Um grupo de cinco jovens de Salvador vem chamando a atenção na cena da música alternativa, com um som que eles mesmos batizaram de “rock camaleônico”. Na ativa desde 2017, o Tangolo Mangos costuma descrever a própria sonoridade maximalista como um encontro entre Geraldo Azevedo e Beatles.


Vindos de um estado marcado por forte tradição musical, com nomes que vão de Dorival Caymmi e João Gilberto a Caetano Veloso, a banda construiu uma sonoridade própria, unindo rock psicodélico, MPB e ritmos nordestinos.


O projeto começou de forma virtual, por iniciativa de Felipe Vaqueiro, que já utilizava o nome Tangolo Mangos em músicas lançadas na plataforma SoundCloud. Vaqueiro queria levar as composições autorais para o palco e, aos poucos, outros amigos passaram a integrar a formação iniciada por ele.


“A gente se encontrou nesse lugar de querer fazer canção autoral. O que nos aproximou, a nível de musicalidade, era a ideia de brincar com essa coisa laboratorial de misturar gêneros e linguagens”, diz Felipe Vaqueiro. O músico cita movimentos como a Tropicália e o Manguebeat entre as referências do início do grupo.


Depois de um primeiro álbum gravado de forma improvisada em casa, com estética bastante caseira – no mesmo espírito da estreia do Boogarins, uma das principais referências da banda –, o Tangolo Mangos, que é formado por Bruno Fechine (vozes e percussões), Felipe Vaqueiro (vozes e guitarra), João Antônio Dourado (bateria), João Denovaro (vozes e baixo) e Theo Kiono (vozes e guitarra), chega agora ao segundo disco, com estrutura mais profissionalizada.


“Pedágios y caronas” é o primeiro projeto da banda gravado inteiramente em estúdio. Nele o grupo quis preservar a espontaneidade das apresentações ao vivo. O álbum foi registrado praticamente inteiro ao vivo, com os músicos tocando juntos, sem metrônomo e com poucas intervenções técnicas.


Percussão

Com exceção das partes de percussão feitas posteriormente por Neca, que mora em São Paulo, todo o disco foi captado coletivamente. A ideia, segundo dizem, era aproximar o álbum da experiência dos shows.


“A gente queria que as faixas se aproximassem mais da energia do show. Era um objetivo nosso fazer um disco que fizesse jus ao que acontece no palco”, diz o baterista João Antônio Dourado.


No recém-lançado segundo disco da carreira, o quinteto mistura o rock a instrumentos como bongô, conga, meia-lua, chocalho e triângulo. “Açafrão”, sexta faixa do álbum, traz uma levada de baião.


“Uma coisa que para nós é muito natural, para outras pessoas envolve quase um esforço muscular para adaptar. São ritmos intuitivos para a gente”, afirma João Denovaro. O percussionista Breno, por exemplo, estudou na escola de música do maestro Letieres Leite (1959-2021).


As letras são assinadas por Felipe, Bruno e João Denovaro e, embora o grupo não tenha partido de um conceito fechado, as canções acabam marcadas por questões ligadas à juventude, às transformações da vida adulta e aos deslocamentos vividos pelos integrantes, hoje com idade entre 26 e 28 anos.


Vivacidade

“Esse não foi um disco que a gente escolheu a partir de uma temática específica. Foram músicas que a gente tinha necessidade de jogar para o mundo”, afirma Felipe Vaqueiro. O álbum reúne composições escritas ao longo de quase oito anos. Antes mesmo da gravação, boa parte delas já vinha sendo tocada exaustivamente nos shows da banda, o que ajudou a moldar os arranjos finais.


“Valorizamos a vivacidade nesse disco”, diz Antônio Dourado. “Nenhuma apresentação ao vivo é igual à outra. Talvez a gente toque um pouco mais rápido, talvez encontre prazer em outras coisas no meio do caminho.”


A experiência acumulada desde a formação do grupo, há quase 10 anos, também aparece no discurso dos integrantes sobre o momento atual da banda. “A gente entrega esse projeto de cabeça erguida. É um trabalho do qual temos muito orgulho. Tem muito acúmulo das experiências que vivemos nos últimos anos”, afirma Denovaro.


Já Felipe Vaqueiro vê o novo álbum como uma continuação natural da trajetória do grupo. “Ele soa como uma trilha natural de uma banda que vem de uma condição mais precária. É isso que conseguimos fazer quando temos acesso a outras coisas. E aponta para um novo caminho também”, diz. “Pedágios y caronas” chega ao público após mais de 100 shows do Tangolo Mangos, incluindo apresentações na Europa.

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“PEDÁGIOS Y CARONAS”
• Disco da banda Tangolo Mangos
• 10 faixas
• Disponível nas plataformas

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