Citando clássico de Milton, Chico César se torna cidadão honorário de MG
Título foi concedido ao cantor e compositor paraibano nesta sexta (21/8), na Assembleia Legislativa; artista começou discurso com versos de 'Para Lennon e McCartney'
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"Sou do ouro, eu sou vocês, sou do mundo, sou Minas Gerais". Citando os versos de "Para Lennon e McCartney", clássico de Milton Nascimento, o cantor e compositor Chico César abriu seu discurso na manhã desta sexta-feira (21/8) após receber título de Cidadão Honorário de Minas Gerais na Assembleia Legislativa.
A solicitação da honraria foi feita pela deputada Andréia de Jesus (PT), com o apoio de um terço dos deputados, pelos “relevantes serviços prestados à música, à literatura e à cultura brasileira”. Na década de 1990, Chico César foi homenageado na Câmara dos Vereadores de São Paulo, também como cidadão honorário da cidade.
Em sessão cheia no plenário da Casa, o artista reverenciou os mineiros Maurício Tizumba, Milton Nascimento, Titane e Família Alcântara mostrando sua intensa conexão com a cultura mineira. A mesa de honraria foi integrada pelas deputadas Andréia de Jesus (PT) e Leninha (PT) – que presidia a mesa –, e pelas deputadas estaduais Célia Xacriabá (PSOL) e Dandara Tonantzin (PT).
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“Agora você é cidadão de Minas. Das minas cuja riqueza não se resume ao minério, mas sobretudo à beleza e à força de nosso povo. Onde o sol e o calor não impedem ninguém de festejar, de dançar. Minas Gerais dos congadeiros, do carnaval, dos blocos, da capoeira”, discursou Andréia.
Parceiros na plateia
A celebração não ficou a cargo apenas das deputadas presentes, mas de parceiros musicais de Chico. A cantora Titane e o multiartista Maurício Tizumba marcaram presença para homenagear o paraibano.
“O Chico é um cidadão do mundo, mas também de Minas Gerais. Ele conhece as mazelas no nosso estado. Nada mais justo que esse reconhecimento”, afirmou Tizumba após a cerimônia.
Em discurso de agradecimento, Chico César citou os artistas presentes e reverenciou Milton Nascimento, citando novamente a canção “Para Lennon e McCartney”, o escritor Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade.
“E agora mineiro então, como posso ser modesto com um título desse?”, declarou o artista, após se questionar se seria realmente mineiro e citar Drummond que disse que "mineiros são reservados, observadores e modestos".
Ao falar sobre seu reconhecimento em Minas, o cantor e compositor lembrou que amigos diziam que Tizumba seria uma “versão mineira” e vice-versa (Chico César é paraibano).
Ao ser perguntado pelo Estado de Minas se não teria uma relação direta com Minas, o artista respondeu que tem, mas com uma Minas invisibilizada. “Talvez não se veja muito a Minas preta, a Minas descendente dos indígenas. É deles que eu venho. Dos últimos 20, 30 anos, essa Minas tem reivindicado o seu lugar e é aí que eu entro”, afirmou o cantor.
Pereira da Viola, natural de Teófilo Otoni, no Vale do Rio Doce, cantou o Hino Nacional e encerrou a cerimônia com duas de suas canções: “Amor quilombola” e “São Jorge”.
Jornalista que se tornou músico
Chico César nasceu em Catolé do Rocha, interior da Paraíba, e ao longo de sua carreira ficou conhecido por misturar ritmos nordestinos com reggae, rock, pop e referências da música africana. Desde jovem, teve forte conexão com a literatura e, aos 16 anos, se mudou para João Pessoa para estudar jornalismo.
Veio para o Sudeste aos 21 anos, quando, em São Paulo, trabalhou como jornalista e revisor de textos na Editora Abril. Ao mesmo tempo, começou a se apresentar em pequenos locais da cena paulistana e começou a desenvolver o tema central de sua obra: a aproximação entre música, poesia e experimentação.
Chico César gravou 11 discos de estúdio, com parcerias de nomes como Lenine, Geraldo Azevedo e Zeca Baleiro. Também ganhou na 29ª edição do Prêmio da Música Brasileira na categoria Melhor Álbum de pop/rock/reggae/hiphop/funk, com o disco “Estado de poesia – Ao vivo”.
Ao Estado de Minas, o artista contou que se pudessem falar com o jovem que saiu da Paraíba para ser jornalista em São Paulo ele diria: "Vai dar tudo certo! Você vai chegar em lugares que você nunca nem imaginou que talvez nem tenha desejado”.
Além da música, Chico César lançou três livros de poesia, dos quais um foi indicado ao Prêmio Jabuti por Melhor Livro de Poesia, em 2016.
A última passagem de Chico César em Belo Horizonte foi em maio deste ano, quando ele se apresentou ao lado do Zeca Baleiro, no Palácio das Artes. Na ocasião, os artistas apresentaram "Ao arrepio da lei", álbum de inéditas que começou a ser gravado em 2021 e só foi lançado em março de 2024. O projeto celebra a parceria entre os músicos, que começou 32 anos atrás.
* Estagiário sob a supervisão da subeditora Tetê Monteiro
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