O contrabaixista e regente Rossini Parucci teve a ideia de criar a orquestra com a intenção de viajar para difundir o repertório da música de concerto em cidades menores
- (crédito: Vinicius Correia/Divulgação )
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Quando estudante de composição e regência em Londrina, Rossini Parucci recebeu de seu professor, o maestro Othonio Benvenuto, um conselho. Ele deveria tocar um instrumento de orquestra para ganhar experiência, já que, como parte de um grupo, teria a oportunidade de observar outros maestros.
Foi dessa maneira que Parucci, de 44 anos, começou a estudar contrabaixo. Há 10 anos integrante deste naipe na Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, há quatro regente titular da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina (OSUEL), ele assume mais um papel neste sábado(1º/8), na Sala Minas Gerais.
O concerto “Da ópera ao jazz” vai marcar a estreia da Orquestra de Câmara Nacional (OCN), projeto capitaneado por Parucci, maestro e diretor artístico da nova formação. “Meu desejo com essa orquestra veio através de uma reflexão. É muito difícil um grupo orquestral tocar em pequenas cidades. Nem todas têm espaço adequado, muitas vezes não se consegue recursos para tocar no interior.”
Com o formato de câmara, com um número menor de musicistas, a orquestra poderá tocar em espaços alternativos. “Igrejas, salões de escolas. Assim, fica mais acessível. Qual seria a chance de uma cidade de 50 mil habitantes escutar a Quarta Sinfonia de Mahler? Com um grupo de câmara, isto seria possível”, afirma o regente.
A intenção é que haja mediação em cada apresentação. “Não dissocio concerto de educação. Quero preparar as pessoas para o que elas vão escutar. Tanto que, no concerto, haverá primeiro um vídeo falando da série.”
Sobre o repertório, Parucci diz que a intenção é explorar novas possibilidades. “Muitas vezes, quando se toca o repertório de uma sinfonia com a orquestração original, há algum material que fica perdido na massa (sonora). Com um grupo menor, começam a aparecer novas possibilidades de sons.”
Intercâmbio
A noite deste sábado será como uma carta de apresentação da OCN. A orquestra não tem um corpo fixo de musicistas. Para a estreia, serão 25 no palco da sala, boa parte colegas de Parucci na própria Filarmônica.
“Como ela foi criada para rodar o Brasil, não tem um corpo estável. A ideia é ter um núcleo fixo e utilizar músicos das localidades (onde a orquestra se apresentar). A intenção é ter um intercâmbio com os músicos.” Mirando o futuro, ele também sonha em levar a formação para o exterior. “Daí, eu levaria um grupo pequeno do Brasil e poderia tocar com brasileiros que residem fora.”
O concerto “Da ópera ao jazz” será aberto com “O Guarani”, de Carlos Gomes. “Queria começar com música brasileira. E acho que, das peças sinfônicas, ela é uma das mais, se não a mais conhecida. Fiz o arranjo com a redução para um grupo de câmara”, conta. Na sequência, será executado o prelúdio da ópera “Tristão e Isolda”, de Wagner. “Por mais que tenha sido escrita para uma formação maior, ela tem uma característica de música de câmara, com um material melódico mais transparente.” A soprano Melina Peixoto participa como solista.
A segunda parte da apresentação será dedicada ao jazz, com duas das obras mais conhecidas de George Gershwin: “Rhapsody in blue” e “Um americano em Paris”. “Ambas foram, originalmente, pensadas para pequenos grupos. Quis mostrar o lado original das composições para orquestra e piano.” Lucas Thomazinho, na opinião de Parucci, “um dos maiores talentos do piano brasileiro da atualidade”, vai acompanhar a orquestra em “Rhapsody in blue”.
Parucci diz que está em contato com prefeituras para levar este programa para o interior. “Estamos esboçando datas e agendas. Mas, primeiro, vamos lançar o projeto para mostrar para as pessoas as possibilidades”, diz ele. Filho de mineiros nascido em Londrina – “Tanto que me considero mineiro” –, Parucci se graduou em música na Arizona State University.
No retorno ao Brasil e já vivendo em Belo Horizonte, participou, em 2018, da 10ª edição do Laboratório de Regência da Filarmônica. “Tenho aproveitado todos esses anos no contrabaixo na Filarmônica. Toda semana de trabalho é como se fosse uma aula de regência”, diz.
ORQUESTRA DE CÂMARA NACIONAL Concerto de estreia neste sábado (1º/8), às 18h, na Sala Minas Gerais (Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto). Ingressos: de R$ 28,50 a R$ 235, à venda no Sympla.
Celesta - Criada na França por Auguste Mustel em 1886, inspirada no Glockenspiel.
Teclas acionam martelos que batem em lâminas de metal, produzindo som suave e cintilante.
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Piano: Inventado na Itália por Bartolomeo Cristofori no século XVIII como evolução do cravo. Teclas acionam martelos que percutem cordas, criando sons variados em dinâmica e tonalidade.
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Tamborim: Pequeno tambor de mão com som seco e rítmico. Originado na Ásia e popularizado no Brasil com o samba. Acentua ritmos leves e dançantes na orquestra.
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Glockenspiel: Teclas metálicas tocadas com baquetas, emitindo som brilhante e agudo. Inspirado em sinos e desenvolvido na Alemanha no século XVIII. Complementa melodias com brilho cristalino
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Marimba: Semelhante ao xilofone, mas com teclas maiores e ressonadores. Originada na África e aperfeiçoada na Guatemala no século XIX. Produz sons profundos e melódicos, criando passagens envolventes.
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Xilofone: Teclas de madeira tocadas com baquetas, produzindo som seco e percussivo. Originado na África e popularizado na Europa no século XIX. Executa melodias ágeis com timbre característico.
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Pratos: Discos metálicos de choque com som explosivo e prolongado. Originados na Turquia no século XVII e introduzidos na orquestra por compositores europeus. Acentuam clímax musicais e transições dramáticas.
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Tímpanos: Membranas ajustáveis por pedal, permitindo afinação precisa. Originados na Pérsia Antiga e adaptados na Europa no século XVII. Marcam ritmos, intensificam harmonias e criam tensão dramática.
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Tuba: O mais grave dos metais, com som encorpado e profundo. Criada no século XIX na Alemanha por Wilhelm Wieprecht e Johann Gottfried Moritz. Sustenta a base harmônica da orquestra com potência e profundidade.
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Trombone: Usa vara deslizante para alterar as notas, com som poderoso e versátil. Surgiu na Idade Média como "sacabuche" e foi padronizado na Itália no século XV. Destaca-se por sua sonoridade dramática e solos expressivos.
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Trompa: Tubo enrolado com som aveludado e poderoso. Evoluiu de instrumentos de caça na França no século XVII, aperfeiçoada com válvulas por Heinrich Stölzel. Liga madeiras e metais, tocando melodias nobres e harmonias profundas.
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Trompete: Tubo enrolado com som brilhante e penetrante. Usado desde a Antiguidade, foi modernizado no século XIX com válvulas por Heinrich Stölzel na Alemanha. Toca fanfarras, temas heroicos e solos vibrantes.
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Clarinete: Tem palheta simples e grande extensão tonal, com som suave e versátil. Inventado na Alemanha no início do século XVIII por Johann Christoph Denner. Une agilidade melódica com harmonia rica, ligando madeiras e metais.
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Oboé: Usa palheta dupla para um som penetrante e expressivo. Surgiu na França no século XVII, criado por Jean Hotteterre e Michel Philidor. Conduz a afinação orquestral e toca melodias elegantes e emotivas.
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Contrabaixo: O maior e mais grave das cordas, com som encorpado e profundo. Originado na Europa no século XV, evoluiu do violone renascentista. Fornece a base harmônica e rítmica, sustentando toda a orquestra.
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Violoncelo: Grande e tocado apoiado ao chão, com som profundo e emotivo. Desenvolvido na Itália por Andrea Amati no século XVI, como evolução da viola da gamba. Oferece suporte melódico e harmônico, além de solos expressivos.
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Viola: Semelhante ao violino, mas maior e com som mais grave e aveludado. Surgiu na Itália no século XVI, também atribuída a Andrea Amati. Conecta harmonias entre violinos e violoncelos, trazendo profundidade ao conjunto.
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Algumas orquestras também podem incluir piano e celesta, dependendo da obra executada.
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A percussão tem tímpanos, bombo, pratos, triângulo xilofone , marimba, glockenspiel e tamborim.
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Os metais unem trompa, trompete, trombone e tuba.
Imagen de Jaronn gmn de Pixabay, Martin Steiger/Wikimédia
A família das madeiras abrange flauta, oboé, clarinete e fagote.
Imagem de Th G por Pixabay e Gisbert K, Gebrüder Mönnig e Bassoon/Wikimédia Commons
As cordas são violino, viola, violoncelo, contrabaixo e harpa.
Imagens de Heike Hartmann, MAGstd de Pixabay e Flickr luismbo e Amgueddfa Cymru
Uma orquestra é geralmente dividida em quatro famílias de instrumentos: cordas, madeiras, metais e percussão. Veja cada um deles.
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