Netflix anuncia data de estreia de novo filme de Gabriel Martins
Na lista de habilitados a representar o Brasil no Oscar 2027, "Vicentina pede desculpas" inaugura parceria da produtora Filmes de Plástico com a plataforma de streaming
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Incluído na na lista de habilitados a disputar a vaga de representante do Brasil na categoria melhor filme internacional para o Oscar 2027, o novo longa-metragem de Gabriel Martins, "Vicentina pede desculpas", estreia nos cinemas brasileiros no dia 5 de novembro e na Netflix no dia 20 de novembro.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (27/8) pela plataforma de streaming, que, com essa obra, inaugura parceria com a produtora mineira Filmes de Plástico - de Gabriel com Maurílio Martins, André Novais e Thiago Macêdo Correia.
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Antes da estreia nacional, "Vicentina pede desculpas" terá première mundial no dia 12 de setembro, na mostra competitiva da 51ª edição do Festival Internacional de Cinema de Toronto.
O longa integra também a seleção da mostra principal do 74º Festival Internacional de Cinema de San Sebastian, que acontece de 18 a 26 de setembro. O diretor se diz empolgado com a chegada ao circuito internacional e com sua primeira participação no festival da cidade canadense.
A sinopse do filme revela que a história, que se passa em Belo Horizonte, começa com um trágico acidente de ônibus em que praticamente todos os passageiros e o motorista, Wesley, morrem.
As câmeras de segurança do ônibus, que caiu de um viaduto ao fazer um desvio repentino, e outras evidências indicam que o motorista poderia ter agido intencionalmente. Sua mãe, Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos, fica devastada e decide procurar as famílias das vítimas para pedir desculpas.
Episódios trágicos
Martins diz que vem gestando essa ideia há mais de 10 anos e que ela se conecta com dois episódios que tiveram grande repercussão. Um deles foi a ação de Andreas Lubitz, o copiloto que se trancou na cabine do avião quando o piloto saiu e propositalmente causou a queda da aeronave, matando 150 pessoas, entre passageiros e tripulantes.
O outro foi o sequestro do ônibus 174, no Rio de Janeiro, em 2000, e o velório do sequestrador, Sandro Barbosa do Nascimento, no qual apenas sua mãe estava presente.
"Fiquei pensando em quem está ao redor de uma tragédia", diz o diretor. "Outra coisa é que Vicentina era o nome da minha avó. Foi a minha primeira experiência com a morte, eu tinha 12 anos, então também é uma homenagem a ela", acrescenta.
Ele considera que o grande trunfo de seu filme, que o credenciou a integrar mostras competitivas de festivais internacionais e entrar na lista dos habilitados a representar o Brasil no Oscar, é a atuação da atriz Rejane Faria, que faz o papel da protagonista.
"Ela carrega uma personagem muito difícil de fazer, entre o luto e a culpa, em uma jornada solitária que o espectador acompanha o tempo todo. O filme é muito centrado nessa figura. Rejane entregou o que é, para mim, a grande atuação da carreira dela", diz.
O diretor destaca que o reconhecimento desse trabalho nas premiações no Brasil e fora é das coisas que mais o deixariam feliz. Ele chama a atenção para a origem da atriz, no teatro, com o grupo Quatroloscinco, e sua evolução diante das câmeras.
Atuação difícil
Martins lembra que Rejane já estrelou diversas produções da Filmes de Plástico, inclusive o primeiro filme que dirigiu sozinho, "Marte Um", que foi o representante brasileiro na corrida para o Oscar em 2023.
"A cada filme que faz, ela vai entendendo mais a linguagem cinematográfica. Pensei nessa personagem, Vicentina, como um presente para Rejane. É uma atuação difícil, representar uma pessoa no pior momento de sua vida, uma carga muito grande, e ela cumpriu essa jornada de maneira incrível", ressalta.
Sobre a possibilidade de ter, novamente, um filme escolhido para tentar o Oscar, ele diz que naturalmente nutre expectativas, mas que os outros títulos na lista de habilitados - inclusive o conterrâneo "Nosso segredo", de Grace Passô - são candidatos fortes, também com carreiras internacionais expressivas.
"Se essa indicação vier, vou ficar muito honrado, mas acredito que estar nesta lista já é um destaque importante", pontua. Ele também exalta a parceria com a Netflix.
"Representa um salto no maior alcance possível. O filme vai estrear em mais de 90 países, então vamos conseguir alcançar muita gente com a atenção devida. Era um roteiro difícil de filmar, com muitas locações, com cenas que demandaram muito. A estrutura que a Netflix ofereceu foi muito importante no processo de produção e agora, então, na distribuição, nem se fala", destaca.
Queda do ônibus
Quando fala em cenas que demandaram muito, ele alude especialmente ao acidente com o ônibus. Avenidas tiveram que ser interditadas para as filmagens do coletivo despencando do viaduto Helena Greco, na região central da cidade.
"Foi uma coisa que envolveu prefeitura, engenheiros, o núcleo de cinema de Belo Horizonte, todo mundo junto para tentar fazer essa cena acontecer da melhor forma possível. Tivemos que entender como jogar o ônibus, então foram meses e meses de preparação", diz Martins.
Ele observa que superar esse desafio foi um grande momento para toda a equipe. "Mudou nossa maneira de nos relacionarmos com o filme, porque trouxe um impacto para essa gincana que é fazer um longa-metragem funcionar. Foi cansativo, gratificante e divertido também", afirma.
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Além de Rejane Faria, o elenco de "Vicentina pede desculpas" conta, ainda, com Maíra Azevedo, Renato Novaes, Giovanni Venturini, Giovanna Heliodoro, Thalma de Freitas, Flavio Bauraqui e Grace Passô.