Livro de Musso Greco discute psicanálise além do consultório
Em "Psicanálise e cidade" autor reflete sobre as possibilidades de atuação da prática em diferentes espaços sociais
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O psiquiatra e psicanalista Musso Greco sempre se interessou por pensar a relação entre a psicanálise e a cidade. Desde que começou a atender os primeiros pacientes, gostava de refletir as possibilidades de levar a escuta psicanalítica para além do consultório. Essas questões agora tomam forma no livro “Psicanálise e cidade” (Hífen). “Penso que o que eu pretendo com esse livro é colocar para a cidade mais essa possibilidade da psicanálise aplicada”, resume Musso.
Em tom ensaístico, a obra reúne relatos pessoais, poesias e pesquisas para discutir a relação entre o inconsciente e a vida em sociedade. O autor afirma que o livro tem como principal público os profissionais de saúde mental, especialmente os mais jovens e aqueles que não utilizam a psicanálise como ferramenta de trabalho. A intenção é também questionar a visão de que a prática estaria restrita aos consultórios.
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“Principalmente os mais jovens e aqueles que não têm utilizado ainda a psicanálise como sua ferramenta terapêutica para intervenção nos casos que chegam por conta de um desconhecimento ou de uma ideia”, avalia.
Sem paredes
Em Belo Horizonte, Musso Greco destaca a presença da psicanálise em diferentes áreas. Segundo ele, a prática está no serviço público, na assistência social, no sistema socioeducativo, nas universidades e nas escolas. “O analista pode usar a sua escuta para fazer intervenções em instituições, por exemplo, em situações de urgência, às vezes até em um atendimento só”, afirma.
O autor explica que esse tipo de intervenção se diferencia da atuação de outros profissionais de saúde mental por considerar o inconsciente e o saber que o próprio sujeito desconhece.
“A intervenção do analista, ela é em tudo diferente da intervenção de um psiquiatra ou de um psicólogo, ou de qualquer outro profissional da saúde mental”, diz. Para ele, o trabalho considera “essa noção de inconsciente, de que há um saber que o próprio sujeito carrega em si, um saber que ele desconhece, um saber inconsciente”.
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A relação entre psicanálise e cidade também aparece na discussão sobre os modos de habitar os espaços e estabelecer relações. Musso acredita que a análise pode provocar mudanças na forma como o sujeito circula pela cidade e constrói seus laços sociais.
“O sujeito que passa por uma análise, ele encontra condições de construir um novo corpo para circular pela cidade e um novo tipo de laço social para poder interagir com as outras pessoas dessa cidade”, diz. O lançamento de “Psicanálise e cidade” acontece neste sábado (22/8), às 11h, na Vila 211, bairro Serra. A entrada é gratuita.
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PSICANÁLISE E CIDADE
- Livro de Musso Greco
- Editora Hífen
- R$ 100
- 248 páginas
- Lançamento neste sábado (22/8), às 11h, na Vila 211 (Rua Professor Estêvão Pinto, 211, Serra). Entrada gratuita.