Assassinato de Sharon Tate é revisto em nova série documental
‘Conversando com um serial killer: A mente de Charles Manson’, disponível na Netflix, traz gravações feitas na prisão em que o psicopata fala sobre seus crimes
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Quantas vezes é possível assistir a uma mesma história? Depende de quem conta. O documentarista Joe Berlinger é hoje o realizador mais relevante na seara do true crime. Jeffrey Epstein e Ted Bundy são alguns dos perversos que ele já retratou. Foi indicado ao Oscar por “Paradise lost 3” (2011), sobre um dos maiores erros jurídicos da história dos Estados Unidos.
Berlinger agora narra o que talvez seja o mais absurdo dos crimes ocorridos nos EUA: os assassinatos sangrentos a mando do maníaco Charles Manson (1934-2017). Recém-lançada pela Netflix, a minissérie “Conversando com um serial killer: A mente de Charles Manson” apresenta como trunfo gravações inéditas realizadas com o psicopata na prisão.
Ouvimos, no decorrer dos três episódios, Manson falando loucuras sobre o crime, religião, os Beatles, a morte, a vida na prisão. Não é um material extenso; tampouco explica as motivações para o Caso Tate-LaBianca. Este é o nome pelo qual ficaram conhecidos os assassinatos, com requintes de crueldade, da atriz Sharon Tate e outras quatro pessoas, dentro de sua casa, em Los Angeles, em 9 de agosto de 1969, e do casal Leno e Rosemary LaBianca, na mesma cidade, no dia posterior.
A série apresenta, de forma cronológica, os acontecimentos que colocaram um ponto final no movimento hippie. Baixinho (media 1,57 m) e frágil, Manson não feriu nenhuma dessas pessoas. Todas as mortes foram cometidas por jovens que integravam a Família Manson, culto que ele comandou nos arredores de Los Angeles.
A produção segue a linha do tempo por meio de alguns vieses. Além do off do psicopata, há material das TVs da época, uma dramatização bem-feita com atores que se parecem muito com os personagens reais, e depoimentos de quem esteve envolvido com o caso. Ainda que não tenha nenhuma grande novidade, a costura de Berlinger leva o espectador a adentrar numa história que já foi documentada por outras séries, filmes e livros.
A cereja do bolo aqui são os depoimentos. A produção ouviu jornalistas que cobriram o caso – o julgamento principal, de Manson e três seguidoras, durou mais de seis meses –, pesquisadores e antigos membros da seita. São três mulheres, hoje na casa dos 70 anos, que falam para a câmera como foi viver na Família Manson e se relacionar com o líder. Nenhuma das três participou dos crimes.
Assim que eram aceitos no grupo, os integrantes ganhavam novos nomes. A série apresenta Catherine Share, conhecida por Gipsy; Stephanie Schram (chamada de Carol Mathews) e Dianne Lake, ou Snake, a mais jovem do grupo. Filha de um artista que abandonou tudo para se tornar hippie, ela entrou para a “família” com 14 anos. Viveu por dois anos no Rancho Spahn, o antigo estúdio onde a seita se estabeleceu até os crimes.
Das três, Dianne parece a única que conseguiu ter uma vida relativamente estável depois de tudo. Ela fala que, no início, havia um clima de harmonia. Também discorre sobre os abusos psicológicos e sexuais sofridos na mão de Manson. Relata ainda o crescente de loucura e excesso de drogas que levou aos crimes.
Ainda que o promotor Vincent Bugliosi tenha alegado, no julgamento, que os assassinatos foram motivados por uma guerra racial anunciada por Manson, a série deixa claro que todo o horror ocorreu porque ele tentava tirar um dos integrantes da “família” da prisão.
Prova do interesse que o crime suscita quase 60 anos depois, o Disney+ também lançou, há pouco, o documentário “Meu avô Charles Manson”. O título, autoexplicativo, foi dirigido por Sophia Maddox, que mostra como descobriu, já adulta, sua verdadeira origem.
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“CONVERSANDO COM UM SERIAL KILLER: A MENTE DE CHARLES MANSON”
• A minissérie, com três episódios, está disponível na Netflix.