Estreia 'A Odisseia', versão grandiosa e milionária do poema de Homero
Filme de Christopher Nolan custou US$ 250 mi, foi rodado em vários países e usou 600 mil metros de película. Elenco traz Matt Damon, Anne Hathaway e Tom Holland
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Ele fez de novo. Três anos após os sete Oscar por “Oppenheimer”, incluindo o de Melhor Direção, Christopher Nolan faz o cinema voltar à ordem do dia com “A Odisseia”. As poltronas da sala de exibição tremem, acompanhando a fúria do deus do mar, Poseidon, que cria um redemoinho para engolir os guerreiros. Várias vezes, o espectador se sente como parte da longa jornada do herói Odisseu para voltar a Ítaca, após a Guerra de Troia.
Talvez hoje o único diretor capaz de atrair multidões por causa de seu nome, Nolan realiza, com a devida grandiosidade, sua versão do poema épico de Homero. Com lançamento hoje (16/7) em boa parte do mundo, “A Odisseia” traduz para o grande público, de forma colossal, os 12 mil versos de uma das histórias mais antigas da humanidade.
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O 13º longa-metragem escrito e dirigido por Nolan tem três horas. Foi filmado inteiramente em película IMAX – portanto, é aconselhável assisti-lo em uma sala com a devida tecnologia. É quase tátil a sensação que as imagens produzem.
Com orçamento estimado em US$ 250 milhões, “A Odisseia” foi rodado em vários cantos do planeta: Grécia (a caverna do Ciclope está numa região montanhosa), Marrocos (cenário para Troia), Itália (um castelo do século 15 na ilha de Favignana, perto da Sicília, serviu de cenário para Ítaca), Islândia (suas areias negras representaram Hades, o reino dos mortos). Nos 91 dias de filmagem, foram gastos 600 mil metros de película.
Deuses do nosso tempo, astros de Hollywood povoam a trama, a partir de Matt Damon, que perdeu 15kg e ganhou muitos músculos para interpretar Odisseu. Guerreiro lendário e rei de Ítaca, é o marido de Penélope (Anne Hathaway), que espera fielmente por seu retorno ao longo dos anos.
Longe do reino por duas décadas, a primeira metade lutando na Guerra de Troia, e a segunda tentando voltar para casa, mal conhece o filho, Telêmaco (Tom Holland).
Quase adulto, mas ainda inseguro, Telêmaco precisa embarcar em sua própria odisseia para tentar encontrar o pai, vivo ou morto. Não pode mais esperar, pois o salão do castelo está repleto de pretendentes ávidos para se casar com sua mãe.
Zendaya, Lupita e Charlize
Só Odisseu consegue ver a deusa Atena, interpretada com discrição por Zendaya. Lupita Nyong’o surge em dois papéis: como Helena, mulher de Menelau (Jon Bernthal), e sua irmã gêmea Clitemnestra, mulher de Agamenon (Benny Safdie).
Charlize Theron é a ninfa Calipso, que se apaixona por Odisseu e cria artimanhas para que ele não volte para casa.
A notável lista de coadjuvantes destaca Samantha Morton, assustadora como a feiticeira Circe, que acaba com todo e qualquer homem que aparece em sua casa de maneira, digamos, pouco ortodoxa.
É tocante a interpretação de Elliot Page como o soldado Sinon, que tem papel essencial no episódio de Troia – algo de que Odisseu vai se arrepender eternamente.
John Leguizamo manteve o sotaque porto-riquenho como Eumeu, o mais fiel dos colaboradores de Odisseu. E Robert Pattinson está insuperável como o dissimulado e vil Antínoo, o pretendente de Penélope que chega mais próximo da rainha. Para tal, conta com a colaboração da criada Melanto (Mia Goth), igualmente hipócrita.
Assim como em “Oppenheimer”, o tempo em “A Odisseia” é embaralhado. Presente, passado distante, passado próximo e futuro só realmente importam em sua relação com os personagens, à medida que envelhecem.
O filme impressiona em sua escala, como também pela maneira fluida com que transita por diferentes tempos e cenários.
Há muitas sequências extenuantes – a longa batalha de Troia, iniciada com um cavalo parcialmente enterrado na praia e não sobre rodas, como ele foi sempre apresentado –, outras aflitivas – Cíclope, o filho renegado de Zeus de um olho só, boneco animatrônico de 18m de altura que come guerreiros como se fossem formigas – e um terceiro grupo de pura adrenalina – o banho de sangue na parte final é catártico, como previsto em um filme de tal envergadura.
Caos
Em “A Odisseia” de Nolan, Odisseu não é mais a figura mítica do poema de Homero. A guerra, seus motivos e a vitória perderam importância diante do caos que veio a seguir. Mais do que guerreiro glorioso, o Odisseu de Matt Damon é um homem que, ao envelhecer, se transfigurou em tristeza e arrependimento.
Ao chegar em casa, que não é nem de longe o lugar que conheceu, ele já compreendeu que, a despeito dos caprichos dos deuses, foram suas próprias escolhas – muito mais erros do que acertos – que o levaram até ali.
Navio viking
As cenas marítimas de “A Odisseia” foram realizadas a bordo do navio viking Draken. Iniciativa do norueguês Sigurd Aase, foi construído a partir de 2008 para seguir, no mundo de hoje, a rota das explorações da Era Viking pelo Atlântico Norte.
Como o período do filme é muito anterior, houve algumas modificações. A tripulação do próprio Draken fez figuração no longa e todos os atores envolvidos nas sequências aprenderam a remar.
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“A ODISSEIA”
EUA/Reino Unido, 2026, 180min. De Christopher Nolan, com Matt Damon, Tom Holland e Anne Hathaway. O filme estreia em todos os complexos de cinema da Grande BH.