Lançado em novembro de 2022, o podcast “Pico dos Marins: O caso do escoteiro Marco Aurélio” foi uma surpresa. Para o público, que descobriu uma história esquecida havia quase 40 anos, e para o próprio criador, o documentarista Marcelo Mesquita, que se aventurava pela primeira vez no formato.


“Foram 4 milhões de downloads, algo que nunca esperei. Não imaginava que as pessoas consumissem podcasts dessa forma, nem que minha voz fosse algo palatável”, afirma. Três anos e meio mais tarde, a história continua. Agora em formato de minissérie, com oito episódios no Globoplay.


A produção apresenta novas informações e personagens sobre o caso do garoto de 15 anos que desapareceu em 8 de junho de 1985, numa expedição na região da cidade de Piquete. Localizado na Serra da Mantiqueira, o Pico dos Marins é o segundo ponto mais alto do estado de São Paulo.


Há oito anos, Mesquita foi procurado por Ivo Simon, pai de Marco Aurélio. “O que eu quis com o Seu Ivo foi levantar um grande cartaz de ‘Procura-se Marco Aurélio’, expor o rosto do filho para não deixar a história cair no esquecimento”, conta.


Mesquita em nenhum momento pensava em um podcast. “Na minha cabeça, ele era audiovisual.” Mas foi o formato em áudio que o Globoplay topou no primeiro momento. Mesquita chegou a dizer não, mas depois mudou de ideia.

“Seu Ivo tem pressa, eu estava com o caso vivo na mão. Então topei, com a condição de que não levaria um gravador, mas sim uma câmera. Tanto que brinco que ele é o primeiro podcast brasileiro filmado.”


Reconstituição

É isto que explica que parte das imagens da série foi rodada durante a pandemia. “Tudo o que se ouviu no podcast foi filmado de forma muito simples. Peguei uma câmera de uma bitola inferior, meu carro, com Seu Ivo do meu lado, o diretor de som e uma produtora. Foram quatro pessoas rodando pela Mantiqueira em um esquema super de guerrilha.”

Os dois projetos, série e podcast, reconstituem o desaparecimento de Marco Aurélio Simon, que, com seu grupo de escoteiros, tentou chegar ao cume dos Marins. Também veem o desdobramento do caso, que teve diferentes linhas de investigação e teorias. Ivo Simon, hoje com 88 anos, está há 41 anos em busca do filho.


A repercussão do podcast garantiu seu formato em série, que vai muito além do projeto anterior. “[Por causa do podcast] Ganhei um voto de confiança. Novos entrevistados resolveram falar”, conta Mesquita, referindo-se a Osvaldo Machado, escoteiro amigo de Marco Aurélio que estava na expedição, e alguns irmãos do garoto desaparecido. “A série traz o material de observação de tudo que vi acontecer na minha frente, sempre com Seu Ivo ao meu lado”, acrescenta.


Em sua pesquisa, Mesquita encontrou com o pai do menino uma série de rolos de filme em Super-8. “Revelei e vi o Marco Aurélio e todo o grupo de escoteiros na época.” O documentarista pegou a mesma câmera utilizada por Seu Ivo para filmar as dramatizações. “A ideia é gerar uma confusão no espectador, para que ele não saiba se o que está vendo é material de arquivo ou dramatização.”


Há também muita coisa rodada com câmera de cinema. “A família Simon rodou o Brasil inteiro atrás do Marco Aurélio. Existe uma grande dificuldade com a cronologia dos fatos. Pesquisei muito, separei fatos e boatos, realidade e imaginação”, afirma.


Para Mesquita, além de apresentar uma história cheia de desdobramentos, “Pico dos Marins” é uma reflexão sobre a família. “Quem construiu a pesquisa esses anos todos foram Seu Ivo e os filhos. Acredito, assim como ele, que, se a série tiver um efeito de viralização, a gente poderá se aproximar de um desfecho definitivo”, diz.

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“PICO DOS MARINS – O CASO DO ESCOTEIRO MARCO AURÉLIO”
• A minissérie, com oito episódios, está disponível no Globoplay.

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