Filme que lançou Reese Witherspoon ao estrelato, “Legalmente loira” (2001) é uma comédia de amadurecimento que acompanha uma jovem que entra para Harvard para reconquistar o homem de seus sonhos. Chegando lá, descobre que o curso de Direito é muito mais interessante do que o ex.
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O carisma de Reese explica o sucesso planetário do filme, que teve continuação dois anos mais tarde. Agora, 25 anos depois, Elle Woods volta à carga na série “Elle – Legalmente loira”, principal estreia desta semana no Prime Video.
A Hello Sunshine, produtora capitaneada por Reese e voltada para produções com protagonistas mulheres, assina a série. A narrativa volta alguns anos no tempo para acompanhar Elle em 1995, aos 16 anos, no Ensino Médio. A premissa é a mesma: a tentativa de uma jovem que aparentemente tem tudo de se adequar em um meio que não parece ser o dela.
A semelhança entre a protagonista, Lexi Minetree, e Reese é impressionante. A atriz segue à risca os maneirismos da Elle Woods original, incluindo os olhares e as inflexões na voz.
O episódio piloto mostra a garota em seu mundinho literalmente cor de rosa. Filha única de um casal bem-sucedido de Los Angeles – o pai, interpretado por Tom Everett Scott, é o cirurgião plástico das estrelas, e a mãe, papel de June Diane Raphael, uma versão mais madura da própria filha –, ela começa a trama com uma festa de arromba de aniversário. Está tudo dentro dos planos, incluindo as melhores amigas, o pretendente promissor, até que...
Wyatt Woods, o pai de Elle, cometeu um erro. Uma rinoplastia deformou uma celebridade e ele está queimado (não dá para falar de cancelamento nos anos 1990). A família tem que se mudar para Seattle. Com todos os planos para se tornar a rainha da escola, Elle tem que recomeçar em um lugar onde chove a maior parte do ano, tudo é cinza e o pior: rosa é quase uma cor proibida num mar de jovens que só veste xadrez e ouve grunge.
É com excesso de clichês e um tom para lá de exagerado que a cidade de Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden é apresentada. Kurt Cobain ou Eddie Vedder? é uma das conversas entre os novos colegas de Elle – um peixe fora d’água, a garota não sabe como acompanhar. O descompasso é enorme: as roupas, as conversas, a falta de noção diante de um mundo mais “real”.
Como uma Poliana e seu jogo do contente, Elle não quer se deixar abater. Aos poucos, começa a encontrar seu lugar, ajudando a arrecadar dinheiro para os funcionários da escola, tentando reintegrar uma funcionária (a única amiga que fez) demitida injustamente. Pela primeira vez, ela vai ter que fazer amizade com alunos nada populares.
Seus aliados são improváveis: Dustin (Zac Looker), um skatista britânico e maconheiro, e Liz (Gabrielle Policano), uma garota indie, lésbica e sem dinheiro. A trama segue com todos os elementos que já cansamos de ver em produções do gênero: a paixão pelo atleta da escola (só que em Seattle não tem time de futebol americano, mas de corrida) e a disputa com a garota mais popular.
Não há nada de absolutamente novo – o filme original será sempre superior –, mas a série, com um elenco jovem e afiado, poderá conseguir um público jovem, que está sendo apresentado à personagem somente agora. A segunda temporada já foi confirmada.
“Elle – Legalmente loira” traz a última atuação para TV de James Van Der Beek. Morto em fevereiro, o protagonista de “Dawson’s Creek” (1998-2003) faz uma participação no terceiro episódio, que é, inclusive, dedicado a ele.
Para os nostálgicos, a série é um prato cheio também na trilha sonora. Hit do Garbage, “Only happy when it rains” é a faixa de abertura. “Creep” (Radiohead), “Have you ever really loved a woman?” (Bryan Adams), “New sensation” (INXS) e “Shove” (L7) também estão na série – essa lista de canções é só do primeiro episódio.
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“ELLE – LEGALMENTE LOIRA”
• A primeira temporada, com oito episódios, está disponível no Prime Video.
