Artes cênicas

Bárbara Colen estreia hoje como diretora de teatro

Atriz dos filmes 'Bacurau' e 'Aquarius' dirige a peça 'Farewell', com sessão única nesta quinta (6/8), em BH, levando sua experiência no cinema para o palco

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Desde que largou o direito para se tornar atriz, Bárbara Colen trabalhou com diretores que lhe deram muita liberdade criativa. Nada mais natural, portanto, que se comportasse do mesmo modo em sua estreia como diretora de teatro.

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Foi o que ela fez ao longo dos últimos cinco meses, quando se dedicou a “Farewell”, peça cuja direção divide com o colega e amigo Vinícius de Souza. Com sessão única nesta quinta-feira (6/8), às 20h, no Teatro Sesiminas, o espetáculo é resultado de laboratório de formação artística e criação realizado pela Escola de Audiovisual do Senai.

“Farewell” reúne 22 atores e atrizes, além da Orquestra Sesiminas, para compor o mosaico em torno de Maria Lúcia do Amparo, protagonista da trama. Carinhosamente apelidada Dona Lucinha, a professora aposentada de inglês descobre ter pouco tempo de vida. Diante da morte iminente, expressa o último desejo: assistir a um concerto de orquestra.

A família não só atende a vontade dela, como reúne depoimentos gravados por amigos, ex-alunos e pessoas próximas para serem exibidos durante o espetáculo.

O público não chega a conhecer Maria Lúcia. “A personagem vai sendo construída a partir dos relatos”, diz Bárbara Colen. São depoimentos de pessoas muito diversas, que parecem estar ali meio perdidos, mas se juntam numa espécie de caleidoscópio, que dá a ideia de quem é aquela mulher e de sua percepção a respeito da morte.

Monólogos

A narrativa fragmentada foi ideia de Vinícius de Souza, que construiu a dramaturgia de “Farewell” em processo de colaboração coletiva com o elenco. Nos primeiros ensaios, a diretora mineira pediu aos atores que levassem monólogos para serem apresentados. Alguns textos se complementaram e os pontos de intersecção foram amarrados por Vinícius.

Embora apresentada ao público pela visão de terceiros enquanto vive situação delicada, Dona Lucinha não é transformada em figura ilibada, santificada pela vulnerabilidade. Não se trata de nenhum tipo de adaptação de “Boca de ouro”, de Nelson Rodrigues (1912-1980). Qualidades, defeitos e contradições da professora aposentada de “Farewell” são postos às claras pelos depoimentos em vídeo.

Tais registros não são exibidos na íntegra. A peça foca na construção das gravações: como cada personagem gravou seu vídeo, as memórias compartilhadas e os encontros de cada um com Dona Lucinha. “Muitas informações sobre a Maria Lúcia vão aparecendo. E não diria que são muito elogiosas”, brinca Bárbara.

Organizado em sucessão de quadros, o espetáculo alterna cenas ao vivo e projeções para construir o mosaico de pessoas e histórias que orbitam a protagonista.

“Uma das maiores preocupações minhas e do Vini era estarmos abertos para as ideias do elenco. Queríamos que os meninos pudessem se expressar, agregando elementos no texto e nos personagens. É muito importante o artista trabalhar com temas que goste de abordar”, avalia a diretora.

Filmes de Plástico

Com experiência em cinema e TV – estreou no curta “Contagem”, de Gabriel e Maurílio Martins, da produtora mineira Filmes de Plástico –, Bárbara não se sentia segura para assumir a direção de uma peça teatral.

Enquanto atriz, participou de vários festivais nacionais e internacionais de cinema como integrante dos elencos de “Aquarius” (2016), de Kleber Mendonça Filho; “Bacurau” (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles; “No coração do mundo” (2019), de Gabriel e Maurilio Martins; “Desterro” (2020), de Maria Clara Escobar; e “Fogaréu” (2022), de Flávia Neves.

Mais recentemente, em 2024, foi homenageada na Mostra de Cinema de Tiradentes, ao lado de André Novais Oliveira, também da Filmes de Plástico, criada em Contagem.

Semelhança

Toda essa experiência foi levada para o teatro. “A direção cinematográfica é mais técnica em certos sentidos”, ela reconhece. “Mas saio desse projeto (‘Farewell’) com a sensação de que as coisas são muito mais parecidas do que diferentes”, comenta.

“Talvez a diferença seja uma questão de gestualidade ou do corpo que a gente precisa explorar ali na expressividade do palco. O mais interessante é que quando a gente dirige, acaba aprendendo muito. Da próxima vez que atuar, vou entender a atuação por outro prisma, o que me fará crescer”, diz Bárbara Colen, revelando a vontade de dirigir outros projetos e atuar em mais peças de teatro.

“FAREWELL”

Dramaturgia: Vinícius de Souza. Direção-geral: Bárbara Colen e Vinícius de Souza. Elenco formado por alunos da Escola Senai de Audiovisual. Nesta quinta-feira (6/8), às 20h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). Entrada franca, com retirada de ingressos na bilheteria a partir das 18h.

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