Filha dos artistas plásticos Álvaro Apocalypse e Terezinha Veloso, fundadores do Giramundo, Beatriz Apocalypse, mais conhecida como Bia, cresceu cercada por desenhos e bonecos. Diretora artística do grupo, ela coordena atualmente as ações do teatro de bonecos.
A infância marcada pela criatividade também fez parte da vida dos quatro filhos de Bia – Sest, Hot, Gabriel e Álvaro, o mais novo. “Eles tiveram a infância misturados ali aos desenhos e aos bonecos também”, conta.
Foi a partir das memórias familiares que teve origem “Onde os sonhos nascem”, espetáculo, ou melhor, primeiro passo de um experimento cênico, como prefere Bia. A estreia nesta sexta-feira (21/8) integra a programação do projeto Sesi Multilinguagem. A montagem tem também sessões no sábado e no domingo.
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CRIAÇÃO COLETIVA
A narrativa acompanha Álvaro, uma criança que encontra no desenho uma companhia e transforma sombras e objetos do cotidiano em um universo onde tudo pode ganhar vida. Os cinco integrantes da família participaram da criação a partir das próprias experiências de infância.
O roteiro é de Hot, que, além da atuação no teatro, é conhecido na música como rapper. Sol Markes participa como atriz convidada, interpretando a mãe de Álvaro. As noras de Bia, Sofia e Márcia, também ajudaram na criação da montagem, enquanto Ricardo da Mata, pai de Álvaro Neto, atua na parte técnica.
“É tudo muito familiar, um espetáculo bem família, da nossa história. Recuperamos o desenho, o brincar com o desenho, desenhar com as sombras e diálogos que tivemos na infância”, afirma a diretora.
Quando os filhos eram pequenos, Bia costumava brincar de criar formas nas paredes com eles. No espetáculo, as sombras são feitas a partir de desenhos do filho mais novo. Já o cenário foi pensado como uma extensão do universo da criança, onde desenho, sonho e realidade se misturam.
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“A gente acreditou sempre em bonecos, né? Que eles tinham vida. Na verdade, eu acho que eu acredito até hoje”, diz Bia. “Onde os sonhos nascem” possui trinta minutos de duração.
Para ela, trabalhar ao lado dos filhos também representa uma forma de dar continuidade à história da família, que desde 1970 trabalha com o teatro de bonecos. “Para mim é uma alegria tremenda estar trabalhando com todos eles e seguindo o que os avós deixaram aí para gente. E o principal é o sonho. O sonho que virou realidade”, conta.
A intenção é que “Onde os sonhos nascem” cresça e ganhe novos elementos. A ideia é ampliar a quantidade de bonecos e levar o espetáculo para outros lugares. “Indo aos pouquinhos, como vários espetáculos do Giramundo que aconteceram assim. A gente pretende ir aumentando, colocando mais bonecos e circular com esse espetáculo”, adianta.
Fábula e filosofia
Outro grupo mineiro conhecido pelo teatro de bonecos também está em cartaz em Belo Horizonte. “Fábulas antropofágicas”, do Pigmalião Escultura que Mexe, volta à cidade para temporada no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3613 – Horto), nesta sexta (21) e sábado (22), às 20h, e domingo (23), às 19h. Com marionetes, humor e situações absurdas, a montagem parte das fábulas de Esopo e de obras da filósofa Márcia Tiburi para refletir sobre questões do mundo contemporâneo, como violência, poder e a ascensão de figuras cruéis e populistas. A dramaturgia é de Eduardo Felix e Márcia Bechara. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), e estão à venda na bilheteria do teatro e no Sympla.
“ONDE OS SONHOS NASCEM”
Montagem do Grupo Giramundo. Nesta sexta (21/8) e sábado, às 20h, e domingo (23/8), às 19h, no Teatro de Bolso Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda no Sympla.
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