No início deste século, com a pós-retomada do cinema brasileiro e implantação da Lei do Audiovisual, o Ministério da Cultura criou o Prêmio do Cinema Brasileiro. Houve duas edições, vencidas, respectivamente, por “Orfeu” (1999), de Cacá Diegues, e “Eu, tu, eles” (2000), de Andrucha Waddington. Pouco depois, um grupo de profissionais, fora do governo, resolveu fundar sua própria academia.

Foi dessa maneira que, em maio de 2022, nasceu a Academia do Cinema Brasileiro. Na noite desta terça-feira (4/8), o Theatro Municipal do Rio de Janeiro recebe a 25ª edição da premiação, que hoje leva o nome de Prêmio Grande Otelo. Na edição comemorativa, que será transmitida pelo YouTube e pelo Canal Brasil, haverá farta distribuição de troféus.

Serão anunciados vencedores de 32 prêmios para longas, curtas e séries. Fazendo jus a sua vitoriosa trajetória, “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, é o campeão de indicações, com 18 ao todo. Os votantes são quase 400 profissionais associados à entidade. Um só prêmio, o de Melhor Filme pelo Júri Popular, será escolhido pelo público. Os concorrentes são os finalistas de Melhor Longa de Ficção, Comédia e Documentário.

A festa, que vai se estender até a Cinelândia, com a transmissão em telão para quem estiver na praça no Centro do Rio, será apresentada pelas atrizes Marieta Severo e Silvia Buarque, mãe e filha. Haverá homenagens aos vencedores ao longo da história do prêmio. Ney Matogrosso abre o evento.

Presidente da Academia, a produtora Renata Almeida Magalhães, cofundadora da entidade, afirma que a premiação ocorre no início do segundo semestre por uma questão muito simples. “Precisamos de patrocínio, não conseguimos levantar (a verba) no primeiro semestre. Por isso, mudamos a janela da premiação sem seguir o ano civil.” Ou seja, podem se inscrever produções lançadas entre maio do ano anterior a abril do ano corrente.

'O último episódio', dirigido pelo mineiro Maurilio Martins, com Matheus Sampaio, Tatiana Costa e Daniel Victor, disputa o troféu de Melhor Longa Infantil

Leonardo Feliciano/Divulgação

É também função da Academia indicar a produção brasileira que poderá concorrer a uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Diante de polêmicas durante a gestão Jair Bolsonaro – o governo, por exemplo, tentou interferir na seleção do filme que representaria o país na edição de 2020 em Hollywood –, a entidade definiu que ela, e só ela, pode fazer tal seleção.

“Hoje, a indicação tem zero viés político. O filme é escolhido por uma comissão aprovada pela Ampas (Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, promotora do Oscar), totalmente desvinculada de qualquer pressão”, acrescenta Renata.

Mitologia do Oscar

Para ela, a vaga no Oscar é importante para a produção de qualquer país. “Ele tem toda uma mitologia, todo o mundo quer ganhar o Oscar, então é importante, porque joga uma luz na cinematografia de um lugar. Só que é premiação feita para a indústria americana. Os filmes internacionais estão ali praticamente de carona. É claro que a gente, que faz cinema brasileiro, adora o reconhecimento. Mas o que mais interessa é o nosso mercado.”

Renata chama a atenção para uma situação bastante grave no Brasil. “Há muitos filmes sendo produzidos, mas, ao mesmo tempo, eles não estão chegando nas pessoas. Depois da pandemia, o cinema é a atividade (artística) que pior se recuperou. As pessoas descobriram que podem ver um filme dois meses depois (do lançamento nas salas) na sua TV gigante. Ainda falta a regulamentação do streaming”, acrescenta.

Ano passado, 208 longas nacionais foram lançados nos cinemas. Metade deles, diz Renata, teve público de 700 espectadores. De acordo com ela, quatro longas (“O agente secreto”, “Ainda estou aqui”, “Homem com H” e “O Auto da Compadecida 2”) fizeram a participação no mercado no ano de 2025. “(O resultado) Exige várias medidas de políticas públicas mesmo, de querer fazer do cinema uma indústria forte, como já foi no passado”, garante.

A mineira Grace Passô, indicada a Melhor Atriz Coadjuvante, com a pernambucana Rebeca Jamile no set de filmagem de 'O filho de mil homens'

Instagram/reprodução

LONGAS EM COMPETIÇÃO

• FICÇÃO

• “Homem com H”, de Esmir Filho
• “Manas”, de Marianna Brennand
• “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho
• “O filho de mil homens”, de Daniel Rezende
• “O último azul”, de Gabriel Mascaro

• COMÉDIA

• “Agentes muito especiais”, de Pedro Antonio
• “C.I.C – Central de Inteligência Cearense”, de Halder Gomes
• “Sexa”, de Gloria Pires
• “Sonhar com leões”, de Paolo Marinou-Blanco
• “Uma mulher sem filtro”, de Arthur Fontes
• “Velhos bandidos”, de Claudio Torres

• DOCUMENTÁRIO

• “A queda do céu”, de Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha
• “Apocalipse nos trópicos”, de Petra Costa
• “Hora do recreio”, de Lucia Murat
• “Mambembe”, de Fabio Meira
• “Ritas”, de Oswaldo Santana e Karen Harley

• INFANTIL

• “Narciso”, de Jeferson De
• “O diário de Pilar na Amazônia”, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put
• “O último episódio”, de Maurilio Martins
• “Os dragões”, de Gustavo Spolidoro
• “Thiago e Ísis e os biomas do Brasil”, de João Amorim

• ANIMAÇÃO

• “Authentic Games no Império Desconectado”, de Bruno Murtinho
• “Eu e meu avô Nihonjin”, de Celia Catunda
• “Nosso louco amor”, de Nelson Botter Jr.
• “Tainá e os guardiões da Amazônia”, de Alê Camargo e Jordan Nugem

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PRÊMIO GRANDE OTELO

O evento será transmitido a partir das 20h15 desta terça-feira (4/8) pelo canal da Academia Brasileira de Cinema no YouTube e pelo Canal Brasil. Confira todos os finalistas no site da academia.

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