Após dez anos, Paula Fernandes retorna à Festa do Peão de Barretos nesta quinta-feira (27/8). A cantora abrirá as provas de montaria cantando “Ave Maria” em cima de um cavalo, revivendo uma tradição do início de sua carreira.
Na sexta-feira (28/8), ela sobe ao palco Amanhecer para um show próprio que celebra seus 42 anos. O repertório inclui sucessos como “Pássaro de Fogo” e canções do novo álbum, “30 & Poucos Anos”.
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Em entrevista à BBC News Brasil, Paula Fernandes refletiu sobre sua trajetória e as mudanças na indústria musical. Ela destacou que, hoje, o mercado está mais acostumado à presença feminina no sertanejo, um cenário diferente do que encontrou no passado.
Um cenário moldado para homens
A cantora relembrou o preconceito que enfrentou no início da carreira, quando chegou a fazer 220 shows em um ano. "Não consigo descrever o olhar de espanto de quando eu chegava. Era tudo moldado para homens", contou.
Ela mencionou pedidos simples que causavam estranheza na época. "'Por que ela pediu um banheiro no camarim? Por que pediu um espelho?'. Os homens chegam de botina, trocam de roupa em qualquer lugar", explicou.
Paula também citou a necessidade de um palco sem buracos por usar salto, o que descreveu como uma necessidade feminina, não um luxo. Apesar do surgimento do movimento feminejo, ela aponta que as mulheres ainda são minoria no gênero.
Os números do próprio evento em Barretos confirmam sua percepção. Na sexta-feira, dos 22 artistas programados, apenas três são mulheres (13,6%). Considerando os seis dias de festa, a representatividade feminina cai para 11,6%.
A artista celebra que nomes da nova geração, como Ana Castela, não precisem lidar com as mesmas dificuldades, incluindo fofocas sobre supostos relacionamentos para impulsionar a carreira. "Me deram cinco namorados em uma semana. Aí a frase era: 'boazinha, mas passa o rodo, né?'. E eu solteira, super quietinha", relembrou.
Com o tempo, o ritmo intenso de trabalho diminuiu. Ela explica que atingiu um ponto em que desejava uma "velocidade de cruzeiro", pois era impossível manter a rotina de 2011. Para Paula Fernandes, o maior sucesso é o que vive agora: "Equilíbrio é sinônimo de sucesso para mim."
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.