.