Morreu na quinta-feira (4/6), em Itabira, a escritora, ativista quilombola e liderança comunitária Rosemary Alvares de Souza, conhecida como Dona Rosinha. A informação foi confirmada pela Pallas Editora, que publicou a autora.

Aos 67 anos, ela havia lançado recentemente seu primeiro livro, “Memórias do meu quilombo”, obra com prefácio de Conceição Evaristo que reúne lembranças, histórias e experiências construídas ao longo de décadas no Quilombo Santo Antônio, comunidade onde viveu e atuou em defesa dos direitos de seus moradores.

Liderança histórica do quilombo, Dona Rosinha presidiu por dois mandatos a Associação do Quilombo Santo Antônio e a Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira. Também integrou a rede nacional de enfrentamento à violência contra mulheres e atuou por mais de 12 anos como conselheira da sociedade civil no município.

Natural de Belo Horizonte, ela foi criada pela tia, Dona Tita, matriarca do Quilombo Santo Antônio. Ao longo da vida, trabalhou como faxineira, vendedora e balconista, sem abandonar o hábito da escrita, cultivado desde a juventude. Em entrevistas, costumava dizer que registrava no papel tanto momentos de tristeza quanto de alegria.

Foram décadas de anotações reunidas em cadernos até que, em 2023, Conceição Evaristo conheceu os textos durante visita ao quilombo. Impactada pelo material, apresentou os escritos à editora da Pallas e escreveu o prefácio de “Memórias do meu quilombo”, publicado neste ano.

Ao comentar a morte da autora, Conceição destacou a dimensão afetiva e literária de sua trajetória. “Dona Rosinha se foi e nos deixa seu texto-vida. A sua boa prosa. O seu olhar, o seu sorriso, a sua alegria ao ver publicado o seu primeiro livro. Ela estava plena; de letras, de escrita, de palavras, de vida”, afirmou a escritora em nota enviada à imprensa.

A publicação transformou Dona Rosinha em presença frequente em debates sobre literatura, memória, ancestralidade e cultura quilombola.

Neste domingo (7), ela participaria d’A Feira do Livro, em São Paulo, ao lado de Bianca Santana. O encontro foi mantido e será convertido em homenagem, segundo a organização do evento. A autora também integraria a programação do Festival Literário Internacional de Minas Gerais (FliMinas), na terça-feira (9/6). No lugar do bate-papo, haverá homenagem à autora.

Viúva, Dona Rosinha deixa o filho Vinícios Souza e a neta Ana Luiza. O velório será neste sábado (7/6), a partir das 8h, na Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, em Itabira.

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