Ceramista mineira inaugura individual em Veneza
Mary di Iorio trabalha com o conceito de cerâmica animada e expõe pela primeira vez a série "Cathedra" na Itália, em parceria com o animador Rafael Trindade
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Encantada pelos desenhos da mãe, que descreve como “maravilhosos”, a mineira Mary di Iorio cresceu em meio à arte. Na adolescência, em Belo Horizonte, fez aulas de violino, mas sua paixão se voltou mesmo para a cerâmica. Artista visual, formou-se em Desenho e Artes Plásticas pela Fundação Universidade Mineira de Arte, atual UEMG, e se especializou em História da Arte e Arquitetura no Brasil pela PUC - RJ.
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A partir do próximo dia 14 de julho, Mary leva a série “Cathedra” à galeria Palazzo Pisani Revedin, em Veneza, como parte do MUSA Pavilion Venice 2026, em meio à Bienal de Veneza. Emocionada, a ceramista conta que estar em Veneza é muito importante, por ser sua primeira exposição individual na cidade. A mesma série chega será apresentada em Seul, na Coreia do Sul, em 2 de setembro deste ano.
Cathedra, “cadeira” no Latim, explica parte da exposição da artista. Duas cadeiras feitas de cerâmica, compostas por formas pontudas, são as peças centrais do que Mary batizou de “cerâmica animada”. Em parceria com o animador e diretor Rafael Trindade, as obras físicas são animadas em 3D e exibidas nas galerias, com o intuito de criar experiência imersiva, enxergando a cerâmica além de objetos estáticos.
“Pensei em novas formas de trabalhar a cerâmica depois de queimada, como brincar com as quebras da cerâmica. Foi quando pensei em animar junto com a animação cinematográfica, é uma nova forma de ver a cerâmica”, explica a artista. Ela já orquestrou três mostras animadas: além de “Cathedra”, “Trama” e “Mandala”. As três ao lado de Trindade.
Antes de entrar para a faculdade de artes, Mary di Iorio fez o curso de Artes Industriais do INEP. “Fiz uma pecinha de cerâmica e gostei muito daquilo, depois entrei para a faculdade. Passei a observar mais a cerâmica, sempre tive um encantamento pela cerâmica do Vale do Jequitinhonha – a peça mesmo, as obras com barro. Quando voltei para a faculdade, me entusiasmei e fui meio que autoditada”, afirma.
Mary Iorio realizou sua primeira exposição em setembro de 1969, no Salão Jovem do Minas Tênis Clube. O Estado de Minas cobriu a exposição e dedicou uma página à jovem ceramista, assinada por Mari’Stella Tristão, que destacou a originalidade da artista, pelo emprego de formas que não seguiam o padrão.
Desde então, a mineira expôs no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, no Museu de Arte de São Paulo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, no Museu de Arte da Pampulha, além do Museu do Açude e do Museu de Arte Moderna da Bahia. Realizou mostras também em galerias de cidades como Zurique, Berlim e Dubai.
A artista desenvolveu ainda carreiras como pesquisadora e professora. Ela participou da criação da Faculdade de Artes da Universidade Federal de Uberlândia, em 1972, onde lecionou por 23 anos. “Fui crescendo cada vez mais, e a cerâmica foi se tornando minha linguagem”, diz.
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes