O rapper Sabotage (1973-2003) cantou: “Rap é compromisso, não é viagem”. Em Conceição do Mato Dentro, jovens do grupo Família Metamorfose Coletiva levam este verso a sério. O documentário “Hip hop mato adentro”, dirigido por Renata Rocha, acompanha o coletivo e aborda o cenário do hip hop fora dos grandes centros urbanos.

O filme estreia nesta terça-feira (30/6), às 19h, no Cine Graciano, em Belo Horizonte. A exibição faz parte do projeto Sessão Parcerias – Resistências Sonoras, que promove bate-papo com a diretora após a sessão.

As gravações do primeiro documentário dirigido pela jornalista e atriz foram feitas em maio de 2025. “Tenho raiz muito forte em Conceição do Mato Dentro, porque minha família e meus avós são de lá. Tenho um vínculo afetivo precioso com a cidade. As manifestações culturais de lá sempre me chamaram a atenção”, afirma Renata.

Segundo ela, é curioso ver uma expressão cultural como o hip hop, típica de centros urbanos como Nova York, São Paulo e BH, proliferar em Conceição do Mato Dentro, cidade interiorana ligada ao congado e ao universo sertanejo. 

“Tendemos a pensar o interior pela ótica do passado. Saltou aos olhos a juventude periférica construir ali o movimento que vemos mais em cidades grandes e cosmopolitas”, comenta a diretora.

O coletivo foi conquistando de diferentes formas seu próprio espaço em Conceição do Mato Dentro, cidade da Região Central de Minas.

Brincadeira séria

Relikia, um dos entrevistados, conta que tudo começou como brincadeira, mas com o tempo o grupo se uniu, criou o Família Metamorfose Coletiva e não se limita ao rap. Luta, por exemplo, pela construção de uma pista de skate na cidade.

Ainda alvo de preconceito, o rap é associado a drogas e criminalidade. Isso ocorre mesmo com a popularização do gênero e de seus artistas, que vêm superando estereótipos e se tornando astros da música globalizada. É o caso, por exemplo, de Eminem, Jay-Z e Kendrick Lamar, nos Estados Unidos. No Brasil, destacam-se Racionais, Emicida, Djonga, Criolo e Baco Exu do Blues, entre outros. 

Kog, integrante do coletivo, destaca sua vontade de viver de música, mas revela a dificuldade de “estourar”, especialmente em uma cidade onde o rap não chama a atenção do grande público. Conceição do Mato Dentro, ele aponta, é conservadora e valoriza mais o sertanejo. 

Mãe, a fã nº 1

No filme, relatos dos jovens do coletivo chamam a atenção pelo amor dedicado ao hip hop e a sinceridade com que as dificuldades são descritas. Kog diz que só tem o apoio da mãe. Para ele, o maior incentivo é ouvi-la cantarolando suas músicas. 

“Eles não vivem como MCs. Cada um tem o próprio trabalho, está no seu corre, sobrevivendo e tentando formas de existir para além da arte. O filme apresenta a juventude atrás do seu direito de sonhar, de rimar e de ocupar territórios de maneira poética”, diz a diretora Renata Rocha. 

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“HIP HOP MATO ADENTRO”

O filme dirigido por Renata Rocha estreia nesta terça-feira (30/6), às 19h, no Cine Graciano (Rua Itapecerica, 468, Lagoinha). Entrada franca. Sessão com tradução em libras. 

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

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