É raro ver Anya Taylor-Joy em alguma cena de “Lucky” em que sua personagem não esteja sangrando, suja, cheia de hematomas – ou tudo isso junto. Estrela da minissérie que a Apple TV lança nesta quarta-feira (15/7), a atriz vê a protagonista como “uma gata sendo jogada na água quente o tempo inteiro.”
Lucky Armstrong está à beira do abismo. A vida tem sido toda assim. Criada pelo pai, o ladrão John (Timothy Olyphant), aprendeu a sobreviver aplicando pequenos golpes. Agora, casada com Cary (Drew Starkey), espera viver tranquilamente com os US$ 10 milhões que o casal guarda na suíte magnífica do Caesar’s Palace. Só que ela acorda em um pesadelo em Las Vegas. Não só tem de fugir da agente do FBI Billie Rand (Aunjanue Ellis-Taylor), como dos capangas da própria sogra, a mafiosa Priscilla Matheson (Annette Bening).
“Adoro filme de golpes. Sempre sofisticados, sensuais, com aquele charme do George Clooney. ‘Lucky’ oferece uma visão bem diferente, pois trata de alguém que precisa continuar se movendo para sobreviver. Para isso, ela tira algo das outras pessoas”, afirma Anya, pela primeira vez assumindo o papel de produtora-executiva de uma série.
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Produção da Hello Sunshine, de Reese Witherspoon, “Lucky” é adaptação do romance homônimo de Marissa Stapley. Foi criada por Jonathan Tropper (“Seus amigos e vizinhos”) e Cassie Pappas. “O que tornou tudo tão fascinante foi contar a história de uma família disfuncional que, ao mesmo tempo, envolvia riscos de vida ou morte”, afirma Pappas ao Estado de Minas.
“Lucky”, o livro, foi lançado em 2022 no Brasil pela Record. “O romance trata da relação entre pai e filha, de como John cria Lucky à sua imagem e semelhança. A série traz um ritmo acelerado, enquanto o livro dá mais tempo para mergulhar nos flashbacks”, explica Cassie Pappas.
“Criamos uma trama diferente e personagens novos porque certos aspectos que adorávamos no livro não nos permitiriam manter o suspense tão intenso quanto queríamos”, acrescenta Jonathan Tropper.
A minissérie explora muitas locações. A trama tem início em Las Vegas, onde o casal Lucky e Cary vai comemorar os milhões. O cassino do Caesar’s Palace, um dos mais célebres hotéis da cidade, é o primeiro grande cenário. No segundo episódio, em fuga, Lucky passa por longa provação no deserto de Nevada. Há ainda Long Beach e Los Angeles, sempre intercalando sequências de ação com flashbacks que explicam como os personagens foram parar ali.
“Há uma sequência no final do episódio piloto que filmamos à noite. Foi um grande desafio para Anya, pois a cena de luta exigia muito esforço físico”, conta Cassie.
“As filmagens foram desafiadoras de uma maneira que eu não esperava”, afirma a atriz, contando que recebeu a seguinte orientação: “Corra de um jeito mais desajeitado, com os braços balançando. Tem de ficar claro que isso não é algo que você faz sempre, deve haver a preocupação genuína de que você pode ser pega.”
Drew Starkey foi escolhido pela atriz Anya Taylor-Joy, também produtora da série 'Lucky', para viver Cary, o marido 'enrolado' da protagonista
A relação do casal Lucky e Cary é explorada na primeira metade da produção. “Ele encontra alguém que teve experiências de vida incrivelmente semelhantes, embora venham de mundos diferentes. De certa forma, conseguem moldar o próprio destino”, diz Drew Starkey.
O ator foi revelado na série teen “Outer Banks”, escolhido por Anya Taylor-Joy para interpretar seu companheiro de cena.
“Dá para dizer que, de certa forma, os dois estão namorando uma imagem dos próprios pais. Por outro lado, estão tentando desesperadamente não repetir esses papéis”, analisa a atriz.
Disfuncional
Já Timothy Olyphant tem muito a dizer de John Armstrong e a criação disfuncional que deu à filha. Na TV, os personagens mais conhecidos do ator são o xerife Seth Bullock na série “Deadwood” e o delegado federal Raylan Givens em “Justified”.
“O que é atraente em John Armstrong e nestes dois mencionados é a contradição. John está atrás das grades, mas age como se fosse um dos mocinhos. Ele ama genuinamente a filha e está tentando fazer a coisa certa. Só não é capaz de conseguir, é cheio de falhas, meio que um monstro.”
Para Anya, todos os personagens de “Lucky” trazem nuances. “Nós conseguimos criar ambiguidade e justificativas suficientes para todos, a ponto de você ficar dividido sobre o que sentir.” A atriz acha que o público não deve dividi-los entre vilões e mocinhos. “O que pode surpreender é o fato de que todos eles, de certa forma, têm razão”, observa.
Mulheres em destaque
Criada há 10 anos por Reese Witherspoon, a Hello Sunshine tem como premissa realizar projetos com protagonistas femininas. “Há uma mulher no centro da história que, de maneira não convencional, é a heroína de sua própria trajetória?”, responde, com esta pergunta, a produtora Lauren Neustadter sobre as adaptações já realizadas. Entre elas estão sucessos como “Big little lies”, “The Morning Show”, “Daisy Jones & The Six” e a recente “Elle”.
À frente da área de TV e cinema da produtora, Lauren acredita que, no passado, Lucky seria personagem masculina. “É uma oportunidade incrível ver uma figura feminina enfrentando uma situação de extrema pressão. Além disso, suas duas adversárias, Priscilla e Rand, também são mulheres. Isso nos dá a chance de ver a chefe da máfia e a detetive, personagens que, muitas vezes, são interpretadas por homens.”
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“LUCKY”
• A minissérie estreia nesta quarta-feira (15/7), na Apple TV, com o lançamento de dois dos sete episódios.
